Opinião

Viva a concorrência política saudável

Agostinho Chitata

Jornalista

Ao vermos as bandeiras colocadas nas ruas, nos postes de iluminação, nas viaturas, fixadas nos kupapatas, “caímos na real” de que o ambiente é de festa. Que o conceito de democracia mostra evidencia. Ontem, Sábado, vimo-nos envolto num cenário engalanado com as cores das formações políticas. Ou seja, cada um a “puxar a brasa para a sua sardinha”, como diz o dito popular.

07/08/2022  Última atualização 07H10

Ao percorrer os vários quilómetros de casa para o centro da cidade, em mais uma missão laboral, o congestionamento empurrou-me para as primeiras eleições gerais, realizadas em 1992. O movimento político nas ruas dificultava a mobilidade, pois o trânsito era lento, principalmente ao Sábado, como foi o dia de ontem, numa Luanda meia-cinzenta. O sol deixou que os políticos e seguidores brilhassem.

Este é o quinto pleito na vida dos angolanos. Os candidatos das oito formações concorrentes vão se desdobrando pelo país a  dentro e fazem passar as suas mensagens. Pretendem convencer o eleitorado e atingir o poder. É a vez dos governados escolherem o melhor programa e manifesto. Todo este exercício quer-se que seja o mais pedagógico possível.

É preciso que as novas gerações de políticos bebam sapiência desta nata de interventores que luta por "um lugar ao sol”, para o topo da governação. Claro que para tal, têm de se esgrimir em bons argumentos e promessas realizáveis. Para que, quem vai voltar, o faça em plena consciência de que esteja a fazer a escolha certa e que, em pouco tempo, saia  da intenção à prática.

Entretanto, mais do que tudo isto, que se compenetre que estas eleições são nossas, nós angolanos. Logo, sempre válido o conselho de promover e pautar-se por uma conduta cívica irrepreensível agora, no momento do voto e depois da divulgação dos resultados. No fundo, ganha a democracia e todos nós, angolanos.

Estamos numa marcha imparável de trazer ao país o melhor que nos proporcione bem-estar e não estamos em mau caminho. Diriam os mais irónicos: o país está a "pipocar”. E os condimentos necessários ainda são reforçados neste momento de festa política. Sempre soubemos dar bons exemplos de civismo e de respeito às diferenças, grosso modo.

Ontem, acompanhando o noticiário da RNA, as notícias da abertura eram sobre os actos políticos. O candidato do MPLA trabalhou no Uíge e falou das acções que visam a melhoria em termos de infra-estruturas para a província. Soube-se que o número de pessoas presentes era imenso. Isto é bom. Mostra o quanto os angolanos ganharam maturidade e acompanham passo a passo as intervenções dos líderes partidários.

Em Luanda, o presidente da Unita esteve na Ilha de Luanda e foi ter com banhistas, confirmou o repórter, mas nas ruas também outras formações não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Por exemplo, em Malanje esteve o líder da FNLA.

Entrevistado pela repórter, insistiu na agricultura como o pilar decisivo do seu programa. Depois falou do almoço dele, na base dos quitutes da terra. A tarde iria falar com os eleitores. Afinal, com o estômago vazio, nada se faz.

Hoje, já faltam 17 dias, quem diria! Logo, as formações políticas têm de se apressar, no bom sentido, e em conformidade com  o conjunto de normais eleitorais, devem dar tudo e mais alguma coisa para que preencham  um lugar no parlamento, cujos assentos estão lá a espera dos novos "inquilinos”, os representantes legítimos da voz do povo.

Em 1992 foi-se às urnas e "com Angola no coração”. O cenário não vai ser diferente. Não se foi feliz naquela altura porque se voltou à guerra, mas, hoje, isto é inadmissível. O sentimento é outro: ninguém mais quer voltar a viver ou a passar por aqueles momentos de triste memória.

A tal de "enterremos os mortos e cuidemos os vivos”, já não colhe. Nada. Queremos todos cuidar da Nação, que muito nos orgulha por, todos nós, pertencermos e sermos poucos para este país enorme e cheio de recursos naturais.

Para a frente é o caminho porque atrás vem gente, diz-se. Nós, apenas queremos caminhar e "fazer de Angola um país bom para se viver”. Por isso, conta-se com todos para continuar a edificar o país, com infra-estruturas que respondam às nossas necessidades primárias.

Que no campo o desenvolvimento crie motivação e os agricultores vejam os seus esforços a reflectirem-se na mesa de todos e tenham também melhor aproveitamento na indústria transformadora. Só a paz e a tranquilidade podem proporcionar. Viva a concorrência política saudável.    

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