Regiões

Vastas áreas de mangais destruídas para construção de residências

Victor Mayala | Soyo

Jornalista

O derrube indiscriminado dos mangais continua a ser uma prática que persiste no município do Soyo, província do Zaire, apesar dos apelos feitos por entidades estatais e da sociedade civil sobre a necessidade da conservação destes ecossistemas naturais.

07/06/2021  Última atualização 08H16
© Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro
Numa ronda efectuada sábado, dia mundialmente dedicado às questões ambientais, o Jornal de Angola constatou a devastação de vários perímetros dos mangais ao longo da zona costeira e dos braços do rio Zaire, para fins de construção de residências e de outros em-preendimentos, cujos protagonistas provavelmente desconhecem ou, simplesmente, ignoram as consequências ambientais que advêm desta prática.

 Muitos dos locais com mangais tornaram-se, também, o destino final de entulhos e esgotos e estão sujeitos à poluição de resíduos sólidos, líquidos  nocivos, entre outros químicos, pondo em perigo várias espécies existentes nestes lugares.
Nas pesquisas feitas, a nossa reportagem apurou que os mangais são considerados "ecossistemas de carbono azul”, bem como ervas marinhas e pântanos de sal, porque são 10 vezes mais eficientes em absorver e armazenar grandes quantidades de carbono a longo tempo, em comparação com ecossistemas terrestres. Esta particularidade, torna-os essenciais para o combate às mudanças climáticas.


O ambientalista Félix Miguel condenou a atitude dos munícipes que sistematicamente destroem os mangais, que, como disse, têm inúmeros benefícios para a vida humana e de outras espécies, com destaque para os ecológicos e económicos.
Entre os benefícios, avançou, está o facto de os mangais servirem de locais de reprodução para  milhares de espécies marinhas, funcionando como um berçário.

 O  interlocutor acrescentou que os mangais providenciam, também, protecção e alimentos para peixes e diversos invertebrados como crustáceos e moluscos.
"Os sistemas de raízes dos mangais ajudam a estabilizar o solo, prevenindo a erosão nas linhas costeiras. Os mangais funcionam como amortecedores costeiros naturais contra tempestades e calemas, bem como diminuem as probabilidades de inundações.

 Ajudam a manter a qualidade da água e a sua claridade, filtrando poluentes e prendendo sedimentos provenientes da costa”, disse.
Sublinhou que os mangais dão, ainda, suporte e protecção a muitas espécies em risco de extinção como tartarugas, manatins e algumas aves.
Alguns munícipes abordados pela nossa reportagem manifestaram-se preocupados em relação à destruição massiva destes ecossistemas naturais, que, infelizmente, ocorre à luz do dia sem que haja qualquer reacção de quem de direito.


"A cidade do Soyo é como que uma ilha, por estar rodeada do mar e do rio Zaire, daí que o abate dos mangais, que impedem a progressão das águas, propicia a ocorrência de fenómenos  como a erosão de terra e inundações”, referiu Alberto Justina, 32 anos de idade.
O jovem defendeu a necessidade de haver maior divulgação, a nível dos órgãos de Comunicação Social e não só, de informações sobre a importância da conservação dos diversos ecossistemas e da salvaguarda da biodiversidade.


A estudante universitária Joana António, 28 anos, lembrou que os sinais sobre as mudanças climáticas são cada vez mais evidentes, pelo que a sociedade deve encarar as questões ambientais com bastante seriedade.
"Precisamos de abordar as questões ligadas ao meio ambiente com um pouco mais de seriedade, porque há cada vez mais práticas que em nada contribuem para a sua conservação”, rematou.

A nossa reportagem contactou os responsáveis da Direcção Municipal para o Saneamento e Ambiente do Soyo, na tentativa de obter informações sobre as acções realizadas para pôr fim a esta e outras situações que resultam na degradação do meio ambiente na região, mas sem sucesso.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões