Opinião

Uma semana depois

Uma semana depois da abertura oficial da campanha eleitoral para as Eleições Gerais de 24 de Agosto de 2022, à sociedade foi dada a assistir o movimento e desdobramento de acções de mobilização e de caça ao voto, grande parte delas capitaneadas pelas figuras de proa nas listas que concorrem.

03/08/2022  Última atualização 07H35

Atendendo à especificidade e aos desafios que o contexto da campanha eleitoral envolvem,  não seria realístico esperar por perfeição das intervenções, dos procedimentos adoptados nos actos de massas e muito menos dos discursos. Precisamos de compreender, primeiro, que não existem processos democráticos acabados em nenhuma parte do mundo e, em segundo lugar, que nos encontramos numa fase permanente de aperfeiçoamento.

Estamos a caminhar e, independentemente de algumas falhas resultantes do actual contexto de luta pela conquista do voto, vamos também ser capazes de melhorar e ser exemplares. Na verdade, comparativamente a outras realidades em que os actos eleitorais se transformam em batalhas campais, com saldo de mortes, ferimentos e destruições, em Angola temos sabido, modéstia à parte, viver os actos eleitorais com tranquilidade, paz e segurança. E os candidatos sabem que enquanto fazedores da política e pretendentes a Governo têm responsabilidades acrescidas nesta fase particular e na etapa subsequente, no poder ou na oposição.

O importante, para as candidaturas e para a sociedade, é que nesta segunda semana se consiga fazer melhor no aproveitamento dos espaços de antena na televisão e rádio, bem como aos pronunciamentos nos actos de massas, dizem respeito. E o melhor aproveitamento, como de resto parece ser a expectativa generalizada, passaria obviamente pela apresentação das ideias, das linhas gerais dos programas e do que idealizam para Angola em detrimento dos ataques, insultos, directos e indirectos, além de referências inadequadas aos adversários.

Queremos acreditar que as candidaturas terão aprendido alguma coisa com as suas respectivas experiências e com o que os adversários terão apresentado para que, em termos comportamentais, sejam limadas as arestas e evitadas situações que podem configurar desrespeito, intolerância e dificuldade de conviver na diferença.

Os tempos de antena nos órgãos de comunicação, as oportunidades de pronunciamentos nos actos de massas, bem como a  interacção directa com o eleitorado na via pública ou de casa em casa, nos mercados, largos e ruas, são tão preciosos, verdadeiros recursos esgotáveis, que nunca deveriam ser usados para atacar pessoas ou instituições adversárias.

Obviamente, que não se vai condenar situações menos boas, com as quais devemos sempre optar por retirar as melhores lições, mais do que apontar o dedo a este ou àquele ente, concorrente nas próximas eleições.

Por outro lado, vale saudar as iniciativas que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) relacionadas com a criação de espaços para que as pessoas saibam onde votar, bem como agentes que circulam pelos bairros com dispositivos para levar as pessoas a conhecerem em tempo real o local em que deverão exercer o direito de voto.

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