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Violência em Cabo Delgado afecta milhares de pessoas

Um relatório do Governo provincial de Cabo Delgado sobre a violência que ocorre desde 2017, ao qual a Lusa teve sábado acesso, estima que esta já afectou 156.400 pessoas, mas não faz referência ao total de mortos que, de acordo com relatos locais e referências passadas pelas autoridades, se estima, no mínimo, de 350 a 400, entre agressores, militares e população.

10/02/2020  Última atualização 05H53
DR © Fotografia por: Mais de 150 mil pessoas foram afectadas pela violência na província moçambicana de Cabo Delgado

Do universo de pessoas afectadas, o maior número pertence ao distrito de Macomia (29 por cento), seguido de Quissanga (25 por cento), Mocímboa da Praia (19 por cento) e Palma (13 por cento) num total de nove distritos atacados.
Desde Outubro, cerca de 52 mil receberem assistência - ou seja, cerca de um terço de todas as afectadas -, em apoio psicossocial, produtos alimentares, vestuário e em materiais para reconstrução das casas queimadas. Os níveis de apoio são de 100 por cento nos distritos de Mocímboa da Praia e ilha do Ibo, refere o documento.
O impacto da violência armada levou à elaboração de um Plano Integrado de Resposta Humanitária para a província de Cabo Delgado, com o apoio da cooperação suíça e que está a ser divulgado junto de parceiros e outros intervenientes no processo de resposta.
O relatório destaca grandes perdas na agricultura, com o abandono de campo e perda de sementes, com reflexo no aumento da insegurança alimentar, além de uma migração de pescadores para zonas seguras. As autoridades apontam como principais constrangimentos uma “insuficiência de recursos financeiros para actividades de acompanhamento e monitoria do processo de recuperação das famílias afectadas”, além de um “aumento da frequência dos movimentos dos malfeitores, dificultando acções de assistência humanitária”.
Os próximos desafios consistem em “garantir a implementação dos projectos a serem desenvolvidos em Cabo Delgado, com financiamento da Organização Internacional para as Migrações (OIM)”. Os projectos incluem o fortalecimento do policiamento comunitário, das organizações da sociedade civil para a promoção da paz e acções que garantam rendimento.
Os ataques armados na província de Cabo Delgado eclodiram em 2017, protagonizados por residentes, frequentadores de mesquitas consideradas “radicalizadas” por estrangeiros, segundo líderes islâmicos locais com os quais criaram atritos nos anos anteriores. Nunca houve uma reivindicação da autoria dos ataques, com excepção para comunicados do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, que, desde Junho, tem vindo a chamar a si alguns deles, com alegadas fotos das acções, mas cuja presença no terreno especialistas e autoridades consideram pouco credível.
Os ataques já provocaram pelo menos 350 mortos, além de deixar cerca de 600 mil afectados ou obrigados a abandonar as terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.
A província de Cabo Delgado é aquela onde avançam as obras dos megaprojectos que daqui a quatro anos vão colocar Moçambique no ‘top 10′ dos produtores mundiais de gás natural e onde há algumas empresas e trabalhadores portugueses entre as dezenas de empreiteiros contratados pelos consórcio de petrolíferas.

Desmentido recrutamento compulsivo


O Ministério da Defesa moçambicano desmentiu, também na sexta-feira, informações nas redes sociais sobre um recrutamento compulsivo de jovens para o cumprimento do serviço militar e reforço de combate a ataques armados em Cabo Delgado, no Norte do país. “Não está a decorrer nenhum recrutamento compulsivo. Quando chegar a vez, o jovem será convocado e não raptado”, disse Carlos Mucamisa, coronel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), em conferência de imprensa em Maputo.
As imagens que circulam nas redes sociais mostram, em vários pontos de Maputo, jovens a correr, supostamente a fugir de militares que os querem levar à força para integrar o exército que combate insurgentes no Norte de Moçambique. Em nenhuma das imagens se vêem membros das forças de defesa e segurança e, nos relatos divulgados, não há confirmação de que haja de facto qualquer outra entidade ou grupo a levar pessoas à força. O suposto recrutamento coincide com a época de recenseamento militar, lançado em 10 de Janeiro com fim previsto para 28 de Fevereiro.
O Ministério da Defesa anunciou que vai investigar o caso para “descobrir a origem, motivações e os autores” das informações que lançaram alarme nalguns bairros. “Estas recrutamento e mobilização estabelecidas pela Lei do Serviço Militar”, acrescentou o coronel. A entidade acções vão contra as práticas e procedimentos de apelou à calma e vigilância, avançando que podem ser apresentadas denúncias nos centros provinciais de Recrutamento e Mobilização ou em esquadras.

 

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