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Vladimir Putin anuncia“mobilização militar parcial”

O Presidente da Rússia, anunciou, ontem, uma “mobilização militar parcial”, cujo Decreto já assinou, a medida entrou em vigor ontem.

22/09/2022  Última atualização 07H35
© Fotografia por: DR
Falando pela primeira vez aos "cidadãos russos”, desde que as tropas  russas invadiram a Ucrânia, no dia 24 de Fevereiro, Vladimir Putin prometeu garantir a "independência e liberdade do país com todos os meios "de que dispõe.

"Apenas os cidadãos que se encontram actualmente na reserva e, sobretudo, aqueles que serviram às Forças Armadas e têm certas especialidades militares e experiência relevante, estarão sujeitos a alistamento”, avançou Putin.

O líder russo  justifica a sua decisão com "a necessidade de proteger o povo russo nas terras libertadas”,  pelo que a seu ver  "são necessários passos para defender a soberania e integridade territorial da Rússia”.

A "mobilização parcial” surge poucos dias antes de os territórios separatistas pró-russos da região de Donbass, no Leste da Ucrânia, realizarem  entre amanhã e dia 27  deste mês  referendos para decidirem sobre a sua anexação pela Rússia.

O objectivo da Rússia, segundo Putin, é "apoiar aqueles que o regime de Kiev transformou em reféns”,  já que  a autoproclamada República Popular de Lugansk "está praticamente  livre de neonazis”.

"O nosso objectivo é libertar o Donbass”, afirmou, assegurando que a Rússia tem armas "mais modernas do que a  NATO e o Ocidente”.

"Quero dizer ao Ocidente: temos muitas armas em nosso poder, não estamos a fazer bluff. O nosso país também tem meios de ataque, mais modernos do que a NATO. Garantiremos a integridade territorial da nossa terra-mãe, a nossa Independência e a nossa liberdade, repito, com todos os meios de que dispomos”, atirou.

A mensagem de Putin, transmitida em televisão, teve a duração de 14 minutos e terminou com um voto de confiança. "O vento pode mudar e soprar contra eles (Ocidente). Confio no vosso apoio”, concluiu.

 

Apela à indústria de armamento

Vladimir Putin disse pela primeira vez a palavra "guerra” e apelou à Indústria de Armamento russa para aumentar a produção para compensar o fornecimento de armas para a guerra na Ucrânia.

O líder russo justificou a decisão com ataques ucranianos contra civis russos, referindo-se os "mercenários do Ocidente que fornecem armamento às Forças Armadas ucranianas”.

Num discurso pré-gravado, que estava marcado para terça-feira, à noite, mas só passou ontem, Putin justificou-se: "Os ocidentais empurraram a Ucrânia para a guerra connosco”.

  Mobilização engloba 300 mil reservistas

Após o discurso de Putin, o ministro da Defesa da Rússia,  Sergei Shoigu, anunciou a mobilização de 300 mil reservistas  e de estudantes, segundo a France Press (AFP).

"Neste momento,  a luta não é tanto contra a Ucrânia, mas contra o Ocidente”, sublinhou Sergei Shoigu.

A Sky News diz que  Shoigu  prometeu que "os mobilizados  receberão treino militar” antes de ir para frente de combate”, acrescentando que a "mobilização não incluirá pessoas que serviram como recrutas ou estudantes”.

Sergei Shoigu revelou que a Rússia já perdeu no conflito com a Ucrânia 5.937 militares, e disse que do lado ucraniano 61.200 soldados mortos.

Elogiou o trabalho dos médicos ao garantir que "mais de 90 por cento dos feridos voltaram aos seus postos.

Kremilin ignora comandos militares

O Instituto para o Estudo da Guerra acredita que o Presidente russo, Vladimir Putin, está a ignorar os altos comandos militares e está cada vez mais dependente de voluntários e mercenários para manter a invasão na Ucrânia.

No seu mais recente relatório, o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede em Washington, diz ter provas de que as Forças Armadas russas estão a recorrer cada vez mais a voluntários e mercenários, em vez de unidades convencionais, como resultado de um difícil relacionamento entre o Kremlin e os seus generais.

Esta situação estará a causar desconforto entre os altos comandos militares russos, que se sentem cada vez menos ouvidos pelo Presidente, em particular nesta fase do conflito, quando a Ucrânia procura a contra-ofensiva na região de Kharkiv.

"O relacionamento difícil de Putin com o Comando militar russo pode explicar, em parte, o foco crescente do Kremlin no recrutamento de voluntários mal preparados para unidades irregulares  ad hoc, em vez de usar reservas de substituição para unidades regulares de combate russas”, explica o ISW no seu relatório.

O documento cita uma mensagem de um especialista russo que dá conta de que o 4.º Regimento do Exército iniciou a formação de novos soldados a partir de unidades regionais de voluntários, bem como de prisioneiros nas regiões ocupadas de Donbass.

"A formação destas unidades ad-hoc criará mais tensões, desigualdade e uma total falta de coesão entre as forças”, avisa o ISW, que cita fontes ucranianas e russas que relatam casos em que as Forças Armadas russas estão a recusar-se a pagar bónus de alistamento ou a recusar tratamento médico a militares na reserva, provocando o descontentamento entre estes sectores militares.

Ao mesmo tempo, denuncia o relatório, mantêm-se as situações de discriminação dentro de alguns regimentos, em que, por exemplo, os líderes chechenos destacam não-chechenos para partir para a linha da frente.

Por outro lado, há também relatos de "problemas comportamentais entre os prisioneiros recrutados”.

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