Cultura

Walter Fernandes expõe fotos sobre os cinemas nacionais

Gil Vieira

Jornalista

Mais de 30 quadros de fotografias, que retratam várias salas de cinemas nacionais, estão patentes, desde sábado, no Cine São Paulo, localizado em Luanda, enquadradas na exposição “Angola Cinemas - Uma Ficção de Liberdade”, do artista angolano Walter Fernandes.

18/06/2024  Última atualização 11H59
Mostra do artista fica patente até ao próximo dia 28 de Julho © Fotografia por: Arsénio Bravo | Edições Novembro

A mostra faz parte do leque de actividades promovidas pelo festival de artes "O Futuro Já Era”, realizado pelo Goethe Institut, em alusão ao 15º aniversário da instituição em Angola. A exposição fica patente até 28 de Julho, data do encerramento do festival.

As fotografias da exposição foram extraídas do livro de retratos, do fotógrafo Walter Fernandes, também designado "Angola Cinemas”, lançado em 2016, na Fortaleza de Luanda. O livro contém cerca de 150 imagens, onde explora detalhadamente as salas de cinema.

Na exposição "Angola Cinemas” estão patentes propriamente fotos do Cine Estúdio, Cine Impala e Cine-Teatro Tômbwa, localizados na província do Namibe, Cine Wako Kungo, Cuanza-Sul, Cine Bar Tropical e Cine São Paulo, Luanda, Cine Estúdio 4O4, Huambo, Cine Luiana, Cuando Cubango, Cine Kalunga, Cine Flamingo e Cine-Teatro Monumental, Benguela, Cine-Teatro, Moxico, e Cine-Teatro Odeon, Huíla.

Segundo Walter Fernandes, as fotografias para além de documentar a história arquitectónica do cinema angolano, mostram, também, como os edifícios transformaram uma simples visita ao cinema numa noite elegante.

"Nas fotos, as pessoas podem observar como os espaços, inicialmente concebidos fechados, evoluíram para os cinemas ao ar livre com terraços e bares, uma forma de construção muito mais adequada ao clima tropical do país”, afirmou.

O fotógrafo explicou, ainda, que as fotografias também representam um marco na sociologia urbana, pois nos anos que antecederam a Independência Nacional, ir ao cinema tornou-se um evento no qual as barreiras sociais foram pela primeira vez diminuídas e a libertação do domínio colonial parece alcançável.

Um dos objectivos principais, de acordo com o artista, é o de preservar as imagens dos espaços, de forma a que as próximas gerações tenham acesso. Além disso, continuou, a intenção é promover a imagem do espaço, de forma a que a população ganhe mais interesse e passe a visitá-los, independentemente da localização. 

Quanto ao festival que participa, Walter Fernandes considerou a iniciativa muito boa, sobretudo por ser uma actividade que engloba várias disciplinas artísticas e, igualmente, permite a participação de crianças, jovens e adultos.  

Ao enquadrar a exposição "Angola Cinemas - Uma Ficção de Liberdade”, ao festival "O Futuro Já Era”, o Goethe Institut espera contribuir para a conservação de edifícios ameaçados pela decadência e para a redescoberta de uma era esquecida e de seus arquitectos, porque o conceito do festival baseia-se em casas degradadas, cinemas vazios, edifícios coloniais reutilizados e muitos edifícios em ruínas que caracterizam a paisagem urbana e a identidade da capital angolana, Luanda.

Um ano antes das grandes celebrações dos 50 anos de Independência de Angola, o festival de aniversário do Goethe-Institut, com artistas de Berlim, Abidjan e Luanda, examina de perto a substância arquitectónica da cidade e coloca questões sobre o futuro. Exposições, filmes, teatro, dança e música fazem parte da programação durante seis semanas, com entrada livre, no Cine São Paulo e em outros pontos da cidade.

Programação do festival

O festival "O Futuro Já Era”, que foi aberto no fim de semana, realiza-se, no Cine São Paulo, em Luanda, até ao dia 28 do mês de Julho, e conta com uma agenda de mais de 60 actividades, onde vão participar vários artistas nacionais e alemães.

Hoje, às 10h00 e depois às 14h00, realiza-se uma oficina criativa para as crianças. Às 16h00, o evento conta com a exibição da exposição "Relíquias da Cidade de Luanda”, logo de seguida vai haver a rubrica "Conversas Sem Futuro” onde se vai abordar o tema da exposição.

Amanhã, às 16 horas, novamente através da rubrica "Conversas Sem Futuro”, vai se falar da "Legalização vs Contribuição Tributária dos profissionais do Sector Cultural”. No mesmo dia, às 18h30 apresenta-se a performance "O Culto do Cão”.

Na quinta-feira, às 16 horas o espaço será para spoken Word, onde se vai apresentar "Artes ao Vivo: A Essência do Spoken Word em Angola”, às 18 horas vai ser momento de cinema, com a exibição de um filme nacional.

Na sexta-feira, às 16h00, o festival vai ter um novo debate, onde se vai abordar sobre os "Cinema sem Salas: Desafios do Audiovisual em Angola”. Às 19h30, vai se fazer a exibição dos filmes "Pelo Silêncio das Armas” e "Vou Mudar a Cozinha”.

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