Política

Voos da TAAG vão retornar ao Uíge

A província do Uíge vai ter um novo hospital de nível provincial, com capacidade para 200 camas. O anúncio foi feito, terça-feira (26), na cidade do Uíge, pelo secretário de Estado da Administração do Território, Márcio Daniel, ao fazer o resumo da reunião que o Presidente da República, João Lourenço, teve com o Governo Provincial, na presença dos ministros de Estado e ministros de quase todos os sectores.

27/10/2021  Última atualização 08H09
© Fotografia por: Santos Pedro | Edições Novembro | Uíge
O Presidente João Lourenço está, desde terça-feira , no Uíge para avaliar a situação económica e social da província, que visitou pela última vez em 2018.

Segundo Márcio Daniel, as obras do hospital devem iniciar imediatamente, porque têm os recursos assegurados, tendo sido já feito o pagamento em "down payment”.

Na mesma reunião, o Presidente orientou a conclusão, dentro dos próximos sete meses, das obras da Mediateca do Uíge. A conclusão da obra consta entre as preocupações apresentadas pelo governador José Carvalho da Rocha, no início da reunião, que decorreu na sede do Governo da Província.

O Chefe de Estado orientou, também, o retorno, até ao primeiro trimestre do próximo ano, dos voos da TAAG para a província do Uíge. O Ministério dos Transportes foi orientado a traçar o cronograma de acções que vão levar ao retorno dos voos da companhia de bandeira nacional, interrompidos há vários anos, inicialmente por causa das obras no Aeroporto Manuel Quarta Punza.


Novo hospital municipal

Outra novidade, no domínio da Saúde, é a inauguração, hoje, de um hospital de nível municipal, o Hospital da Catapa, inicialmente destinado ao tratamento de casos de Covid-19, mas adaptado para funcionar como municipal.
Na reunião foi reiterado o anúncio da construção de um estádio de futebol na província, feito, recentemente, pela ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto.

Sobre a electrificação das 13 sedes municipais que ainda não beneficiam deste serviço, outra das preocupações apresentadas pelo governador, o secretário de Estado da Administração do Território informou que foi feita a avaliação de todas as envolventes do projecto, estimado em 450 milhões de dólares.

"Agora o essencial do trabalho a ser feito é encontrarmos os recursos financeiros para financiar este projecto”, sublinhou.


Presidente preocupado com obras inacabadas


O Presidente da República manifestou preocupação com o número de infra-estruturas iniciadas e que estão por acabar na província do Uíge.

João Lourenço manifestou a preocupação depois de ouvir o governador José Carvalho da Rocha, que apresentou um memorando sobre a situação política, económica e social da província.

Entre as obras por concluir estão a Mediateca local, que deve estar pronta dentro de sete meses, a Casa da Juventude, o Museu Etnográfico do Congo e o Tribunal Militar da Região.

Ao iniciar a apresentação do memorando sobre o estado da província, que tem 16 municípios e 1.488.118 habitantes (de acordo com o censo de 2014), o governador manifestou o desejo de que a visita do Presidente venha a "representar um novo impulso” para a região.

José Carvalho da Rocha fez uma descrição do estado de quase todos os sectores da vida económica e social da província. Apontou a existência de 1.283 estabelecimentos de ensino geral, ainda assim insuficientes para as necessidades.
Segundo o governador, a província ainda precisa de 570 escolas. Lamentou o facto de existirem, ainda, incluindo na sede da província, crianças a estudarem em escombros ou debaixo de árvores.

Apontou, igualmente, a necessidade de construção de mais escolas nos municípios fronteiriços da província, como Maquela do Zombo, Quimbele e Milunga, porque muitos alunos são obrigados a atravessar a fronteira para terem aulas na República Democrática do Congo (RDC).

Outra preocupação, que resulta do clamor da população, tem a ver com o estado das vias de acesso para as sedes dos municípios do Bembe, Buengas e Milunga, as únicas por asfaltar. A isso acresce as ravinas, que constantemente colocam em risco a circulação, sobretudo para os municípios dos Buengas, Quimbele e Milunga.

Segundo José Carvalho da Rocha, que assumiu a direcção da província há quase um ano, o Governo dedica parte do kit de obras para essas regiões para "lutar” contra as ravinas.

No domínio das águas, se a cidade do Uíge vai sendo paulatinamente aliviada, com o projecto das dez mil ligações, em curso, a situação é difícil nos demais municípios da província.


Segundo o governador José carvalho da Richa, "a população clama por sistemas (de captação e tratamento) de água”.


Governador destaca potencialidades na agricultura e pecuária José Carvalho da Rocha destacou as potencialidades da província no domínio da agricultura e pecuária, com solos aráveis, bastante água e clima tropical húmido.


Disse estar em curso, no quadro do Programa de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza, um projecto em que cada administração deve atribuir 200 hectares a 40 famílias, totalizando 3.200 hectares e 600 famílias nos 16 municípios. O objectivo é incentivar o relançamento do cultivo de produtos predominantes em cada região. A avaliação da evolução social das famílias será feita no final da presente campanha agrícola.

O governador disse que a província continua com grandes problemas de habitação, não obstante a construção da Centralidade do Quilomosso e das casas sociais nas imediações. Para colmatar a carência, o Governo está a preparar o loteamento de uma área para a construção dirigida, cujos lotes começam a ser entregues em Abril do próximo ano.
Ainda assim, defendeu a conclusão das obras da Centralidade do Quilomosso, projectada para quatro mil apartamentos, mas tem apenas 1.010, bem como o projecto das 500 casas, que tem apenas 108 concluídas e têm servido para alojar famílias retiradas de zonas de risco.

O Presidente João Lourenço termina hoje a visita ao Uíge, com uma deslocação ao Centro Tecnológico. Está prevista, também, uma visita a uma Feira da Agricultura.

Ontem, no final do dia, o Chefe de Estado recebeu, em audiências separadas, membros da sociedade civil.


Fonseca Bengui, António Capitão e Nicodemos Paulo | Uíge

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