Opinião

Uma reacção reprovável

Matias Adriano

Jornalista

Rezam os dados históricos que não há registo de uma selecção anfitriã ter perdido o jogo inaugural do campeonato, desde que este se disputa, num percurso olímpico, que remonta do Uruguai’1930. Mas como para tudo há sempre uma primeira vez, aconteceu no Qatar, onde a selecção da casa foi, copiosamente, batida pelo Equador.

22/11/2022  Última atualização 08H48

Parecendo algo anormal, como se Qatar fosse uma super-potência futebolística, os seus adeptos reagiram à quente ao resultado. Em protesto, muitos começaram a abandonar o Estádio Al Bayt, em Al-Khor, ainda ao intervalo, e, em função da tendência do resultado, outros foram saindo ao longo da segunda metade.

Não terá sido, honestamente, o comportamento mais digno. É claro que resultados ruins, regra comum, alteram os ânimos dos adeptos. Mas convirá reconhecer que no futebol existem três resultados, aos quais devemos nos conformar, sejam positivos ou negativos, no quadro da tese "vencer com respeito e perder com dignidade”.

Portanto, mesmo sem recurso à violência, o público afecto à equipa de casa reagiu mal à derrota. Só esperamos que a situação não venha atingir contornos de insustentabilidade, quando as coisas começarem a complicar-se, porque não vemos uma equipa que esteve apagada do princípio ao fim, diante de um Equador, fazer melhor com a Holanda ou o Senegal.

Seja, talvez, coisa para dizer que os catarinas devem se preparar para o pior, porque por aquilo que a sua selecção deu a ver no jogo de abertura, a queda na fase de grupos começa já a ser equacionada por alguns experts. Aliás, ganha corpo o argumento de que Qatar não é país do futebol, sendo que organizar o evento será algo que visa outros interesses.

 O público deu mostras de não saber lidar com os golpes baixos da equipa em campo. O adepto deve saber aplaudir a equipa quando esta se revela eficaz na quadra, e compreendê-la nas situações em que por alguma razão, muitas vezes a ver com o desnível de valores sobre adversário, esteja aquém dos objectivos.

Não é fácil prever o que pode vir acontecer quando o Qatar voltar a soçobrar diante da Holanda ou Senegal e o resultado determinar o seu irremediável afastamento da prova. O sinal, negativo, já foi dado no jogo que se seguiu à uma cerimónia de abertura brutal a todos os títulos. Vamos aguardar.

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