Especial

Valdemar Tchipepe: "Cumpri com sucesso o meu dever"

Xavier António

Jornalista

Depois de quatro meses em Angola, onde esteve a liderar a equipa de montagem de laboratórios de combate à Covid-19, pela empresa BGI Genomics, o jovem cientista angolano, Valdemar Tchipenhe, deixou o país com o espírito de dever cumprido.

12/12/2020  Última atualização 14H00
© Fotografia por: Edições Novembro
Em declarações ao Jornal de Angola, o jovem natural do Cuanza-Sul reiterou que foi uma honra ter liderado a equipa chinesa de montagem de laboratórios no seu país, cujo dever foi cumprido com sucesso. Considera uma grande experiência e aprendizado na carreira profissional que fica marcada para sempre.   

"Foi um trabalho impecável, em conjunto com o Ministério da Saúde, e sinto-me feliz em fazer parte deste projecto. Os laboratórios são uma parte essencial para o controlo da pandemia”, afirmou. No total foram erguidos cinco laboratórios, nas províncias de Luanda, Uíge, Huambo e Lunda-Norte.
Além dos laboratórios, referiu, foram também formados técnicos para darem continuidade ao projecto. Conta que uma das dificuldades no início dos trabalhos foi a língua, já que enquanto esteve a estudar na China a preocupação era aprender o inglês e mandarim e colocava de parte o português.

Valdemar Tchipenhe recorda ainda que no Togo e Gabão, países onde passou para montar laboratórios, dava a formação em inglês, mas cá tinha de traduzir os conteúdos e ao mesmo tempo era o tradutor dos colegas asiáticos.

De acordo com o especialista, a equipa que o acompanhava teve um imprevisto o que os obrigou a regressar à China em Outubro, após a conclusão do primeiro laboratório em Luanda. "Fiquei com a missão de assumir os trabalhos até à conclusão dos três últimos laboratórios”, lembrou. 
Gestão da pandemia

Para o cientista, a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19 tem feito um trabalho impecável para conter a transmissão do vírus, a julgar pelos investimentos aplicados. Sublinha que tem faltado alguma colaboração por parte da população no acatamento das medidas.

Para conter a pandemia, realçou, não pode ser apenas uma parte a fazer o trabalho. Por outro lado, há ainda uma parte da população que não acredita na existência da doença. "Essa realidade é notória não só em Angola, como em toda parte do mundo, mas estamos a lidar com um vírus muito perigoso”, alertou.

Valdemar Tchipenhe revela que o risco de estar infectado sempre foi maior, mesmo quando esteve a trabalhar no Centro de Diagnóstico na China. Adianta que a coragem e determinação sempre falaram mais alto. "Quando fiz o teste de Covid-19 para regressar à China tinha muito receio de ser um caso assintomático e ter de ficar alguns dias em tratamento até a doença desaparecer”, desabafou.  

O jovem afirmou ainda que conseguiu visitar parte da família que vive em Luanda, ao mesmo tempo que lamentou o facto de não ter reencontrado  a mãe e os irmãos que vivem no Cuanza-Sul, em função das restrições.   

Apesar disso, assegura que a mãe e a família estão orgulhosos do trabalho que tem desenvolvido nesta fase difícil de pandemia que o mundo enfrenta, sobretudo pelo facto de se envolver directamente na luta contra a doença no país que o viu nascer.          

O cientista avançou que, mesmo a partir da China, vai continuar a prestar apoio técnico aos laboratórios instalados no país. Na sua opinião, Angola tem ainda muitos desafios a enfrentar no domínio da Educação e Saúde, que têm registado algumas melhorias assinaláveis.

Mestrado no Japão

Quanto à formação académica, referiu que o próximo passo será ingressar, em 2021, numa universidade para fazer o mestrado na especialidade de Engenharia Genética. O Executivo atribuiu-lhe, em Outubro, por via do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleos e Gás, uma bolsa de mestrado. A bolsa de mestrado será na área de Engenharia Genética, no Japão, para dar sequência à formação académica e incentivar a sua caminhada profissional.

Valdemar Tchipenhe, de 23 anos, é licenciado em Biotecnologia, pela Universidade Normal de Zhejiang (China), no quadro de uma bolsa do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), co-financiada pelo Conselho de Bolsas de Estudo da China (CSC), em 2014.

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