Opinião

Vida na vida que não vivo!

Augusto Cuteta

Jornalista

Tinha chegado de Londres, há dois dias, onde fui tratar de negócios de uma das minhas grandes empresas, quando a mulher e os filhos tinham já agendado uma viagem para celebrar o dia do meu aniversário com uma festança, num dos hotéis mais caros de Nova Iorque.

20/11/2022  Última atualização 07H42

A lista que a dama me tinha apresentado era composta por 1.300 convidados, entre os quais 600 empresários amigos e 100 políticos de peso da nossa praça. Contou com 20 cantores angolanos, cinco americanos, seis mexicanos e dois brasileiros. Eu adoro música mexicana. E a festa foi uma maravilha.

Naquele dia, Trump, o empresário, não o ex-Presidente americano, tinha dado uma voltinha pela festa. Provou apenas um whisky caro e bateu um papo comigo. A minha família estava tão emocionada e os meus amigos também.

Os jornais, rádios e tv lusófonos estiveram lá em peso. Cinco órgãos americanos fizeram cobertura do evento.

Deixando de parte a festa de Nova Iorque, para dizer que meses depois, saí da casa do Talatona e fui viver no maior edifício da capital angolana, que construí na baixa da cidade. Essa coisa de negócios, família e viagens é mesmo uma boa vida, daí ter feito uma homenagem a esses momentos com o condomínio, de mil vivendas, que estou a erguer ali na zona da Via Expressa. Como tinha muitos negócios, passei a gestão dos primeiros dez colégios a um sobrinho, enquanto as duas empresas de transportes estão a ser geridas pelo meu irmão mais velho. O negócio imobiliário está sob tutela do meu melhor amigo, enquanto os serviços hoteleiros e afins deixei-os na responsabilidade das minhas irmãs.

O Presidente da República convidou-me, há dias, para assumir a pasta de ministro da Comunicação Social, mas preferi ficar fora disso. Escrevo alguns livros e, isso, além da minha vida nos negócios, já me fazem bem. Política de verdade não quero.

Há dias, liguei para o Ndunguidi e ao Akwá, por causa daquele apoio que pediram para a construção de seis campos de futebol nas comunidades de Viana, Kilamba Kiaxi, Cacuaco, Icolo e Bengo e Cazenga. Aceitei o projecto, porque vai ajudar muitos meninos a descobrirem seus talentos na bola. Aliás, já aprovei o orçamento, para que os campos comecem a ser erguidos, a partir do próximo mês.

Agora mesmo, vou pedir ao meu assessor para Assuntos Sociais, no sentido de orientar a entrega dos produtos que chegaram da Itália para os dois centros de acolhimento de órfãos, meninos de rua, idosos e outros necessitados. Neste momento, já desembolsei os dinheiros para as obras de melhoria do Beiral e de três hospitais de Luanda. Em Benguela e Cuanza-Norte decorre o mesmo programa. Amanhã mesmo, vou inaugurar as duas estações radiofónicas e uma televisiva, que vão trabalhar apenas com estudantes finalistas das escolas do ensino médio de Comunicação Social e de três universidades, que ministram cursos da área. Neste projecto, estou a contar com jornalistas experimentados para orientarem os jovens, que, nos próximos cinco anos, serão eles mesmo a assegurar a gestão dos canais. Já tenho duas revistas e três jornais no mercado. Agora, estou a pensar em reabilitar aquele edifício dos colegas do jornal.

Também estamos a fazer uma aposta séria na produção a nível das fazendas. Lembrei-me agora dos cinco jovens, que me pediram emprego para ocupar funções de motorista e eu dei cargos de direcção. Eles já se esqueceram dessa história, talvez.

Daqui a duas semanas, o grupo CutetaFamily, na pessoa do seu PCA, vai apresentar outros projectos para a sociedade, numa conferência de imprensa. Até lá, vou continuar a pensar que vivo essa vida que nunca vivi!

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