Economia

Universo Sonangol avaliado em 27 mil milhões de dólares

Miguel Gomes

Jornalista

O universo de empresas e participações sociais associadas à Sonangol representa, no mínimo, 21,8 mil milhões de dólares e, no máximo, 27 mil milhões de dólares, disse ontem, em Luanda, Baltazar Miguel, administrador da petrolífera nacional, que prepara a entrada em bolsa e a privatização até 30 por cento do capital.

06/03/2021  Última atualização 12H00
Conselho de Administração da petrolífera estatal contratou a consultora Ernst & Young © Fotografia por: DR
Com a privatização anunciada para 2022, caso se confirme a alienação de 30 por cento da empresa pública, o Estado pode arrecadar cerca de 8,1 mil milhões de dólares.
"Para o valor mínimo, 21,8 mil milhões de dólares, a privatização pode vir a render 6,4 mil milhões de dólares”, explicou Baltazar Miguel durante a tradicional conferência de imprensa anual da Sonangol.

O responsável pela área de Finanças da petrolífera disse também que já foi contratada a consultora Ernst & Young para auxiliar a Sonangol durante o processo de privatização. "Já demos início aos trabalhos e no passado dia 18 de Fevereiro realizámos a primeira reunião com os consultores, destacou Baltazar Miguel.
A avaliação coloca a Sonangol a alguma distância das maiores companhias petrolíferas do mundo, mesmo quando comparada apenas com as empresas petrolíferas soberanas ou detidas pelos Estados.

As dez maiores empresas do sector estão cotadas em bolsa em diferentes praças financeiras, sendo que a Saudi Aramco (da Arábia Saudita) é a empresa petrolífera mais valiosa do mundo, seguida da norte-americana da Chevron e da anglo holandesa Shell.

De olho na transição energética

Em termos de estratégia de futuro para o desenvolvimento da Sonangol, agora que perdeu a função e as generosas receitas provenientes da actividade concessionária, algumas tendências começam a ser incontornáveis. As grandes companhias internacionais do sector de petróleo e gás estão a transformar-se em empresas de energia, ou seja, começam a investir seriamente na transição energética e na produção de energias renováveis (com o aproveitamento do sol ou do vento, por exemplo).


"Se olharmos para o que tem acontecido com outras empresas, a tendência é evidente”, confirmou Sebastião Martins, presidente do Conselho de Administração da Sonangol. "Estamos atentos e o sector sabe das nossas intenções, por isso tem havido um esforço para incluir a Sonangol nos projectos de energia que estão a surgir. No entanto, também podemos dizer que vamos manter os investimentos no sector de petróleo e gás, até porque as receitas provenientes desta actividade vão permitir que possamos continuar a investir na transição energética”, defendeu o responsável máximo da empresa pública.


Neste momento, a Sonangol, em parceria com os italianos da ENI, está a investir numa central fotovoltaica (que recorre à luz solar para produzir energia), na província do Namibe, com a capacidade inicial de 50 Megawatt (Mw). Na Huíla, mais precisamente em Quilemba, próximo da cidade do Lubango, a Sonangol associou-se aos franceses da Total para a construção de outra central fotovoltaica com capacidade para gerar 35 Mw. Caso seja viável economicamente, a produção pode ser aumentada.


Os investimentos em energias renováveis podem ser incluídos nos negócios nucleares da Sonangol (pesquisa, produção, armazenamento e distribuição de petróleo, combustíveis e gás natural). Fora do sector tradicional, a companhia mantém investimentos nas telecomunicações, banca, hotelaria, imobiliário, transportes, entre outras participações.

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