Economia

Venda de acções da ENSA pode não ser em bolsa

O Ministério das Finanças está a estudar as melhores opções para a venda de acções da maior empresa de seguros de Angola, a ENSA, que acontece ainda no decurso deste ano, segundo revelou o presidente do Conselho de Administração da empresa, Carlos Duarte.

09/04/2020  Última atualização 20H46
DR © Fotografia por: Segundo o PCA uma das opções que está em avaliação é a venda directa a um parceiro estratégico do sector segurador, preferivelmente estrangeiro.

Em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, o PCA da operadora nacional informou estar em curso uma avaliação mais profunda sobre a maneira em que se fará a venda, em virtude de um diagnóstico realizado, à luz do plano estratégico da empresa.  Esta análise, de acordo com o gestor público, abriu-se mais outras possibilidades, além da privatização em bolsa, como inicialmente estava previsto, como sendo um dos desafios do actual Conselho de Administração, optou-se igualmente para outra provável solução: a venda directa a um parceiro estratégico do sector segurador, preferivelmente estrangeiro, mas ainda, assim, não há nenhuma decisão concreta. 

As principais linhas de actuação da ENSA tiveram como foco a implementação do Plano Estratégico definido para o triénio 2018-2020, circunscritas no aprofundamento das relações comerciais e concepção de produtos adaptados às necessidades dos clientes, aumento da eficiência organizacional, no desenvolvimento da estratégia digital e no contínuo do capital humano.

“Na verdade, não há ainda nenhuma decisão definitiva sobre a forma de privatização, ou directa ou em bolsa, mas o nosso Ministério das Finanças quer acelerar o processo. A orientação que temos é que a privatização seja feita ainda no decurso deste ano”, disse Carlos Duarte.  O responsável confessou igualmente que a expansão do contágio por Covid-19 em Angola e, no estrangeiro, pode atrasar o processo, devido à terceira opção que, muito provavelmente, seria a promoção de um road-show pelo mundo para colher as manifestações de interesse por parte de investidores estrangeiros que queiram comprar e, depois disso, fazer-se uma selecção ou uma negociação para salvaguardar o melhor interesse do Estado.

Carlos Duarte reconheceu que os resultados financeiros da ENSA dos últimos anos ainda não são muitos animadores, facto que também pode influenciar para que se atrase a venda das acções.  A Assembleia Geral de balanço da empresa, que estava marcada para 31 de Marco, foi adiada “sine die”, por causa do surto de Covid-19. A reunião pode ser convocada, brevemente, mas será não presencial.

O presidente do Conselho de Administração da companhia de seguros afirmou que as contas referentes à 2019 carecem ainda de introdução de algum mecanismo de correcção e saneamento do balanço. E os resultados antevêem-se negativos de 2019, facto que pode comprometer o futuro da empresa.
Os prémios brutos emitidos atingiram, em 31 de Dezembro de 2018, o valor de 47,6 mil milhões de kwanzas, que comparativamente ao exercício anterior, a receita processada da empresa registou um crescimento de 8%.

Esta variação foi influenciada essencialmente pelos produtos Marítimo e Cargas, Responsabilidade Civil, Roubo e Seguro de Vida. “E isso é uma condição fundamental para se ir à bolsa, pois tem de haver alguma consistência nos resultados positivos financeiros para se fazer uma listagem em bolsa”, afirmou o gestor.

Revelou ainda que há um trabalho profundo do saneamento de balanço que devem respeitar as normas mundiais, como no caso do IFRS- International Financial Reporting Standards, além de outros normativos, como o IFRIC que faz a interpretação das normas internacionais de contabilidade. Tanto o IFRS como o IFRIC são normas de contabilidade aplicadas na avaliação dos relatórios financeiros de empresas que desejam colocar os seus activos na Bolsa de Valores principalmente ao nível internacional.

Para o PCA da ENSA, está entrar-se para uma fase de adaptação à qual o processo pode levar até quatro anos, mas o tempo urge devido aos compromissos internacionais, sobretudo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). À semelhança da Ensa, o Estado vai dispor, também, este ano, das suas acções ou participações nas cervejeiras Cuca, N'gola e Nocal, onde detém mais ou menos 1 por cento em cada uma delas. Das 195 empresas e activos a privatizar, 175 serão alienadas por concurso público (CP), 11 via leilão em bolsa (LB) e 9 pelo mecanismo da Oferta Pública Inicial (OPI).
No próximo ano, cerca de seis empresas serão privatizadas pelo procedimento do leilão em bolsa, três via OPI, e CP para mais de 80 empresas, perfazendo um total de 90 empresas e activos a privatizar.

Apesar da adversidade económica actual e dos baixos índices de densidade e de penetração dos produtos de seguros, o mercado segurador angolano continua a ser um sector económico com bastante potencial de crescimento. A ENSA obteve no exercício de 2018, um resultado lucro líquido no valor de 1,7 mil milhões de kwanzas, enquanto o saldo técnico positivo do Seguro Directo, no montante de 15, 8 mil milhões de kwanzas, que comparado com exercício anterior, teve um decréscimo de 22%.

Covid-19

Entretanto, a seguradora nacional disponibilizou mais de 100 milhões de kwanzas, como valor mínimo, para a compra de testes de diagnósticos e ventiladores e ainda três imóveis, sendo uma das suas instalações mais relevantes com configuração hoteleira, bem como duas casas de passagem de pessoal em estado de desocupação total.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia