Cultura

Um postal de Maputo em tempo de pandemia

Maputo, a capital e maior centro financeiro de Moçambique, oferece um bom clima, sobretudo nesta altura do ano, em que as temperaturas variam entre os 15 graus durante a noite e 26 de dia.

27/06/2021  Última atualização 11H04
© Fotografia por: Bernardino Manje | Edições Novembro
Localizada na África Oriental, a cidade de Maputo foi construída próximo a um porto marítimo, no Oceano Índico, com uma arquitectura colonial portuguesa. Foi fundada em 1782, elevada à vila em 1877 e, dez anos depois, à cidade, no dia 10 de Novembro de 1887.

Com uma extensão de 300 quilómetros quadrados, o município de Maputo tem uma população de mais de um milhão de habitantes, de acordo com o Censo de 2017. As ruas são, na sua maioria, limpas, um indicativo de que os serviços de limpeza e saneamento são eficazes. Árvores frondosas (predominam as jacarandás) ajudam a dar um ambiente mais fresco, sobretudo aos pedestres.

Até antes da pandemia, existiam voos directos de Luanda a Maputo, com as companhias TAAG e LAM (Linhas Aéreas de Moçambique), mas o passageiro tem como alternativa uma escala a Joanesburgo e daí fazer a ligação a Maputo.

"Chopelas” disputam clientes com os táxis convencionais


A corrida de táxi do aeroporto ao centro da cidade custa entre 600 e 800 meticais, dependendo muito da distância a percorrer. Abre-se um parêntesis, para informar que, actualmente, 100 dólares equivalem cerca de 6.500 meticais.

A maioria das viaturas que fazem o serviço de táxi são de marca Toyota, em segunda mão. Não existem taxímetros, por isso o preço é ditado de acordo com a distância, mas depois de um prévio acordo entre taxista e passageiro, sendo certo que alguns entre aqueles se aproveitam da ignorância destes, sobretudo estrangeiros, para esticarem o preço.

Na discussão dos preços nem sempre há acordo. Para alguns passageiros, o recurso pode ser a "chopela”, motorizada de três rodas de fabrico indiano que chegam a "roubar” passageiros aos táxis convencionais.
As "chopelas” não estão autorizadas a trabalhar em alguns pontos da cidade, como no aeroporto, mas circulam por perto, sempre na esperança de apanharem um passageiro.

As motos, com capacidade para dois passageiros no assento de trás, além do condutor à frente, estão cobertas com lonas (colocadas pelos proprietários), protegendo do sol ou da chuva.

Desembolsando 450 ou 300 meticais, o passageiro pode chegar ao destino. Uma desvantagem é que a velocidade das "chopelas” não se compara a de uma viatura. Outro senão é que, tal como em Angola, muitos condutores de motorizadas não estão habilitados, pois não possuem carta de condução e desconhem o Código da Estrada, situação que põe em risco não só a vida dos passageiros como a deles próprios.

João Mondlane (nome fictício), um jovem na casa dos 30 anos, é condutor de uma "chopela”. Foi ele quem revelou, ao repórter do Jornal de Angola, que aquele modelo de motorizada é de fabrico indiano. A sua é nova, parece não estar há mais de um mês em circulação.

O "motoqueiro” contou que trabalha para alguém, mas também possui uma "chopela” em segunda mão, com a qual faz alguns biscates para aumentar a renda da família, composta por mulher e filhos.

Tal como João, muitos jovens de Maputo fazem a vida transportando passageiros nas "chopelas”.
À semelhança de Angola, onde se encontram os taxistas não convencionais, vulgo candongueiros, em Maputo também encontrámos os "chapas” (viaturas Toyota Hyace), mas estes apenas circulam nas zonas periféricas.



Hotéis


A cidade de Maputo está bem servida em termos de hotéis e similares. Os preços são bons, sobretudo se comparados aos de Luanda. Numa unidade de duas estrelas, como o Hotel Maputo, no centro da cidade, a diária ronda o equivalente a 60 dólares (o quarto standard) e USD 100, uma suite executiva.
No hotel Terminus, com a categoria de três estrelas, os preços variam entre o equivalente a 122 dólares (o quarto standard) e USD 139, o Luxury Executive.
No Tivoli, também com a categoria de três estrelas, um quarto single custa 73 dólares, o duplo 98, enquanto a suite executiva está ao equivalente a USD 208.

Para quem tiver mais recursos e quiser desfrutar de mais requinte, tem, como opções, hotéis como o Avenida, Polana Serena, Radisson, Southern Sun, Melia, Afrin Prestige ou o Hotel Vip Grand Maputo, todos de cinco estrelas.
Localizado na Avenida Julius Nyerere, nº 627, o Hotel Avenida tem como diária mais cara a suite presidencial, pelo equivalente a 1.135 dólares, enquanto o mais barato é o quarto single, que fica por USD 135.

Em termos de preços, o Avenida é superado pelo Polana Serena, também localizado na Avenida Julius Nyerere nº 1.380. Aqui, uma suite presidencial custa 3.750 dólares, a executiva 450 e o quarto standard single 195.

No Radisson, a suite presidencial está o equivalente a 990 dólares, o quarto single a 145 e o single premium a 160.
A maior parte dos restaurantes tem como gastronomia típica a portuguesa, não fosse Moçambique uma ex-colónia de Portugal. Entretanto, tal como em quase todo o mundo, podem ser encontrados outros tipos de pratos, como os orientais.
No Mimmo’s, um restaurante localizado na Avenida Vladimir Lenine, e frequentado por clientes da classe média, uma refeição pode custar entre 500 e 1.000 meticais, dependendo do que o cliente solicitar.

Tal como como acontece em hotéis ou outros estabelecimentos, ao entrar para o restaurante, o cliente deve observar as normas de biossegurança, medindo a temperatura corporal, desinfectando as mãos com álcool e cumprindo o distanciamento físico. Os ocupantes de uma mesa podem estar próximos se forem do mesmo agregado familiar. Os funcionários do restaurante ficam constantemente com máscaras.

Foi no Mimmo’s onde o repórter degustou um bom cachucho, que em Moçambique é mais conhecido por "vermelho”. Mas há quem defenda que não existe melhor peixe do que o servido no conhecido Mercado do Peixe.
Esta é a opinião de um diplomata angolano que viajou a Maputo para a Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e arranjou um tempinho para se deslocar ao Mercado do Peixe.

"Quem vem a Maputo e não se desloca ao Mercado do Peixe, é como se não tivesse vindo cá”, disse, irónico, o diplomata, numa conversa com alguns integrantes da delegação angolana àquele evento.


Moçambicanos comemoram 46 anos de Independência


Moçambique completou, na sexta-feira, 46 anos desde que se tornou independente de Portugal.


A efeméride foi comemorada com júbilo, apesar das restrições impostas pela pandemia da Covid-19 e do momento de tristeza que se vive no país, pela onda de terrorismo no Norte, nomeadamente na província de Cabo Delgado.

Os ataques terroristas, iniciados em Outubro de 2017, já provocaram acima de 2 mil mortos, 800 mil deslocados e a destruição de importantes infra-estruturas públicas e sociais.
O acto central dos 46 anos de Moçambique decorreu na Praça dos Heróis, em Maputo, um largo que, embora não sendo tão semelhante, em algum momento faz lembrar a nossa Praça da Independência, em Luanda.

Dois dias depois de acolher a Cimeira Extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, a capital moçambicana acolhia mais um evento importante, embora este último seja de âmbito nacional.

No acto, o Presidente moçambicano acusou os grupos terroristas de pretenderem desestabilizar o país, através de actos bárbaros como decapitações e a destruição de bens da população, com o fim único de roubar a riqueza de que dispõe a província de Cabo Delgado.

Filipe Nyusi destacou a bravura dos militares das Forças de Defesa e Segurança que têm desferido, no terreno, "duros golpes aos inimigos do povo”.

"Apesar de não apresentarem publicamente por que é que matam e decapitam cidadãos inocentes, é nossa convicção que querem gerar medo no seio dos moçambicanos para depois se apoderarem das nossas riquezas”, assegurou o Presidente moçambicano.

Tal como prometeu na Cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização da qual é presidente em exercício, o estadista moçambicano voltou a garantir um combate sem tréguas ao terrorismo, com o apoio da SADC, que prometeu o envio de uma missão a Cabo Delgado, com o intuito de estancar os ataques terroristas. "Tudo faremos para que os próximos tempos sejam de desespero e agonia para os terroristas que actuam em Moçambique”, declarou Filipe Nyusi.

No seu discurso, o Chefe de Estado moçambicano destacou os avanços em curso no processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos homens armados da Renamo, reiterando o convite a Mariano Nhongo, líder da denominada Junta Militar da Renamo, a integrar esta iniciativa para que o processo de paz seja efectivo no país.

A deposição de uma coroa de flores na Praça dos Heróis Moçambicanos foi o ponto alto das celebrações dos 46 anos da Independência de Moçambique do jugo colonial português, a 25 de Junho de 1975.

A condecoração de várias personalidades com medalhas de Ordem Eduardo Mondlane, Ordem Samora Moisés Machel, Ordem de Amizade e Paz, medalha de Mérito Artes e Letras e medalha de Mérito Desportivo, marcaram, igualmente, as cerimónias centrais da efeméride.

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