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União Africana suspende Mali das actividades da organização

A União Africana (UA) suspendeu, terça-feira à noite, com efeitos imediatos, o Mali por ter sido cenário em Maio de um segundo golpe militar, em nove meses.

03/06/2021  Última atualização 05H05
Militares foram orientados a entregar o poder aos políticos e regressarem aos quartéis © Fotografia por: DR
Segundo um comunicado do Conselho de Paz e Segurança (CPS) UA, citada pela a Agência France Press, (AFP) o Mali "está imediatamente proibido de  participar em todas as actividades da União Africana, órgãos e instituições, até que a ordem constitucional seja restabelecida no país”.

A UA apelou aos militares malianos para que "regressem urgente e incondicionalmente aos quartéis e se abstenham de qualquer interferência futura no processo político no Mali”. A organização pediu ainda o estabelecimento de condições para o regresso a uma "transição democrática sem entraves, transparente e rápida”.

"Caso contrário, o Conselho não hesitará em impor sanções específicas e outras medidas punitivas” contra os que impedem a transição, acrescentou o texto.A decisão da UA segue-se por alguns dias à da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que também anunciou a suspensão do Mali das suas instituições. O país do Sahel experimentou dois golpes de Estado em nove meses.

Em 18 de Agosto de 2020, o Presidente Ibrahim Boubacar Keita, conhecido como "IBK”, acusado de corrupção, foi derrubado por um golpe militar, depois de vários meses de protestos anti-governamentais.
A UA suspendeu então o Mali. Mas a organização continental levantou esta decisão no início de Outubro, depois de a junta se ter comprometido a uma transição para um Governo civil no prazo de 18 meses.

Em 15 de Abril de 2021, as autoridades de transição fixaram datas, em Fevereiro e Março de 2022, para a realização das eleições presidenciais e legislativas. Mas em Maio, os militares, insatisfeitos com uma recomposição do Governo decidida na sequência de protestos crescentes, detiveram o Presidente, Bah Ndaw, e o Primeiro-Ministro, Moctar Ouane.

O Tribunal Constitucional declarou então o coronel Assimi Goïta, uma figura chave na actual crise política, chefe de Estado e Presidente de transição. Os militares garantiram que as eleições previstas vão decorrer no ano de 2022.
 No comunicado, a UA pede que nenhum dos actuais líderes se candidate às próximas eleições e pede o levantamento das "restrições” a todos os actores políticos, incluindo a Ndaw e a Ouane, actualmente sob prisão domiciliária.
A organização indicou também a realização de uma missão de avaliação no Mali, em breve.
Desde a independência de França, em 1960, o Mali foi palco de vários golpes de Estado, resultantes de motins por militares em 1968, 1991, 2012 e 2021.

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