Economia

Venda directa de divisas ao público está ajustada à nova conjuntura

As circunstâncias que levaram o BNA a assumir a venda directa de divisas foram re-movidas, sendo coerente que essas operações tenham sido restituídas à banca comer-cial, casas de câmbio e de en-vio de remessas, consideraram ontem representantes dos dois sectores do mercado cambial  em declarações ao Jornal de Angola.

21/09/2018  Última atualização 09H39
Angop

Num comunicado emitido terça-feira, o Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou que, a partir de 1 de Outubro, abandona a venda directa de divisas, sendo que as solicitações de compra de moeda estrangeira devem voltar a ser unicamente apresenta-das a instituições financei-ras autorizadas a exercer o comércio de câmbios.
O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, considerou que a medida devolve alguma dignidade aos ban-cos comerciais, notando que o contexto em que o BNA ab-sorveu as vendas, era “crítico”, com o mercado a precisar de “maior intervenção do ban-co central”.
As vendas autónomas vão gerar maior confiança dos clientes nas instituições bancárias nas novas circunstâncias, em que o mercado tende a inverter os níveis de procura de moeda externa, apontando para a normalização.
O presidente da ABANC prevê que a especulação na venda de divisas no mercado informal, verificada no passado, também tenderá a diminuir com a regularização do mercado e pelo foco dos bancos na adopção de medidas de conformidade legal.
“Os bancos comerciais, hoje, atribuíram respon-sabilidade a profissionais bancários competentes e disciplinados para evitar casos de fraude na gestão da moeda estrangeira”, acentuou o presidente da ABANC.
O presidente da Associação das Casas de Câmbio de Angola, Hamilton Macedo, concorda em que o Banco Nacional de Angola (BNA) desempenhou um papel positivo no exercício das suas responsabilidades de supervisor e de autoridade cambial, ao absorver a venda de divisas, enquanto tomava medidas para normalização do mercado.
Hamilton Macedo entende que o mercado primário voltou à normalidade e os bancos comerciais estão em condições de trabalhar sem impactos negativos na actividade económica do país.
Menos especulação
Para o jurista Esteves Hilário lembrou que, numa economia de mercado, os bancos devem regular a venda da moeda estrangeira equilibrando a procura e a oferta para evitar a especulação, cabendo ao banco central dar as instruções necessárias para garantir o normal funcionamento do mercado cambial.
No caso de Angola, lamentou, a moeda era transformada em “mercadoria cara” no mercado informal, pelo que a estabilidade verificada no mercado deve-se a que o BNA liderou a reforma cambial que reduziu a pressão sobre as divisas.
“Acredito que a disponibilidade de moeda externa ajudou a reduzir a procura da moeda estrangeira no mercado formal e informal”, disse.
Esteves Hilário considerou a intervenção com a que o BNA assumiu a venda directa como necessária. “Não podemos negar que existem vícios na venda da moeda estrangeira no mercado nacional, mas a situação está controlada”, disse.
Na sua óptica, enquanto se mantiverem os mesmos preços da moeda no mercado formal e informal, a especulação vai reduzir de forma significativa. “A minha previsão é de que o kwanza se deprecie cada vez mais até Dezembro, o que vai desmotivar os operadores” que vivem dos ganhos da diferença da dualidade da taxa de câmbio.

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