Economia

Voo decisivo no processo para a certificação do aeroporto

Ana Paulo

Jornalista

Do ponto de partida e ao abrigo da frequência da Organização Internacional da Aviação Civil, foi codificado o FOX 90 Bravo Juliet, ou simplesmente FM-BJ, com o BJ a indicar a área de Bom Jesus, como características técnicas e de segurança para o percurso do primeiro avião que aterrou, oficialmente, no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, ao município de Icolo-e-Bengo, em Luanda, quando eram, precisamente, 13 horas de sexta-feira (tempo de Angola).

18/06/2022  Última atualização 09H00
© Fotografia por: Paulo Mulaza | Edições Novembro
Descodificado, trata-se do Flight DTE013, o Boeng Triple Seven (B777) das Linhas Aéreas de Angola (TAAG), que teve como passageiros dezasseis tripulantes angolanos, liderados pelo comandante de bordo João Paulo Mendes e, assistidos pelo comandante Magalhães, primeiro-oficial Tiago Pinho e pela supervisora Iracelma Gomes.

Coincidentemente, o Boeing 777-300, que levantou voo no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro às 12 horas e 39 minutos, para um percurso de aproximadamente 40 quilómetros, leva o nome de Sagrada Esperança, o emblemático poema revolucionário de António Agostinho Neto.

Já em terra, o Triple Seven foi baptizado por dois carros dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, para cumprimento de um ritual, habitual para cerimónias dessa natureza, como orientam as regras do sector de Aviação Civil.

Após a aterragem, seguiram-se outros momentos de pirotecnia, com a passagem de voos rasantes da Força Aérea Angolana (FAA), com aviões do tipo SU 30 e K8, estes últimos que lançaram fumaça com as cores da bandeira nacional além de um outro espectáculo que teve uma dúzia de pára-quedistas que caíram de helicóptero.

O acto comemorativo foi esperado por muitos presentes, num total de 550, dos quais 300 membros da Comunicação Social, que garantiram total cobertura do evento. Entre os presentes estavam deputados, ministros de Estado, titulares do poder Executivo, oficiais das forças de Defesa e Segurança, quadros do sector dos Transportes, incluindo membros da direcção do INAVIC, ANAC, ENNA e SGA, além de representantes da sociedade civil do município de Icolo-e-Bengo.

Outra presença destacável foi da viúva do primeiro Presidente da República, Maria Eugénia Neto, que valorizou a "grande homenagem” que foi dedicada ao Dr. António Agostinho Neto.

Para o ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, o momento foi um passo decisivo para o processo de certificação da infra-estrutura, que deve entrar em completo funcionamento em Dezembro de 2023, altura que se pretende utilizar o aeroporto sem restrições. "O voo experimental marca, de agora em diante, o futuro da Aviação Civil em Angola e a história comum”, sublinhou.

Quanto à denominação do aeroporto, Ricardo d’Abreu disse que "é uma justa e merecida homenagem àquele que foi o primeiro Presidente de Angola, o Pai da Nação”, que a conseguiu manter una e indivisível, fazendo dela "a trincheira firme da revolução em África”, rumo à autodeterminação e a independências no continente.

Retomando o ‘Nosso Futuro’, lembrou que para "chegarmos aqui e encontrarmos esta infra-estrutura a ganhar forma definitiva e em fase já muito avançada de desenvolvimento, foi preciso ultrapassar com êxito algumas etapas cruciais e tomar decisões tão inovadoras quanto arrojadas”.

Lembrou que no primeiro despacho que teve com o Presidente da República, João Lourenço, foi orientado a concluir esse projecto e a dedicar especial atenção ao sector da Aviação Civil nacional, enquanto prioridades da acção do Governo em prol da diversificação da economia. Realçou que o país dispõe hoje de uma verdadeira Autoridade da Aviação Civil, a primeira entidade administrativa independente do sector, assim como de um quadro legal que se alinha com as orientações da Organização Internacional da Aviação Civil.

  Processo de certificação

O coordenador do Gabinete Operacional do novo aeroporto, José Nobrega, esclareceu que, em termos internacionais, é normal que o processo dure 12 meses. No caso Angola, prevê-se uma meta de cerca de 18 meses, o que vai garantir que a infra-estrutura entre em funcionamento no próximo ano.

Para que o processo seja aprovado o mais rapidamente possível, é necessário que se cumpram algumas regras relacionadas ao perímetro, operacionalidade e regulamento.

No que toca ao perímetro, disse o coordenador, é necessário que se analise com cuidado aquilo que são as habitações à volta  do perímetro do aeroporto, por se tratar de ocupações  que perigam a certificação. Destacou que as ocupações estavam erguidas no limite e violavam as distâncias de segurança, que impediriam as aeronaves de circularem e, quiçá, provocarem acidentes com maior número de vítimas.

Segundo José Nobrega, o aeroporto custará muito dinheiro aos angolanos, em torno dos seis mil milhões de dólares, sem incluir a empreitada que está a ser feita, para terminar a infra-estrutura. A fase final da obra feita pela AVIC e ronda os 1,4 mil milhões de dólares, e deste valor, cumpriu-se  já 60 por cento das obras.

"Isto é, quando rescindimos o contrato com a chinesa CIF, contratou-se uma outra que conta com uma obra de 1,4 mil milhões de dólares", frisou, acrescentando que, se o Estado investiu muito dinheiro, há também que rentabilizar as infra-estruturas.

  Infra-estruturas atingem o pico

Quanto ao término das infra-estruturas, há muito por fazer, ainda que se tenha atingido "um ponto importante”, no que toca à conclusão de uma das pistas. No futuro, falta terminar a outra, denominada Pista Norte, que já tem a sub-base feita. A Pista Norte tem 3.800 metros de comprimento e 45 metros de largura, sem limitações.

"Vamos cumprir os prazos, naquilo que é a componente financeira, embora haja ainda outros instrumentos que tem de ser adaptadas e que podem envolver alguns custos”, frisou José Nobrega, visivelmente satisfeito com a evolução da obra. Uma das vantagens do aeroporto está na disposição das pistas, que podem funcionar em simultâneo, algo que não acontece  em grandes aeroportos, especialmente os mais antigos, como o 4 de Fevereiro e o de Lisboa (Portugal).

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