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Valas de drenagem continuam a ser um problema na capital

Em Luanda continua o drama das valas de drenagem, entupidas de lixo. Falta limpeza. Quase no fim das chuvas, o quadro actual é praticamente o mesmo dos anos anteriores.

16/04/2020  Última atualização 08H00
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Há de facto muito lixo que impede o curso normal das águas que resulta em enchentes e inundações de casas, ruas e outras infra-estruturas. A falta de limpeza regular é visível. A vala que passa pela Ngola Kiluange, no Sambizanga, tem um ponto que corre logo à entrada da rua, tem tirado o sono dos moradores que vivem ao longo da mesma.

Por causa das inundações, em tempo de chuva, os moradores levantam muros na entrada das casas. A vala está suja e tem todo o tipo de resíduos sólidos, deitado pelos próprios moradores. Francisco Alfredo, que mora próximo da vala, pensa em elevar o muro de entrada da sua casa, disse que com a altura que tem, quase um metro de altura, a água já tende a entrar. Vive na rua Ngola Kiluange desde 2003, e não se lembra da última vez que foi feita limpeza naquele ponto. O morador acredita que a vala fica inundada por causa das obras que deram lugar a nova ponte, sem que a antiga fosse desactivada, o que impossibilita o curso normal da água, principalmente quando vem com lixo.

A vala que passa pela Cidadela Desportiva, Macambira e vai até, pelo menos, ao Cassequel, parece mais um matagal, muito capim cresce no interior da mesma. Mais algum tempo e transforma-se numa verdadeira mata fechada. No ponto do Cassequel, alguns moradores alegam que a última limpeza foi há quase dois anos. Existem muitos amontoados de lixo dentro, fora e ao longo da vala.

A vala de drenagem, junto da 10ª Esquadra do Cazenga, apesar do lixo, nunca deu transtorno aos moradores da redondeza. Tem lixo, mas segundo Domingas Famorosa nunca transbordou, porque a vala tem uma elevação muito acentuada. “A água chega a um certo nível, mas nunca passa daquele limite”, referiu. Das valas que constatamos, a da praia da Mabunda é a que está minimamente limpa. Mas ainda assim, nota-se que os moradores insistem em depositar lixo nela. Alguns moradores disseram a nossa reportagem que a limpeza tem sido de alguma forma constante e que este ano foram feitas duas. Dificilmente há inundações. Mas contaram que no ano passado, uma grande carga de água da chuva encheu a vala e transbordou pelas ruas e casas, por causa do lixo acumulado.

Limpeza de Valas a cargo da UTGSL/GPL

Em entrevista ao nosso Jornal, sobre a limpeza das valas de drenagem a nível do município de Luanda, Edson Cruz, da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, referiu que a limpeza a nível do município é regular e que não existe qualquer projecto ou plano de limpeza e manutenção das valas, porque se trata de uma actividade da responsabilidade da Unidade Técnica de Gestão do Saneamento de Luanda do Governo Provincial de Luanda (UTGSL/GPL).
“Não obstante, com os parcos meios de que dispomos, e quando possível, com a ajuda de alguns parceiros privados, temos realizado acções pontuais neste sentido, sempre que a situação o exige. A título de exemplo, estamos a programar uma intervenção para esta semana na vala 3 da Samba, com o apoio de uma empresa privada”, avançou.
Sobre a actual situação das valas de drenagem, Edson Cruz respondeu que não é diferente do que tem sido o habitual.”Estão, significativamente sujas”, apontou.

Garantias difíceis de cumprir

Em Janeiro deste ano, depois de constatar os estragos provocados por uma forte chuva que durou quase 12 horas, causando inundações a residências e outras infra-estruturas, por toda a província de Luanda, o governador Sérgio Luther Rescova, garantiu a intensificação da limpeza nas valas de drenagem e canais de águas pluviais, para reduzir os constrangimentos causados pelas chuvas. Na altura, Sérgio Luther Rescova reconheceu a necessidade de reforçar as acções de manutenção das valas de drenagem, particularmente para desobstruir as áreas onde surgiram construções anárquicas.
Segundo dados da Comissão Provincial de Protecção Civil, aquela chuva chegou a causar a morte de uma criança no Zango, 250 famílias ficaram desalojadas, 208 casas inundadas e os municípios mais afectados foram o Cazenga, Viana e Talatona

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