Opinião

Um S&ER Solidário

Adebayo Vunge

Jornalista

Afinal, e como parece óbvio e insuspeito para quem trabalha em comunicação, nem tudo o que brota das redes sociais é mau.

05/12/2022  Última atualização 05H55

Ouço muitas pessoas insurgirem-se contra as redes sociais, como se estas fossem uma pura personificação do diabo. É claro que devemos sempre relativizar pois temos os dois lados de uma moeda, dependendo por isso do olhar e da utilidade que lhe dermos.

Vem isso a propósito de um grupo do Whatsapp de que faço parte, como membro e administrador. O grupo nasceu algures em Junho de 2015, numa conversa, no tal Whatsapp em que estava eu, o Gilberto Luther e o Osvaldo Macaia.

A intenção era criarmos uma plataforma de reflexão sobre o país, juntando alguns amigos, fossem eles kotas ou nossos contemporâneos. Mas o meu benquisto amigo Gilberto Luther, irrequieto e sempre irreverente, não se ficou pela conversa. Naquele mesmo dia, umas horas depois, fez nascer o Social and Economics Reflections, que na tradução literal seria então um grupo de Reflexão sobre assuntos sociais e económicos.

De lá para cá, o S&ER foi cimentando o seu espaço na vida dos membros do grupo, funcionando como uma verdadeira plataforma de reflexão sobre o país e notabilizando-se pela realização de alguns eventos com a participação dos seus membros ou convidados onde são debatidos diversos temas. A pandemia arrefeceu este ímpeto, mas tudo indica que poderão retomar os jantares conferência, brunch ou o "Conversas com propósito”.

Hoje o S&ER estabilizou em torno de 80 membros, de várias origens sociais e profissionais, sendo um requisito o facto dos seus membros serem apenas angolanos, nalguns casos espalhados em outras geografias.

Quando se criticam as redes sociais, fundamentalmente entre os adultos, aborda-se o facto desta consumir demasiado tempo, nalguns casos pondo em causa a produtividade. Esperemos todos que não esteja a acontecer isso com os seus membros, todavia, o grupo tem continuado bastante animado discutindo-se um pouco de tudo, algumas vezes em tom elevado, tal foi o exemplo do período eleitoral.

Ora, como é praxe, o S&ER realiza uma actividade de final de ano e na passada sexta-feira, 02 de Dezembro, no terraço do Instituto Sapiens, ocorreu o S&ER talks, num sunset beneficente. Desse modo, foram escolhidos sete membros do grupo que, ao estilo do TEDx, estiveram a fazer partilhas da sua visão social e cultural, nalguns casos histórias de vida ou ainda experiências marcantes.

Então, subiram ao palco confrades entre os quais Job Vasconcelos, com o tema "Aventuras por Angola", Ângela Bragança com "Solidariedade e Empatia", Helena Prata falando sobre "O poder das redes sociais", Jeremias Agostinho sobre "Cuidados de saúde primários: que desafios?", Xunu Pinto Aragão sobre "O poder da auto-responsabilidade", Joaquim Ferreira dos Santos abordou sobre "Inclusão social pelo desporto", e Pulqueria Van-dúnem terminou com o tema "Bullying".

A actividade bastante descontraída contou com o leilão de um quadro intitulado "Um só Caminho” a obra de matriz intervencionista retrata a resiliência e irmandade, licitado no valor de 800 mil kwanzas.

Ora, o valor do quadro e as contribuições dos membros do S&ER servirão para apoiar três instituições e projectos de cariz social como: Angola Rescue e o projecto Mães Unidas e Solidárias de Angola que serve diariamente 1500 refeições entre a Maternidade Lucrécia Paim e o Hospital Pediátrico David Bernardino; o Posto de Assistência Francisco de Assis que ajuda uma comunidade carenciada na localidade do Zango e o Clube Escola Desportiva Formigas do Cazenga.

O que me parece bastante relevante é que afinal as redes sociais não servirem apenas para blá…blá…blá… podemos fazer coisas edificantes, um verdadeiro empreendedorismo social; em segundo lugar, os grupos podem ajudar o Estado e as comunidades de modo particular a resolver os seus problemas. No final do dia, como se resumiu de algumas apresentações, de nada valerá o nosso agir se não tocarmos ou impactarmos positivamente na vida das pessoas. A solidariedade e a empatia impõem-se, não só agora que estamos em vésperas do natal, mas sobretudo agora.

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