Política

UNITA espera nova postura do MPLA

Edna Dala

Jornalista

A UNITA espera que a iniciativa do Presidente da República, ao devolver para reapreciação da Assembleia Nacional algumas matérias constantes da Lei de Alteração à Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais sirva para mudar a postura do Grupo Parlamentar do MPLA.

12/09/2021  Última atualização 05H05
© Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro
O posicionamento foi manifestado pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, no final da marcha realizada ontem, em Luanda, sob o lema "Eleições livres, justas e transparentes”.

"Agora o desafio coloca-se em ver cumprir a expectativa de toda a Nação de ver mudadas e expurgadas da Lei as questões não universais que foram lá colocadas pela bancada parlamentar do MPLA”, disse.

Durante a marcha, que contou com a participação de milhares de militantes e simpatizantes, Adalberto Costa Júnior reconheceu que o desafio para conformar a lei às regras universais de transparência eleitoral "não é pequeno”. "Se não acontecer, ficará patente um jogo político que não acredito que quem tomou esta iniciativa assuma tamanho risco”.
Neste sentido, acrescentou, fica uma pressão acrescida de quem, numa posição dupla, tem a chefia do Estado e também a do partido que determina a liderança do grupo parlamentar.

Sobre um possível encontro com o Presidente da República, João Lourenço, Adalberto Costa Júnior disse que não tem problemas nenhuns, tendo endereçado já duas cartas a solicitar uma audiência. "Agora a bola está no campo do Presidente da República”, disse.

Confrontado se não teme pela fragilização do maior partido da oposição, com a criação da Frente Ampla Patriótica, o líder da UNITA disse que "hoje ninguém, sozinho, tem a capacidade e condições de responder aos desafios do país”.
Presente no acto, o vice-presidente do Bloco Democrático, Justino Pinto de Andrade, disse que o povo quer eleições livres, justas e transparentes e para que isso aconteça tem que existir legislação que permita que tudo corra da melhor maneira.

No acto político realizado no final da marcha, foram lidas mensagens do Bloco Democrático, projecto político PRA-JA-Servir Angola, PRS, Movimento dos Estudantes Angolanos e de outros activistas cívicos a favor de eleições livres e justas.


  Adalberto condena intolerância contra jornalistas

O presidente da UNITA condenou os actos de intolerância de alguns militantes e simpatizantes do partido que proferiram ofensas verbais e ameaças contra os jornalistas, sobretudo dos órgãos públicos.

Aos jornalistas foram arremessadas garrafas, proferidas ofensas e ameaças, havendo, durante a marcha, várias tentativas de apedrejamento das viaturas da comunicação social, o que foi impedido pela rápida intervenção da Polícia Nacional e de alguns militantes da UNITA.

Em declarações à imprensa, depois da marcha, no Largo das Escolas, Adalberto Costa Júnior considerou inaceitável essa atitude, praticada por militantes que se encontravam nas primeiras filas da marcha, nas imediações do cemitério de Santa Ana.

"É um comportamento anti-cívico e sem justificação. Por mais que alguma imprensa não pratique a pluralidade não podemos, em circunstância nenhuma, apoiar qualquer acto que seja de intolerância ou de violência”.

A manifestação, continuou, é um acto de cidadania pacífica e cívica por direitos universais. "Precisamos, inclusive, da imprensa para fazer potenciar a nossa voz, por isso condenamos esses excessos”, disse.

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