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Votação decorreu num clima de tranquilidade

Eleitores são-tomenses foram ontem às urnas para escolher o quinto Presidente da República, num clima de acalmia, serenidade e disciplina.

19/07/2021  Última atualização 05H20
Guilherme Posser da Costa promete ser um “Presidente-árbitro” caso seja eleito © Fotografia por: M.Machangongo | Edições Novembro | São Tomé
Até ao fim da tarde, o acto da votação decorria com normalidade em todas as circunscrições das assembleias de voto. As urnas abriram às 7h00 e foram encerradas por volta das 17h00 locais.

No início, registaram-se poucas afluências aos locais de votação, situação que foi melhorando a medida que o tempo ia passando.

Para o efeito, em todas as ruas e esquinas da cidade capital, no distrito de Água Grande, a segurança foi reforçada para evitar-se quaisquer distúrbios durante a votação e a divulgação dos resultados conforme aconteceu nas eleições anteriores em que a precipitação da divulgação dos resultados gerou um clima de insegurança e intranquilidade provocadas por apoiantes de algumas candidaturas.

De igual modo, embora não em todas as circunscrições, na maior parte das assembleias foram observadas as normas sanitárias recomendadas, tais como o uso escrupuloso da máscara facial, a higienização das mãos com álcool e gel e o distanciamento entre os votantes. Contrariamente ao que se aventava relativamente à fraca adesão às assembleias de votos, os cidadãos afluíram em massa às urnas com civismo e de forma ordeira.

Guilherme Posser da Costa, Carlos Vila Nova e Maria das Neves, os  primeiros candidatos a votar, logo pela manhã, no Instituto Superior da Educação e da Comunicação da Universidade de São Tomé e Príncipe, deixaram apelos ao voto massivo dos cidadãos, com lisura, disciplina e civismo.

Guilherme Posser da Costa, considerado um potencial candidato à Casa Rosada, enalteceu a maturidade do povo são-tomense, que soube conduzir uma campanha eleitoral com civismo, não obstante os atropelos às medidas de segurança sanitária verificada por mandatários de algumas candidaturas, considerando muito normal num Estado democrático.

"Caso seja eleito, serei um Presidente-árbitro, que procura consensos. Serei um Presidente que tentará utilizar o diálogo até à exaustão para resolver os problemas que eventualmente possam surgir no relacionamento dos diferentes órgãos da soberania, porque acredito que a garantia da estabilidade política e da governabilidade são duas condições fundamentais para podermos garantir a tranquilidade e a confiança necessárias, quer para os nossos cidadãos, quer para os nossos parceiros de desenvolvimento, inclusive para a atracção de investimentos”, sustentou o candidato.

Por seu lado, o candidato Carlos Vila Nova acredita que a votação presidencial é uma grande responsabilidade, que culmina sempre com a eleição de um novo mandatário do país que, por sua vez, irá representar os são-tomenses dentro e fora o país, e criticou a Comissão Eleitoral Nacional por ter permitido alguns atropelos às medidas sanitárias e à lei eleitoral por permitir que um determinado candidato recebesse nas suas instalações delegações de observadores internacionais às eleições.

"Foi preciso alguma pressão para que a Comissão Eleitoral Nacional tomasse a peito denúncias feitas por algumas candidaturas, nomeadamente a distribuição de cabazes em pleno dia, o que significa uma subversão à lei eleitoral”, denunciou.

Vila Nova pediu, também, a todo o povo são-tomense a estar alerta, acompanhando todo esse processo até ao final, votando no candidato certo do qual mostrou-se confiante na vitória.

Da mesma forma, a candidata Maria das Neves considerou ser um clima de festa, a situação que se viveu ontem em todo o país, tendo recomendado à vigilância na contagem dos votos, principalmente aos observadores a quem pediu, igualmente, rigor para que estas eleições sejam justas e transparentes.


O Presidente cessante, Evaristo Carvalho, que votou por volta das 11horas locais, na Escola Primária Dona Maria de Jesus, apelou ao voto consciente e responsável a todos os eleitores.

"Para mim, é uma honra voltar a exercer mais um direito de voto e espero voltar a fazê-lo dentro de cinco anos”, disse, tendo descartado no entanto, a existência de grande número de absentistas nestas eleições e considerou que o povo são-tomense está cada vez mais maduro, sabe o quer para o futuro das suas vidas e do país.

Relativamente a denúncias de pequenas barricadas protagonizadas por alguns cidadãos, que reivindicavam melhoria de condições sociais e maior atenção pelo Governo, o Presidente cessante afirmou ser normal em democracia e minimizou-o dizendo que duvidava que este ponha em causa o processo de votação no território são-tomense.

Ao seu sucessor, o Chefe de Estado cessante pediu o cumprimento do calendário eleitoral em todo o país.
Enquanto isso, o Primeiro-Ministro, Jorge Bom Jesus, desejou a escolha entre os 19 candidatos àquele que "esteja talhado, para, em conjunto com o Governo, fazer uma equipa colaborativa” para os desafios dos novos tempos que é construir o melhor para os são-tomenses e para o país.

Houve relatos de alguns casos de protestos num dos pontos de votos no distrito de Água Grande protagonizado por alguns cidadãos que consideravam o processo muito lento, mas rapidamente o caso foi ultrapassado pelas equipas das mesas de voto.


 Ilha de Príncipe

Na região autónoma da Ilha de Príncipe a votação começou também às 7h00 da manhã, sem incidentes. O maior número de eleitores compareceu às urnas no início da tarde.Até ao fecho desta edição já havia notícias de que o processo estava quase terminado naquela região.Estas eleições tiveram a observação de delegações da União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Central, CPLP, Fundação Carter, dos Estados Unidos e do Japão.

António Canepa/São Tomé

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