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Vários municípios do Cuanza-Norte com insuficiente distribuição de água

A distribuição de água potável nos dez municípios da província do Cuanza-Norte é ainda insuficiente, tanto para os que residem na sede das vilas, como para os que vivem em bairros periféricos, em comunas e aldeias mais afastadas.

15/04/2020  Última atualização 13H10
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Os municípios como Quiculungo e Banga têm o privilégio de ser abastecidos 24/24 horas, por sistemas de bombagem, com água provinda de montanhas. Nestas localidades, em determinado período do ano não é aconselhável fechar as torneiras, para não quebrarem devido à força com que a água jorra.
De acordo com o director do gabinete do administrador adjunto para a Área Técnica e Serviços Comunitários do município de Quiculungo, Malulendo Maluta Malulendo, devido à força que o sistema tem seria bom que o abastecimento chegasse também aos sectores de Quihezo, Camacala e Seca, onde as populações consomem ainda água retirada directamente do rio.
Malulendo Maluta Malulendo informou que ainda este ano, no âmbito do Programa de Combate à Fome e à Pobreza, vão ser construídos novos sistemas de abastecimento de água para beneficiar os sectores de Quihezo, Camacala e Seca.
Na Banga, 150 quilómetros a norte de Ndalatando, os 11.045 habitantes da comuna-sede e da Aldeia Nova benefi-ciam de água ininterrupta-
mente, por sistema de gravidade, segundo o administrador-adjunto para a Área Técnica e Serviços Comunitários.
Na localidade de Talambote Mpululu, em Caculo Cabaça, depois da avaria do gerador, está em construção um novo sistema de tratamento e distribuição de água, enquanto em Cariamba, apenas uma das duas fontes funciona, por gravidade.
Malulendo Maluta Malulendo disse igualmente que as populações das aldeias de Caculo Caui, Igreja, Camba, Tiova, Bumba, Cambamba, Quitebi e Calundo beneficiam de água potável, através de sistemas de gravidade.

Situação em Bolongongo
A cobertura de distribuição de água potável à população de Bolongongo ronda cerca de 70 por cento, segundo o administrador municipal-adjunto para a área Política, Económica e Social.
Kitas Ferreira acrescentou que os sistemas de distribuição de água que funcionam precisam de ser melhorados, para que possam ser mais eficazes. “Na vila-sede de Bolongongo e comunas de Terreiro e Quiquiemba beneficiam de água potável perto de nove mil habitantes”.
Kitas Ferreira revelou que as pessoas que vivem em zonas onde não existem sistemas de distribuição consomem água retirada directamente dos rios, uma preocupação que, referiu, aflige a administração, que fez constar no seu programa de acção vários projectos de construção de sistemas de captação, tratamento e distribuição de água.
Kitas Ferreira garantiu que está em estudo a elaboração de projectos para a construção da conduta de transporte de água, a partir da captação de Quiculungo, com vista a melhorar a capacidade de aprovisionamento na vila do Bolongongo, bem como a construção de sistemas de captação e distribuição nas aldeias de Panzo, com cerca de 111 habitantes, Catamba (117), Mulengo (452), Praia (403), Hoco (109), Bengui (Terreiro) com (196) e aldeia de Macacala (Quiquiemba) com 73 habitantes.
De acordo com o administrador municipal-adjunto de Bolongongo, existem também projectos de melhoramento dos sistemas de capta-
ção e distribuição de água nas aldeias de Quiboto, Calemba, Bairro Bolongongo, Cabila e Cahombo.
Em curso e em fase conclusiva, disse, está a construção do sistema de captação, tratamento e distribuição de Canzele (com perto de 100 famí-
lias). Depois de concluídos, estes projectos vão beneficiar mais de 4.200 pessoas a nível de todo o município e podem custar cerca de 275 milhões de kwanzas aos cofres do Estado.
Existem também projectos que visam melhorar o abastecimento de água potável nas localidades de Dange-ya-Menha, Caxissa, Quilómetro 34 e Zenza do Itombe (Cambambe), assim como no município de Ngonguembo e na comuna de Quiquiemba, esta última igualmente pertencente ao município de Bolongongo, acrescentou.
“Nas localidades de Dange-ya-Menha, Caxissa, Quilómetro 34 e Zenza do Itombe as estações de tratamento e distribuição de água funcionam a meio gás, devido à es-cassez de combustível para suportar os geradores, tal como afirmou o administrador mu-nicipal de Cambambe, Adão Malungo”, que informou que a população da vila do Don-do, sede municipal de Cambambe, vai beneficiar, ainda este ano, de água potável ao domicílio, com a entrada em funcionamento da nova estação de tratamento.
“Há mais de sete anos que os moradores da vila do Dondo deixaram de ver água a jorrar nas torneiras e ao longo deste tempo dependem do rio Kwanza”, disse Adão Malungo, que acrescentou que para mitigar a situação, “fez-se recentemente os primeiros ensaios da nova estação de tratamento, que vai permitir o fornecimento regular às populações da circunscrição”.
De acordo com o administrador municipal de Cambambe, o sistema tem capaci-
dade para produzir 100 metros cúbicos de água por hora, para 20 mil habitantes.
Adão Malungo informou que o projecto prevê igualmente a colocação de mil ligações domiciliares e 38 chafa-
rizes na vila do Dondo. “As obras começaram há cinco anos, no âmbito da substituição da an-tiga rede já obsoleta, com mais de 60 anos.”

  Fontes alternativas estão aquém da procura da população

Munícipes da vila do Lucala consomem água potável através de uma fonte de captação com capacidade para bombear mais de 100 metros cúbicos por dia.
A falta de um reservatório que suporte a procura inquieta a administração, porque o existente é ainda da era colonial e foi concebido para um número reduzido de cidadãos, disse o director do gabinete do administrador -adjunto para a área Técnica e Serviços Comunitários.
Isaías Capeco informou que a rede de distribuição do Lucala está totalmente obsoleta e não suporta a carga durante o dia todo, pelo que a distribuição faz-se apenas por áreas, com a reabilitação dos chafarizes existentes.
Em relação ao Golungo Alto, a administradora Teresa da Costa disse que o município tem dois novos sistemas de captação, tratamento e distribuição de água, que abastecem a vila municipal, bem como outros dois construídos nas sedes comunais de Cambondo e Kiluange, além de três pequenos sistemas erguidos nas localidades de Cabinda, Caluia, Gungo, Kimbulo e dois furos artesianos nos bairros Beta e Morro da Bomba e 29 chafarizes que servem cerca de 18 mil habitantes.
No Cazengo (Ndalatando), explicou, a distribuição continua a ser insuficiente, o que cria sérios constrangimentos aos habitantes de algumas ruas e bairros periféricos da cidade.
“O tempo de distribuição nas zonas onde a água jorra nas torneiras não é superior a duas horas diárias, devido à insuficiência na captação do rio Mucari, actualmente a única em actividade, das três existentes na sede.” O sistema da fonte da Santa Isabel, com cinco litros por segundo, encontra-se há algum tempo fora de serviço e o do Monte Redondo, com capacidade de jorrar 20 litros por segundo, tem a conduta adutora avariada e não permite que a água chegue até aos reservatórios do bairro da Kipata, arredores da cidade de Ndalatando, que já necessita de um volume de água maior, tendo em conta o crescimento populacional da localidade.

“Nota-se que a água do reservatório no bairro Posse, com cinco milhões de litros, é consumida em apenas duas horas, pelo que nesta altura a cidade de Ndalatando e arredores necessita de um volume de água que triplicasse as quantidades actualmente existentes”, disse Teresa da Costa. “A população está esperançosa que a água chegue a partir do rio Lucala, estando em curso o concurso público para adjudicação da obra.”
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Empresa de Águas do Cuanza-Norte, embora o sistema de Ndalatando seja todo por gravidade, com o aumento do volume de água já será possível fazer-se manobras de válvulas, criando alguns reservatórios para mandá-la por bombagem aos pontos mais altos.
Joaquim Jerónimo disse que neste momento verificam-se trabalhos de manutenção na conduta adutora, em vários pontos da cidade e arredores de Ndalatando, por parte de uma equipa composta por técnicos da direcção Nacional de Águas, de uma empresa chinesa e de técnicos da empresa local de águas, devido à obstrução e entupimento da tubagem, que, nos últimos tempos, tem dificultado a distribuição normal em várias zonas.
Joaquim Jerónimo acredita que, depois deste trabalho, muitas áreas que antes não recebiam água passarão a receber, com realce para o casco urbano, a par de outras áreas em pontos mais altos, no sentido de abranger um maior número de beneficiários.

 

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