Cultura

UNAC comemora quatro décadas de conquistas

Manuel Albano

Jornalista

O presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA), Zeca Moreno, disse, em Luanda, que a instituição tem procurado cumprir com os principais desafios, assentes na valorização da classe artística nacional, com base no programa de acção do quadriénio 2019-2023.

15/09/2021  Última atualização 09H20
Zeca Moreno exortou os associados a continuarem a honrar os compromisso com a instituição © Fotografia por: Edições Novembro
Durante a realização de uma edição especial do programa "Quintal do Ritmo” da RNA, realizado sábado último, no Campo de Ténis de Mesa, na Cidadela Desportiva,  em Luanda, o presidente da instituição afirmou que um dos grandes ganhos foi ter conseguido a licença de cobrança dos direitos de autores e conexos.

Felizmente, explicou, esse objectivo foi alcançado na vigência do mandato do ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato. Neste momento, realçou, a instituição está no processo de celebração de contratos com os utilizadores e organização, na implementação efectiva do sistema da cobrança. "Temos  convénio com organizações internacionais e existem protocolos universais que precisam ser cumpridos” alertou.

Outro ganho, apontou, está relacionado com a expansão nacional dos delegados eleitos por via democrática, com apoios dos governos provinciais.  Uma das grandes dificuldades tem haver com os pagamentos das quotas dos associados. Os associados devem continuar a honrar os compromisso com a instituição.”

Os artistas, disse, durante anos não tiveram a cultura do pagamento das quotas, mesmo estando plasmado nos estatutos. Porém, um dos argumentos de justificação para o não pagamento das quotas era a falta de condições financeiras. "Doravante, vamos mesmo fazer cumprir os regulamentos dos estatutos. Os artistas que não cumprirem com as suas obrigações serão mesmo sancionados”.

Há dois anos, lembrou, a UNAC-SA beneficiava de subsídios do Estado. Com os cortes, a vida financeira da instituição agravou-se. A procura de novas formas de subsistência tem obrigado a um maior rigor com os parcos recursos postos à disposição. "Estamos a reinventar-nos, de maneira a conseguir criar melhores condições em prol da classe artística”.

Reconheceu que a instituição tem procurado dar continuidade aos projectos. Porém, advertiu, tem sido feito um exercício muito grande para materializar os programas da instituição.
Zeca Moreno disse que hoje a UNAC-SA está a conquistar a confiança de todos os membros que, gradualmente, estão a sentir mudanças positivas. "Apelo a todos a contribuírem com ideias e projectos que possam melhorar o funcionamento da instituição.”

O processo da carteira profissional, adiantou, está  entre as prioridades. "Precisamos contribuir para a regulamentação do mercado artístico, enquanto os mecanismos reguladores não estiverem devidamente protegidos pelo Estado, será difícil organizar o mercado artístico”, acautelou.


 Reforma dos artistas preocupa associados


O músico e instrumentista Jorge Mulumba, mentor do projecto "Tukina ó Dikanza” disse estar preocupado com a reforma dos artistas, e a falta de políticas culturais de incentivo às artes. "Ando preocupado com a mendicidade da classe artística nacional. Precisamos alterar as condições de vida dos criadores. é importante que haja mais vontade dos órgão que tutela as políticas culturais no país.

Por sua vez, o compositor Soky dya Zenza, que também é membro da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-AS), um dos defensores da preservação e promoção dos instrumentos musicais tradicionais, classificou a UNAC-SA como uma instituição congregadora que tem procurado cumprir com os anseios da classe.

Nesta nova era, disse, embora com as enormes dificuldades, existe por parte da nova direcção, a vontade de superar os obstáculos, tornando a instituição numa classe combativa e persistente.
Para Cândido Ananás, o mais importante é ter pessoas comprometidas com a classe artística para o desenvolvimento e cumprimento dos programas em acção, em prol dos criadores. "Sentimos que a instituição tem dado passos positivos, em torno da defesa dos direitos de autores dos criadores.”

Segundo Gegé Faria, integrante do agrupamento musical Os Kiezos, a instituição tem procurado resgatar os feitos do passado. Ao longo dos 40 anos, considerou que a instituição de utilidade pública tem passado baixos e altos momentos. "A regularização da distribuição dos valores relativos aos direitos de autores, tem sido, uma das preocupações da nova direcção”.

Para a cantora Fatozinha, o momento deve servir de reflexão profunda, principalmente por ser uma das instituições mais antigas e que muito contribui para o desenvolvimento da música popular angolana.

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