Opinião

Valorizar o que não tem preço

Com passos largos aproximamo-nos da celebração do Natal, festa universal basificada nos desígnios do Cristianismo Romano Apostólico, com o seu tradicional e incontestável valor, sobretudo para quem usa a fé como manifestação da ligação com um mundo divino, de amor, de paz, solidariedade, da vida, da família, do perdão, da verdade, etc, etc.

18/12/2019  Última atualização 08H51


Embora tradicionalmente ser um dia santificado pelos cristãos, o Natal é amplamente comemorado por muitos não cristãos.
Costumes populares modernos, típicos da data, incluem a troca de presentes e cartões, a ceia e músicas peculiares, refeição especial, exibição de decorações diferentes, incluindo as árvores de Natal, para lá da mitológica figura popular conhecida como “Pai Natal”, associada ao distribuidor de presentes para crianças.
Em véspera de celebração do Natal, o dia-a-dia das pessoas se transfigura por razões que têm as suas razões, de acordo com o que cada um pensa e atribui como valor, seja ele simbólico ou material, mas sempre com uma forte base de espiritualidade, emergindo desta particularidade, o apelo à solidariedade.
Quanto a nós, a solidariedade é, dentre os valores da quadra natalina, o que mais deve ser evidenciado, não só como algo de véspera, mas sim como práticas dos actos diários das pessoas e, por esta e outras razões, dedicamos esta reflexão em torno da necessidade de serem valorizadas as coisas que não têm preço.
Reconhecemos, porém, a ambiguidade (?) que a proposta encerra e promove, por justa causa, várias questões, sendo uma delas a razão de querer saber-se quais são as coisas que não têm preço, partindo do princípio de que, na vida, quase nada acontece do nada!
Estarão cobertos de razão os que procederem da forma expressa no parágrafo imediatamente precedente, o que antes de mais nos obriga a revisão de alguns conceitos teóricos sobre o preço e valorização, na perspectiva de ajudar a perceber a razão da nossa proposta.
A economia, a contabilidade, as finanças e negócios, enquanto ciências, definem preço como o valor monetário expresso numericamente associado a uma mercadoria, serviço ou património, assim como é o conceito central para a microeconomia, onde actua como uma das variáveis mais importantes na teoria de alocação de recursos (também chamada de teoria dos preços).
Em marketing, o preço é usado como uma das quatro variáveis no composto de mercado, daí o sentido da proposta de Jay Conrad Levinson, o autor do conceito de marketing de guerrilha, para quem, “14% dos consumidores decidem suas compras baseando-se exclusivamente no preço”.
Também é de definição científica, que valor é o preço, o custo, o montante, a estimativa em dinheiro de alguma coisa. É o equivalente justo em dinheiro do que pode ser comprado ou vendido. É o preço de mercado. É o papel representativo do dinheiro. A expressão “de valor” é usada como referência àquilo que tem preço elevado, ficando a ideia de que tudo tem (deve ter) um preço.
Em termos mais elásticos, valor pode ter diferentes acepções, sendo de interesse para esta reflexão, a sua distância com o conceito de preço, que em nada se encaixa nas qualidades de quem tem “talento”, “prestígio”, “competência”, “virtude”, “mérito ou merecimento intrínseco”, tidos como condimentos do valor.
Não nos interessam, portanto, as definições atribuídas ao valor nominal, valor venal, valor absoluto ou qualquer outro conceito económico reservado ao termo, por não estarem alinhados com a abordagem, em que a sugestão é a valorização das coisas que não têm preço em termos monetários, mas são de elevada expressão na relação entre as pessoas.
Pretendemos, com o presente texto, que as pessoas possam se dedicar mais em reconhecer, elogiar, enaltecer, vangloriar, abonar, considerar, prestigiar, condecorar, apreciar, admirar, prezar, estimar, gostar do próximo, na base do postulado bíblico que nos remete, em última instância, à actos de solidariedade.
Para aquadra natalícia que se avizinha sugerimos às pessoas que aumentem o valor ou importância de tudo o que fazem e possa redundar em agradecimento, enriquecimento, incremento, aperfeiçoamento, progressão e melhorias da vida do próximo, que muitas vezes precisa do mínimo que nos é desnecessário em período de Natal.

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