Cultura

Vencedor do Top dos Mais Queridos é conhecido hoje

Analtino Santos

Jornalista

Este ano, ao contrário das edições anteriores, a direcção do Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola, decidiu mostrar uma outra Angola musical, realizando um concurso mais abrangente, com a participação de músicos de todo o país, que disputam hoje, a partir das 21h00, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda, para ver quem é o mais querido do público

08/10/2021  Última atualização 08H45
Concorrentes e a organização prometem um espectáculo sem igual para os milhares de fãs © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro
Todas as provincias têm representantes e grande parte deles são desconhecidos do grande público, mas os favoritos nas terras de origens, com excepção de alguns nomes, como Paulo Flores, Yuri da Cunha, Rei da Costa e Tiviné, cuja visibilidade já passa as fronteiras da província de origem.

Os ensaios decorreram na maior normalidade e muitos deles estão prontos para mostrar hoje, aos conhecidos e desconhecidos, o motivo de terem sido escolhidos para representarem as suas províncias.


Os candidatos

Muitos dos cantores escolhidos este ano acreditam que só a selecção, como finalistas do Top, já é um marco importante na carreira, mas prometem, logo mais, num espectáculo com transmissão em directo, justificar as escolhas e dar outro alento na carreira, conquistando mais espaço no mercado.

Entre os finalistas desta edição constam nomes como Rei da Costa, das referências da música tradicional cokwe, que representa a Lunda-Sul. O fundador do grupo Sasha Cokwe tem sucessos com o grupo e a solo e colocou no mercado, este ano, o CD "Khosso Lia Buaza”, assim como tem preparado outro para o final do ano.

O representante de Benguela, Tiviné, é outro nome conhecido desta edição. Tido como uma referência entre os benguelenses, o músico, com 34 anos de carreira, tem dois CD no mercado.
De Cabinda vem Henrique Sozinho, o professor universitário, doutorado em engenharia industrial, que tem na música o escape e há 20 anos é das referências na província mais ao Norte do país, cujo álbum "Buisi Buma Tchia” o tornou um fenómeno de vendas local.

Um dos batalhadores desta edição é Tuity’s da Cofex, o representante da Huíla, que começou a apostar na música em 1994, depois de ter sido desmobilizado. Actualmente a preparar um CD, foi o fundador da banda Stetica Huíla e continua a conquistar público de duas gerações.

O Huambo é representado pelo grupo Os Picantes, um quarteto jovem, que tem conseguido se impor perante "gigantes” como Bessa Teixeira e Justino Handanga. Com uma sonoridade bem diferente da habitual, apresentam um hibridismo entre o kuduro e o afrohouse.

Uma aposta ousada vem do Cunene, com o First Line Music, um grupo que aposta em vários estilos para encantar a audiência. Resultantes da união de oito amigos, em 2015, em Ondjiva, o grupo ainda procura manter o sonho de conquistar o mercado nacional.

Father Black representa a Lunda-Norte e promete levar o prémio para casa, como uma forma de dar maior reconhecimento aos ritmos do leste. O artista que já representou a província no Variante de 2018 agora investe na música de raiz, sem descartar outros ritmos.

O Cuando Cubango apostou todas as fichas Mon Mina Capitão, que com o kuduro tem sido um dos cantores mais queridos das "terras do progresso”. Apesar de lamentar a falta de espaços e de oportunidade para os músicos locais, o artista disse que não vai decepcionar os fãs.

A luta por um lugar melhor ao sol, trouxe também Zebra, o representante do Bié, cujo trajecto artístico tem um paralelismo com o reerguer da província pós-conflito armado. Mesmo com curta passagem por Luanda, em 2008, para formação militar, o músico disse ter experiência suficiente, fruto da participação, em 2010, no Variante.

O gospel marca presença nesta edição com a participação de Bruno Lakassi, do Namibe, cujos temas têm sido bem aceites, não só pela comunidade cristão, mas por muitos dos ouvintes locais, depois de 20 anos de carreira.

O representante de Malanje, Osvaldo Nicolau, decidiu apostar na kizomba e no gheto zouk para conquistar a audiência. Para o cantor, a chave do êxito tem sido a abordagem de temas ligados a vida social, com enfoque os relacionamentos amorosos e o quoditiano.

Quem faz furor actualmente no Cuanza-Sul e vem representar a província é Flash Mokoma, que depois de dez anos conseguiu ser um dos nomes sonantes da música moderna no Sumbe, com inúmeros convites para participar em trabalhos de artistas locais.

A dupla de Luanda, Paulo Flores e Yuri da Cunha, são dois nomes conhecidos do público nacional, cujo sucesso os tornaram referências. Apesar dos títulos, estes não querem decepcionar o público e prometem dar luta ferrenha.

Outros candidatos como Glória Tito (Móxico), a única representante feminina, Dalas da Silva (Uíge), Kiko Nogueira (Cuanza-Norte), Lock Brow (Bengo) e Wamy da Silva (Zaire) não foram ouvidos pela equipa de reportagem por estarem ausentes no dia da reportagem. Porém, os colegas garantem que o sentimento de vencer é o mesmo para todos.

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