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Unionistas mantêm bloqueio a Governo na Irlanda do Norte

O Partido Democrata Unionista (DUP), a segunda força da Irlanda do Norte, vai esperar para ver o que o Governo britânico vai fazer sobre as regras pós-Brexit antes de decidir se vai integrar o Executivo regional.

13/05/2022  Última atualização 07H10
© Fotografia por: DR

"Não o faremos até saber o que o Governo vai fazer, quando será feito e que impacto terá”, disse o deputado do DUP Sammy Wilson à rádio BBC Ulster.

Um dos pilares dos acordos de paz de 1998, que pôs fim a um conflito violento e sangrento que durou décadas, é que o poder na Irlanda do Norte tem de ser partilhado entre os principais partidos - unionista, leais à coroa britânica, e republicano.

O partido republicano Sinn Féin ganhou pela primeira vez as eleições regionais da semana passada, tendo direito a nomear o próximo Primeiro-Ministro, enquanto o DUP fica com a posição de vice Primeiro-Ministro.

Além de bloquear a formação de um Governo autónomo da Irlanda do Norte, o DUP também deixou em aberto se vai ou não votar na eleição de um novo presidente na Assembleia, o que também pode inviabilizar o funcionamento daquela instituição. 

Sem um presidente da Assembleia e um Governo, o Parlamento de Stormont pode continuar a funcionar interinamente com os ministros do Executivo anterior para responder às necessidades da região por um período máximo de seis meses. Após esse período, o Governo britânico pode convocar novas eleições ou propor outras soluções para resolver a crise constitucional, incluindo administrar directamente a região.

O DUP quer ver revogado o Protocolo da Irlanda do Norte, parte do Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia ('Brexit'), o qual considera prejudicar as relações económicas e comerciais com o resto do Reino Unido.

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, disse, ontem, que o Protocolo ameaça a paz e estabilidade na região porque "tornou-se o maior obstáculo para a formação de um Executivo”.

Se Bruxelas não ceder, Londres "não tem escolha senão actuar”, reiterou, uma referência à possibilidade de revogar o acordo.

A Comissão Europeia criticou o Reino Unido por "enveredar pelo caminho da acção unilateral” , exortando o Executivo britânico a um "trabalho construtivo” com Bruxelas. 

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