Opinião

União dos taxistas

Na semana passada, a Comissão Interministerial de Combate e Prevenção da Covid-19 manteve um encontro com representantes de associações de taxistas.

13/01/2022  Última atualização 07H30
No final da reunião, as autoridades acederam ao pedido dos taxistas para o
aumento de 50 para 100 por cento, da lotação nos táxis, à semelhança do
que acontece nos transportes públicos de passageiros.

    Portanto, era suposto que, depois desta cedência, mesmo com os riscos daí
decorrentes, devido à pandemia da Covid-19, os taxistas recuassem na
pretensão de realização da greve, cujo início estava marcado para a
Segunda-feira passada, entretanto,  já suspensa, depois de um dia de caos.

Para muitos, constituiu surpresa a paralisação dos táxis na segunda-feira
passada. As associações Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA), dos
Taxistas de Angola (ATA) e de Luanda (ATL) alegaram que os profissionais
que dialogaram com a Comissão Interministerial não os representam.

     Disseram, igualmente, que a greve ainda tinha justificação porque a maior
parte das exigências não foram respondidas. Entre as reclamações, apontam o
facto de os "azuis e brancos” não puderem circular em algumas zonas, como a
Centralidade do Sequele, ou a não inscrição dos taxistas no Instituto
Nacional de Segurança Social (INSS).

    Relativamente à última exigência, o comandante provincial de Luanda da
Polícia Nacional sublinhou, na noite de terça-feira, no programa "Debate
Livre”, da TV Zimbo, que a iniciativa para a materialização deste
desiderato deve partir dos próprios patrões dos taxistas, com inscrição dos
seus empregadores no INSS.

    O comissário-chefe Eduardo Cerqueira aproveitou a ocasião para manifestar a
sua insatisfação pelo facto de os responsáveis da ANATA, ATA e ATL terem
optado pela greve, em detrimento do diálogo, quando estes até mantêm boas
relações com as chefias policiais.

    O representante dos taxistas no debate da Zimbo retorquiu que o problema
não está com os comandantes da Polícia, mas com os agentes regulares do
trânsito que, sublinhou, têm sido bastante arrogantes no tratamento com os
condutores dos "azuis e brancos”. Segundo ainda ele, os agentes passam
multas mesmo quando não há infracção, tudo isso para extorquir dinheiro aos
taxistas.

    Não adiantam, agora, as trocas de acusações. O mais importante é que as
partes estão interessadas no diálogo, pois, diz o ditado, "é conversando
que as pessoas se entendem”.

    Entretanto, esperamos que, no encontro previsto para os próximos dias,
entre a governadora provincial de Luanda e os representantes das
associações de taxistas, estejam os verdadeiros interlocutores para que,
depois, não haja mais desculpas de que o diálogo foi com pessoas que não
representam a ANATA, ATA ou ATL.

    Aliás, em nosso entender, esta dispersão de associações de taxistas também
contribui para a falta de entrosamento nas ideias. Talvez seja a hora de os
taxistas organizarem-se melhor e pensarem na fusão das diferentes
associações. Quiçá teremos mais união entre os taxistas!

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