Entrevista

Universidade Internacional do Cuanza tem o ensino das engenharias como meta

Victória Quintas / Huambo

Jornalista

Com dez cursos de licenciatura, a Universidade Internacional do Cuanza, no Bié, tem feito uma forte aposta na licenciatura em Engenharia. Para o reitor da instituição, João Manuel da Costa Canoquena, apesar de novos no mercado, as expectativas são altas e vão ajudar a suprir certas carências no sector do ensino nacional. Em entrevista ao Jornal de Angola, no Huambo, falou dos projectos e metas para os próximos anos.

24/08/2022  Última atualização 11H20
© Fotografia por: DR

Como nasceu o projecto para o surgimento de uma universidade?

Em 2019, algumas entidades espanholas decidiram investir em Angola no sector da Educação e procuravam um local para construir uma instituição de renome. Contactos foram feitos antes no Cunene, mas não houve êxitos. Na altura, o governador do Bié, Pereira Alfredo, aceitou o desafio por ter estudado em Espanha e conhecia o potencial daquele país neste domínio. Assim ele viu no projecto um meio viável, para colmatar uma lacuna no sector educacional superior na província. Depois do acordo, foi descoberto um espaço, que primeiro foi desminado, de 17 hectares.

 

E hoje, um ano depois, que avaliação faz?

Positiva. Estamos a funcionar com 10 cursos de licenciatura, com maior oposta nas engenharias industrial, eléctrica, química, informática, curso de direito, administração e gestão, jornalismo, psicologia e enfermagem.

E a procura de estudantes?

Temos uma população estudantil acima da exigência das demais instituições em fase inicial no país. Com base na procura actual, acreditamos que no próximo ano lectivo teremos um maior número de estudantes. Em Maio, por exemplo, estivemos abertos aos alunos do segundo ciclo do ensino secundário, para estes conhecerem melhor o campus universitário e as suas infra-estruturas, condições técnico-pedagógicos e serviços a disposição. Tivemos em média 400 alunos, por isso acreditamos no sucesso neste novo ano lectivo.

 

Quantos estudantes foram matriculados no ano lectivo passado?

Temos neste momento 1.843 estudantes, provenientes de todas as províncias do país. A maioria deles reside no Bié, que tem 60 por cento de estudantes, seguido por Luanda, Benguela e Huambo como as províncias com maior número de estudantes. As demais províncias estão representadas.

 

E o número de professores responde a demanda?

Neste momento sim. Temos 32 professores, número que responde às exigências académicas actuais da instituição. O corpo docente é constituído, maioritariamente, por mestres e doutores. Esta qualificação académica é requisito da instituição em termos de recrutamento de docentes. Aceitamos o mestrado como formação mínima, mas o recomendável é que sejam doutorados. Como somos novos, estamos apenas há um ano no mercado, acreditamos que este quadro ainda tende a melhorar.

 

Quando?

Almejamos que tal venha a acontecer nos próximos quatro anos. Neste momento, estamos abertos para todos os docentes, com a formação adequada, desde que cumpram os requisitos solicitados e tenha experiência na docência. Além disso, temos um teste especial feito a todos os professores candidatos que é dar uma aula modelo.

 

Há perspectivas para a abertura de cursos de mestrado?

Como somos novos no mercado, queremos primeiro concluir com o primeiro ciclo de formação, pois alguns cursos de licenciatura têm duração de cinco anos e é preciso, no final de cada ciclo, fazer uma avaliação do nível de aprendizagem dos estudantes. Caso, daqui a mais alguns anos, consigamos ter a aprovação do Ministério do Ensino Superior, Tecnologia e Inovação e êxitos entre os formandos então poderemos começar a pensar em cursos de mestrado.

 

Em termos de condições de ensino, o que oferecem aos estudantes?

A universidade tem salas com a capacidade de acolher entre 60 a 120 estudantes. A maioria delas possui condições condignas, incluindo

projectores de vídeo. Além disso, a biblioteca da instituição tem um acervo de 5.330 livros. Temos ainda 11 salas de consultas e laboratórios equipados.

 

A universidade tem parcerias firmadas?

No momento estamos a criar parcerias com várias empresas, para que os estudantes da instituição consigam ter aulas práticas e estágios curriculares fora. Por exemplo, os formandos de engenharia civil da instituição podem aprimorar os conhecimentos numa empresa de construção civil. Actualmente estamos em contacto com o Tribunal da Comarca do Cuito, para que os estudantes de direito tenham acesso à sala de audiências e, assim, consigam fazer as simulações.

 

Quais os projectos futuros da instituição em termos de infra-estruturas?

A Existem planos já avançados, para trabalharmos em 11 hectares, no espaço adjacente à instituição, onde queremos construir diversos laboratórios e também novas salas de aulas. Além disso, temos em carteira a construção de mais 8 edifícios, para salas de aulas, de forma a reforçar os seis já existentes. Outro projecto em curso é o de construção de quatro quadras multiusos e um refeitório para 400 estudantes, assim como um local de alojamento dos estudantes e professores.

 

Há já uma data limite para a implementação destes projectos?

Ainda não. Primeiro estamos a finalizar a planificação, ver as dimensões dos projectos e como vai funcionar, pois temos, ainda, a pretensão de criar duas alas separadas, uma masculina e outra feminina, um processo que vai ter um formato definitivo nos próximos meses.

PERFIL
João Manuel da Costa Canoquena

 PhD em Filosofia, doutorado em Gestão Estratégica, Segurança Rodoviária e Notabilidade Financeira, Mestre em Educação, na área de Língua Inglesa, e em Administração de Empresas.

Foi vice-reitor da Universidade Metodista de Angola e actualmente é o reitor da Universidade Internacional  do Cuanza.

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