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Valorização do Okavango reúne especialistas em fórum

Carlos Paulino | Menongue

Jornalista

O desenvolvimento sustentável e o empoderamento das comunidades do Cuando Cubango é o tema principal de um fórum, realizado, desde esta segunda-feira, na cidade de Menongue, pela Agência Nacional para a Gestão da Região do Okavango (Anagero).

02/08/2022  Última atualização 08H51
Técnicos de várias Organizações Não Governamentais analisam as soluções para melhorar o turismo na reigão do Okavango © Fotografia por: Carlos Paulino | Edições Novembro | Menongue

O fórum, primeiro do género, conta com a participação de Organizações Não Governamentais (ONG’s) que operam na região do Okavango, oriundas das províncias do Bié, Cuando Cubango, Cunene, Huambo, Huíla e Moxico.

A actividade, que decorre até hoje, em Menongue, tem, ainda, como objectivo criar uma parceria estratégica entre as referidas organizações, de forma que as acções feitas por estas estejam alinhadas com a visão do Executivo, quanto à conservação da região do Okavango.

O presidente do Conselho de Administração da Anagero, Rui Lisboa, disse, no acto de abertura, que as organizações a trabalharem na região do Okavango têm um papel preponderante a nível da preservação da biodiversidade e na melhoria das condições de vida das comunidades.

"O trabalho que realizam em prol do bem-estar das comunidades nem sempre está alinhado com as metas do Executivo angolano. Por isso decidimos realizar, de forma coordenada, os trabalhos com eles, para evitarmos desvios, em especial no contexto do ecoturismo”, defendeu Rui Lisboa.

O Governo do Cuando Cubango, disse, vai conceder apoio institucional a todas as organizações que actuam directamente na região do Okavango. "Não é fácil trabalhar em zonas remotas e, devido à imensa dificuldade que enfrentam, deveriam ter o estatuto de instituições de utilidade pública, para assim beneficiarem, também, dos apoios dados pelo Executivo”, adiantou.

 

O espaço

A região do Okavango, que inclui as províncias do Bié, Cuando Cubango, Cunene, Huambo, Huíla e Moxico, descreveu, tem grande importância ecológica, "por ser uma das maiores fontes de água e o principal santuário da vida selvagem no continente africano”.

Devido a este potencial,  a meta do Executivo é de criar uma área de conservação e também um destino turístico de referência mundial para o pleno aproveitamento de todas as potencialidades naturais da região. "Para alcançar a meta é preciso trabalhar de forma integrada, sobretudo, com as ONG’s, os gabinetes ministeriais, Governos provinciais e administrações municipais”.

O êxito do projecto, acrescentou, passa essencialmente pela gestão dos recursos hídricos que são partilhados com a Namíbia e o Botswana. "O sector privado tem um papel decisivo na valorização das diversas potencialidades do Okavango, ao apostar em iniciativas sustentáveis”.

 

Vias de acesso

O governador do Cuando Cubango, José Martins, disse que o estado de degradação das vias de acesso da região continua a ser o principal empecilho na valorização do turismo no Okavango. "É preciso fazer um estudo profundo para a reabilitação das estradas secundárias e terciárias”, destacou.

José Martins pediu às ONG’s para começarem a publicitar as potencialidades da província, de forma a atrair mais investidores, para, a curto, médio e longo prazo, para que as paisagens do Okavango sejam apreciadas pelo turistas.

Os municípios de Mavinga, Rivungo e Dirico, assinalou, são por excelência os que albergam as grandes potencialidades turísticas da província, através dos parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana, "mas enfrentam problemas quanto ao acesso, pelo mau estado das vias”.

Actualmente, recordou, está em curso a elaboração dos pontos de referências para a exploração turística do Okavango. A parceria com a Anagero, contou, tem ajudado a trazer novos investidores à região, através do incentivo ao turismo. "É preciso continuar a sensibilizar as populações sobre a preservação do ambiente”, destacou, além de informar que a caça furtiva tem estado a dizimar algumas espécies e deve ser desencorajada.

 

O debate

Durante o encontro, os participantes vão falar sobre os projectos do Executivo para o desenvolvimento da região, os planos para as comunidades do Cuando Cubango, os procedimentos para a legalização de algumas ONG’s e a gestão dos recursos hídricos da bacia do Cubango-Okavango.

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