Cultura

“Vamos fazer uma festa juntos”

Francisco Pedro

Jornalista

A cantora brasileira Alcione actua hoje, às 21horas, na Casa 70, em Luanda, abrindo o primeiro dos três concertos agendados na capital do país, que marcam os 50 anos da sua carreira.

01/12/2022  Última atualização 08H20
Ingressos dos três concertos da cantora brasileira Alcione, na Casa 70, estão todos esgotados © Fotografia por: DR


 Em conferência de imprensa, realizada terça-feira a noite, a rainha do samba referiu que as novidades assentam num repertório "que não tem novidade”, por isso "terei de garimpar” para brindar os fãs com as músicas mais conhecidas e com os sucessos que o público pedir.

"Trago o melhor do meu repertório para fazer esses três shows. Eu sei que vamos fazer uma festa juntos, na graça de Deus”, revelou, garantindo que vai combinar com o desejo do público, "o que os angolanos gostam de ouvir, vou cantar”.

Sem receio, apontou algumas músicas que, obrigatoriamente, vai interpretar: "Não Deixa o Samba Morrer”, "Cajueiro Verde do Meu Pai”, "Retalhos da Vida” e "Meu Ébano”.

Embora os preços dos ingressos oscilem entre 50 e 150 mil kwanzas, a Casa 70 informou que há lotação total. Rosa Matias, representante da Casa 70, considerou que o espaço cultural prima sempre pela qualidade, respeito e profissionalismo,  "e de igual modo a cantora Alcione e sua banda, por isso, é sempre um regozijo voltar a receber a rainha do samba.”

Essa relação, com a cantora, de acordo com Rosa Matias, prende-se pela simplicidade, e forma fácil de negociação. Adiantou que, mais do que relações profissionais, há uma grande amizade que se criou durante anos, "mesmo que  Alcione venha ao país contratada por um outro empresário, a cantora nunca se esquece da Casa 70, lembra-se de nós e quer estar connosco, daí termos uma relação profissional e saudável”.

Rosa Matias afirmou que os três shows ainda são insuficiente, "é de menos”, mas servem para ficar na saudade. "Prometemos o melhor da Casa 70 e da cantora, com os nossos amigos e parceiros, ajudamos a cantora para definir o repertório”.

No decorrer da conferência de imprensa, Alcione mostrou-se sorridente em sinal de estar em casa, tendo afirmado que, uma das lembranças de Angola  é conhecer as pessoas que a ajudaram a visitar Angola pela primeira vez. Infelizmente, "sinto a falta dessas pessoas”.

Realçou, por outro lado, que o carinho que tem por Angola é imenso, e que os  benefícios transcendem os bens materiais. Levar uma canção, um sentimento, o dia-a-dia de Angola, a vivência, "é o mais importante para mim”, por que sempre gostei de ver Angola, um país com o qual se identifica. "É como se estivesse em minha própria casa, no Maranhão, Brasil”.

Antes de subir ao palco, "geralmente, eu rezo,  faço preces a Deus e aos Orixás”, revelou falando de rituais que observa em todas os momentos que antecedem os espectáculos.

Não deixou de mencionar as cantoras brasileiras que admira e com as quais serviram como fonte de inspiração, nomeadamente Ângela Maria, Cármen Costa, entre outros artistas.

Durante os 50 anos, além de interpretar temas da sua autoria, existem sucessos que foram escritos por outros compositores.  "Loba” é uma das músicas que recebeu convite para interpretar.

Desconheço as vezes que já estive aqui, mas tudo começou em 1980. "Eu fico feliz porque as pessoas  gostam das minhas músicas, respeito isso. Gosta e conhece algumas músicas angolanas, como "Humbiumbi”, e outras que aprendeu com André Mingas, Rui Mingas e Melo Xavier, com os quais partilhou momentos vários em palco. Com nostalgia, considerou André Mingas "uma pessoa de muito carinho e respeito, uma pessoa linda”.

Sobre segredos de sucesso, e manter a jovialidade, a cantora revelou não ter segredos, "eu procuro ser eu mesmo no dia-a-dia”.

Questionada sobre sonhou um dia com a fama e apogeu da carreira artística, tinha certeza do desejo de ser cantora, embora o seu pai quisesse que fosse professora, actividade que exerceu durante poucos anos, provavelmente dois, depois abandonou.

A primeira vez que cantou em Angola foi no cinema Karl Marx, "um palco sagrado, para mim”. Considerou a Casa 70 "uma verdadeira casa”, em que a cantora fica mais perto do público, um momento mais intimista, "em que a gente sente o calor e carinho dos fãs, e admiradores. Na Casa 70, o carinho é mais forte”.

Embora a sua carreira seja mais conhecida do público com idade a partir de 40, a artista afirmou que as plataformas digitais garantem a proximidade com fãs mais jovens, com menos de 30 anos.

"As plataformas digitais ajudam a divulgar a obra dos artistas, e graças a elas a nova geração consegue ouvir as minhas músicas e saber quem é Alcione”.

Quando sobe ao palco, Alcione canta sem ter em conta as filiações partidárias dos espectadores. Considera um desrespeito relacionar a arte com a política.  Quando subo ao palco, não gosto de interferir na vontade política do público”.

Os festejos dos 50 anos de carreira já a levou para Uruguai, Chile, Argentina, e em alguns países europeus. Em África, Angola é o primeiro país a receber a cantora, que perspectiva passar por 36 países para festejar as bodas de ouro da sua carreira.

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