Opinião

Política e ética

Editorial

Diz-se que na Antiguidade Clássica, a ética era parte intrínseca da prática política, razão pela qual o abraço desta forma nobre de ser e estar em sociedade, mais voltada a servir do que se servir, estava quase que circunscrita às pessoas comprovadamente dotadas de valores.

22/05/2021  Última atualização 08H25
É verdade que atendendo à natureza falível do ser humano, sempre propenso a praticar o mal em detrimento do bem, nem sempre as coisas ocorreram como se previam, mas ainda assim as boas práticas impunham-se às tentativas do contrário, por longos anos. .Mas, não há dúvidas de que com a  chegada do Renascimento, ocorreu a  ruptura entre a prática política baseada em valores éticos a favor do interesse, do imediatismo, da indiferença  e cujos activos principais tinham como substrato a ideia de que os fins justificavam os meios. Ao longo de séculos, o debate em torno das melhores práticas em política andaram a girar em torno da adesão ou não aos valores éticos para melhorar o ambiente em que a disputa pelo poder se afigura(va) como parte da convivência humana.Hoje  e numa altura em que a disputa pelo poder, nas sociedades democráticas, se rege por princípios democráticos, da legalidade, do sufrágio universal, entre outros, cresce a tendência para a observância de valores éticos, com recomendações inclusive e se necessário para a subscrição de pactos de conduta em épocas pré e pós-eleitorais.

Muitos Estados avançaram muito em termos de legislação que rege a democracia a todos os níveis e os actores políticos, experimentados ou não, acabaram por aprender com o exercício das actividades políticas baseadas em valores, princípios e tradições dignas.Em Angola, há várias sectores  que defendem, com alguma razão, que no campo político não deve prevalecer o vale tudo e que a acção política deve também obedecer a determinados procedimentos que serviriam não só para manter o ambiente de paz e estabilidade, mas também para ensinar às gerações mais novas interessadas em ingressar na política.

Vale a pena insistir na ideia de que a política angolana deve continuar a observar os princípios éticos, em vez de práticas que constituem verdadeiros atestados de menoridade aos actores políticos, entre grandes e pequenos.Os acontecimentos que ocorreram ontem em Viana, que indignam a política em geral, devem servir de lição a todos os sectores políticos, interessados e não interessados no que estava para ocorrer e acabou por ocorrer, porque atentam contra o ambiente de paz, estabilidade, respeito ao adversário, fidelidade e convicções que evitariam práticas pouco consentâneas com a disputa política.

 É verdade que poderá crescer o número de interessados no tipo de exercícios que maculam o jogo político, à medida que se aproximam os ciclos eleitorais, mas cabem às formações políticas e aos políticos individualmente, interessados ou não, desencorajar estas práticas que, no fundo, acabam por prejudicar e desacreditar a todos.Afinal, ética e deontologia também importam em política.  

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