Perde-se na poeira do tempo a época gloriosa da cotonicultura angolana (cultivo de algodão). Os investimentos públicos feitos no sentido de revitalizar o sector “encalharam” no Sumbe, município sede da província do Cuanza-Sul, onde o Estado despendeu, em 2011, dezenas de milhões de dólares num projecto piloto, na expectativa de incluir o também chamado “ouro branco” na grelha de produtos geradores de divisas.
O Mercado da Mabunda, localizado no distrito urbano da Samba, é um dos maiores fornecedores de peixe fresco, senão mesmo o maior da capital do país. É o destino preferido de centenas de citadinos. Isso apesar de constrangimentos tais como a falta de higiene e a presença constante de larápios que, volta e meia, podem deixar o visitante aos prantos. Há ainda o desrespeito total às regras de distanciamento físico em tempo de Covid
Dezenas de passageiros retidos entre as províncias de Luanda, Cuanza-Norte e Malanje, devido à entrada em vigor do Estado de Emergência, no país, e que impõe restrições à circulação inter-provincial, regressaram no último final de semana às suas terras de origem, utilizando os serviços de táxi habituais naquelas vias.
O regresso dos mesmos foi possível devido ao levantamento da cerca sanitária, decidida pelo Executivo para permitir que cidadãos que se encontram nas demais províncias possam regressar às suas localidades de origem. Sábado e domingo, na paragem da Macon, era grande o número de cidadãos ansiosos por comprar o bilhete de passagem para Malanje e Luanda.
Mas, infelizmente, poucos tiveram a sorte de conseguir obtê-lo, porque os autocarros fizeram linhas directas e, lotados com passageiros de Malanje, passaram sem parar em direcção àquela província. De igual modo os autocarros que ficaram retidos em Malanje, devido à situação que se vive no país, passaram igualmente lotados para Luanda. Segundo uma fonte da transportadora, todos estavam ávidos por comprar bilhetes, tanto para Luanda como para Malanje, e eram mais de 100 os cidadãos que aguardavam por um lugar naquelas instalações.
Natércia Passos, de 32 anos, Amaro Cassunda, de 44, e Julieta Antunes, de 28, que levava ao colo um bebé, foram os únicos que se predispuseram a falar para a reportagem do Jornal de Angola e pensam em regressar o mais depressa possível para junto da família aonde saíram há mais de duas semanas. Natércia vive em Luanda e não quer perder esta oportunidade para regressar a casa.
"Se não viajar hoje, meus filhos correm o risco de não me verem e nem eu a eles por cerca de 30 dias. Já não posso mais! Estou cheia de saudades deles. Vim buscar alguns produtos do campo e acabei por ficar mais do que o tempo necessário. Agora só me resta tentar encontrar um lugar no autocarro de regresso a Luanda”, conta.
Já o senhor Amaro Cassunda, com residência fixa no município de Calandula, em Malanje, disse que a medida sobre o Estado de Emergência o encontrou em Ndalatando onde "vim para participar de um problema familiar, por isso tive de aguentar todo este período nesta localidade. Estou em casa do meu irmão menor, minha família está em Calandula. Sinto-me alegre por agora poder ter a oportunidade de ir ao encontro da família. Agradeço o Governo que nos deu essa possibilidade".
Julieta Antunes, a outra viajante para Malanje, quase não conseguia falar de tanta alegria. Com lágrimas no rosto, disse que regressar à casa e encontrar a mãe e os irmãos é o que mais deseja desde a entrada em vigor do Estado de Emergência. “Quando chegar, depois de lavar as mãos com água e sabão, vou ter mesmo que abraçar todos eles, porque não sei se vou conseguir saudá-los à distancia”, finalizou.
Outros decidiram optar por viajar com os táxis habituais que se encontravam a ser lotados em diferentes pontos da cidade. Por exemplo, na paragem de táxi na zona do mercado do 4 de Fevereiro, dezenas de cidadãos esperavam as viaturas que vinham de Luanda e que desembarcaram passageiros em Ndalatando, dando espaço para quem quisesse seguir viagem de regresso a Malanje. Por volta das 11 horas e poucos minutos na paragem de táxis, junto ao largo Rainha Njinga, numa viatura de marca Toyota Hilux, estavam cinco passageiros que demonstravam ansiedade no rosto pelo facto de poderem regressar às suas casas depois de algum tempo sem poder fazê-lo livremente. Madalena Afonso, de 47 anos de idade, disse sentir-se feliz porque está há muitos dias sem ver os seus cinco filhos que ficaram em Luanda. Para ela, o Governo fez bem em abrir esta excepção para que pudessem voltar para casa e rever a família.
“Louvamos ao Senhor por esta decisão do nosso Governo. Não é fácil. Esses dias todos só falava com o meu marido e com as crianças por telefone, era difícil”, disse a senhora, visivelmente feliz. Um outro passageiro, Miranda Celestino Vemba, de 53 anos, disse que vive em Luanda há mais de 15 anos. Natural do município de Ambaca, conta que o Decreto do Estado de Emergência o apanhou desprevenido quando se encontrava na sua fazenda na comuna do Maua. No dia 13, já de regresso à sede comunal, foi-lhe informado pelos seus familiares sobre o ocorrido, motivo que o levou a permanecer ali durante todo este tempo. “Só agora estou a regressar a Luanda, minha esposa e filhos me aguardam com saudades. Mas eles sabem que eu estou de saúde porque temos estado a falar via telefónica”, disse.
A Land Cruiser carregada de passageiros para Malanje tinha no interior 12 pessoas. Não quiseram falar para a nossa reportagem, apenas mostraram, com o acenar das cabeças, que estavam bem e se sentiam muito felizes por puderem retornar a terra da Palanca Negra, onde residem. Por volta das 12 horas já alguns táxis de marcas e tamanhos diferentes, como Toyota Land Cruiser, vulgo 18 províncias, Toyota Hilux (carrinha), assim como os mais pequenos, Yunday Elantra, i10, Toyotas, conhecidos como olho de gato e rabo de pato, chegavam de Luanda com passageiros de Ndalatando e demais municípios do Cuanza-Norte.
Verónica Luís, de 23 anos, disse que esteve em Luanda durante todo este tempo e agora sente-se feliz por regressar para junto dos seus pais e irmãos. “Não há nada melhor do que estar ao lado da família. Embora estivesse com um tio que também é como se fosse meu pai, mas a sensação agora é diferente”, frisou. A maioria dos passageiros disse ser necessário continuar a seguir os apelos da sociedade para que a pandemia da Covid-19 não chegue a atingir maior número de pessoas no nosso país.
Questionados sobre as medidas de segurança no interior das viaturas, a maioria dos passageiros e motoristas disse à nossa reportagem que quase ninguém respeitou o distanciamento social devido à azáfama e entusiasmo em que se encontravam com o desejo de regressar à casa.
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