Opinião

Um “plano B” para o lixo

Editorial

Diz o ditado popular que “o lugar do lixo é no lixo”, uma alusão clara sobre os procedimentos que envolvem lidar com o lixo a partir de casa, ao dispor nos lugares apropriados na rua, a recolha, gestão e o tratamento por parte das operadoras de limpeza.

05/02/2021  Última atualização 08H55
De tempos em tempos, quando sucede, pelas mais variadas razões, a retirada das licenças às operadoras de limpeza ocorre sempre o mais imediato, reprovável e inaceitável dos cenários : amontoados de lixo pelas ruas da cidade, entre o casco urbano e a periferia. Essa realidade devia levar a quem tem o poder de decisão, a nível do Governo Provincial, entre os vários que se sucederam até ao actual, a repensar  em alternativas antes de retirar as licenças às operadoras, independentemente das razões que estejam por detrás deste passo. Não é compreensível que o Governo da Província de Luanda não tenha um "plano B” para lidar com o período que iria desde a retirada das licenças, que significaria a ausência das operadoras das ruas a remover o lixo, à reposição ou contratação de outros intervenientes.
Hoje, a cidade de Luanda transformou-se numa "lixeira a céu aberto”, na medida em que os poucos contentores que se encontravam em algumas artérias acabaram por ser removidos pelas operadoras, que viram as suas licenças retiradas. Por isso é que falamos da necessidade, anterior ao estado actual de  coisas, da existência de um "plano B” para lidar com a presente situação, nem que para isso fosse preciso se recorrer ao procedimento legal da Requisição Civil, com os meios que a unidade técnica da província dispõe.

Não sabemos quanto tempo mais vai levar o actual quadro que, independentemente das razões objectivas que possam estar por detrás da actual situação, apenas vai acabar por agravar o já preocupante défice de saneamento básico.  Quaisquer que sejam as razões do actual estado de coisas relacionadas com o trabalho das operadoras, com os contratos, com as licenças, que obviamente não cabem aqui neste espaço, poucas são mais do que óbvias, nomeadamente a necessidade urgente de se remover o lixo das ruas de Luanda.

Afinal de contas, vivemos tempos em que a perspectiva de se combater algumas doenças, entre elas o paludismo, a Covid-19, não coaduna com a existência de largas quantidades de lixo que prevalecem nas ruas.A remoção do lixo das ruas não pode esperar, sob pena de vermos a agudizar-se os níveis de vulnerabilidade às doenças.

Urge repor a normalidade no que à gestão e recolha dos resíduos sólidos em Luanda diz respeito, numa província que, segundo algumas estimativas avançadas no ano passado pelo então Ministério do Ambiente, produzia seis mil toneladas de lixo diariamente. Obviamente, hoje os referidos números podem estar acima dos registados no ano passado, razão pela qual faz todo o sentido que as entidades competentes acelerem o processo de licenciamento de novas operadoras, para que a capital do país não continue como uma espécie de "lixeira a céu aberto”, como sucede durante estes dias.

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