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União Europeia condiciona ajuda financeira ao Mali

A União Europeia (UE) anunciou, quinta-feira, uma ajuda de 24 milhões de euros ao Mali para reforçar as capacidades militares do país, mas avisou que poderá ser “suspensa” caso a Junta no poder não respeitar as condições de utilização dos referidos fundos, noticiou a Lusa.

04/12/2021  Última atualização 08H10
Bloco europeu ameaça suspender os programas de treino das Forças Armadas do Mali © Fotografia por: DR
A posição foi manifestada numa altura em que a Junta governamental do Mali pretende utilizar os serviços do grupo russo Wagner, uma empresa privada de segurança, suspeita de ser próxima de dirigentes do Kremlin.

A França avisou Moscovo que o destacamento de mercenários russos na faixa do Sahel-Sahara era "inaceitável”. A UE anunciou, em meados de Novembro, que estava a preparar sanções contra o grupo mercenário.

O apoio de 24 milhões de euros destina-se a ajudar a "reforçar as capacidades das Forças Armadas do Mali para lhes permitir realizar operações militares destinadas a restaurar a integridade territorial do país e reduzir a ameaça representada pelos grupos terroristas”, declarou o Conselho da UE.

"A UE prosseguirá a profissionalização das Forças Armadas do Mali em três áreas principais: apoio à Academia de Oficiais, em Banankoro, a renovação das infra-estruturas de formação em Sévaré Mopti e o fornecimento de equipamento às unidades apoiadas pelas Forças Armadas do Mali”, segundo a declaração, citada pela AFP.

"A medida de ajuda poderá ser suspensa se as condições para a sua correcta implementação não forem preenchidas”, disse o órgão dos Estados-Membros da UE.

Esta ajuda foi solicitada pelas autoridades do Mali e aprovada no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (EPF).

"A União Europeia associa-se à Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO) na denúncia veemente de qualquer iniciativa das autoridades de transição malianas de utilizar a empresa paramilitar Wagner no Mali, o que teria consequências para a relação entre a União Europeia e o Governo de transição maliano”, alertou o bloco europeu citado pela AFP.

O aviso surge numa declaração do Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, na qual o gabinete de Joseph Borrell elogiou o papel de liderança da CEDEAO durante uma recente conferência para analisar a situação política na Guiné Conacri e no Mali.

A conferência de Chefes de Estado e de Governo decorreu a 16 de Setembro, em Accra, capital do Ghana. "Neste contexto, a União Europeia congratulou-se com a decisão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental de dar início ao processo de revisão do Protocolo Adicional sobre Democracia e Boa Governação de 2001, a fim de reforçar a democracia, a paz e a estabilidade na região”, refere o comunicado.

A UE expressou "a sua profunda preocupação face à actual situação política na Guiné e no Mali, reafirmando a sua veemente condenação dos golpes de Estado” e exortou "a todos os intervenientes nos dois países a agirem no respeito pelo Estado de direito, no interesse da paz e bem-estar das suas populações”.

A UE reafirmou ainda "a necessidade de os actores políticos em causa garantirem transições inclusivas e pacíficas, nomeadamente através das reformas esperadas pelas populações”.

O respeito por roteiros claros que conduzam a eleições livres, transparentes e justas o mais rápido possível é, por outro lado, essencial, segundo o bloco europeu. "A UE está disposta a considerar medidas direccionadas contra líderes, políticos e militares, que obstruam os processos de transição”, indicou. 

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