Especial

Um Natal atípico

Arcângela Rodrigues

Jornalista

O receio de se juntar em família e realizar a ceia de Natal, toma conta de algumas pessoas, como contou à reportagem do Jornal de Angola Neusa Veríssimo Lisboa que teme festejar a quadra festiva, face à actual situação.

25/12/2020  Última atualização 10H04
Natal deste ano é tido como atípico pelo facto de ocorrer numa altura em que o Mundo se debate com a pandemia da Covid-19, que impõe restrições © Fotografia por: Cedida
Para evitar o contágio, proteger a si e a sua família, a melhor forma de comemorar o nascimento de Cristo vai ser apenas na companhia do esposo e dos filhos. Ela é de opinião que os convívios, beijos e abraços devem ser guardados para outra altura. 

"Contudo, este é o momento de todos serem responsáveis, sobretudo no respeito às medidas de biossegurança, para se evitar uma segunda vaga da pandemia depois da quadra festiva”. Segundo a interlocutora, a pandemia da Covid-19, "separou-nos fisicamente, acabando por nos unir através das novas tecnologias e é também do modo virtual que pretendemos nos comunicar no momento da ceia”.
 Com todas as dificuldades, reconheceu que é grata a Deus pelo dom da vida e bênçãos concedidas. Neusa Lisboa, lembrou que o Natal tem sido sempre especial e é um momento muito esperado pelos seus filhos.  De modo, que "fazemos os possíveis de gravar na memória deles, os momentos divertidos e inesquecíveis para o resto das suas vidas, tal como os nossos pais fizeram connosco”. 

A pandemia da Covid-19, lamentou, trouxe muitas dificuldades, desde a escassez de produtos a nível do mercado nacional e o distanciamento entre as famílias.  Os preços dos produtos nos mercados estão cada vez mais altos e não há fiscalização das entidades competentes, afirmou Neusa Lisboa, para quem está difícil adquirir os principais produtos da cesta básica nos mercados, lojas e supermercados ou mercado informal, uma situação que ocorre todos os anos, nessa época.

A nossa interlocutora revelou, ainda, que deu início aos preparativos do Natal, em Novembro, fazendo compras com antecedência, mesmo assim, os preços já estavam caóticos. A árvore de Natal foi o primeiro artigo a ser montado, seguindo-se a aquisição de presentes e a escolha do menu. 

Em seu entender, é no início de cada ano que estabelece um plano e valores, para os presentes de aniversário ou de Natal, ainda que sejam simbólicos. Já o menu para ceia, foi seleccionado em família, cada um escolheu o que quer comer.  "Na mesa haverá bacalhau com natas, lasanha, cabrito no forno, fular, bolo de chocolate e iogurte, creme de bolachas, rabanadas e gelado, informou a entrevistada que conseguiu fazer poupança, porque houve menos gastos com as despesas correntes, por causa da pandemia”. 

Isolamento é a melhor escolha 

Sílvia Sangui Solas teme em passar o Natal em convívio familiar, por causa do novo coronavírus. Para ela, o isolamento é a melhor, escolha, neste momento, mas sente tristeza, por não poder passar a quadra festiva com toda a família. 

"As famílias africanas são extensas, não se restringem apenas ao número do agregado familiar, isto é, aqueles que vivem na mesma casa. O normal é estarem todos reunidos num único espaço e cada um traz o seu farnel”, revelou Sílvia Solas para quem a chegada do seu primogénito a motivou a fazer alguma coisa. 

A entrevistada disse que não festeja o Natal há dois anos, por causa do custo de vida, agitação pela cidade enfim. É muita ginástica que as pessoas têm de fazer, desde à pesquisa de preços nas lojas, mercados, entre outros, para ter um custo mais acessível. 

A mesma lamentou que está difícil fazer a contenção de gastos, mesmo com dois salários em casa, há carência de valores monetários para adquirir o que realmente é necessário.  Esmeresilda Cristóvão acha que o Natal deve ser comemorado de maneira restrita, para se evitar a contaminação, pois, a Covid-19 é um vírus invisível e letal, que afectou os preparativos desta quadra festiva, numa altura em que parece tudo muito estranho. 

Segundo Esmeresilda Cristóvão, nos últimos dois meses, os preços já estavam altos. "Se as coisas continuarem neste ritmo, o mais provável é deixar de se preocupar com estas comemorações”.  "Este ano, os preços dos alimentos e da bebida triplicaram em relação ao passado, situação que afectou a todos, obrigando as pessoas a fazerem mais contenção e a comprar o essencial para a ceia do Natal”. 

Em casa da mãe, onde pretende passar a ceia, está preparado o bacalhau à lagareiro e de natas, comidas típicas e sobremesas, troca de presentes entre os filhos e afilhados. 

Significado da data

O Natal é a data em que os cristãos comemoram o nascimento de Jesus Cristo. Durante muitos anos após seu nascimento, essa comemoração era feita em dias diferentes, pois não se sabia a data exacta de seu nascimento.  Foi somente no século IV que se estabeleceu a comemoração do Natal no dia 25 de Dezembro, pelo Papa Julius.

Além da inexistência de documentos históricos que confirmem a data de nascimento de Cristo, uma das explicações para a escolha do dia 25 eram as festas pagãs que costumavam ser realizadas nesse dia. Essa era a data em que os romanos comemoravam o solstício de Inverno. 

A celebração era uma homenagem ao Deus Sol (natalis invicti solis) e era o momento em que os romanos pediam por fartura. Anos mais tarde, o Deus Sol foi substituído por Mitra, um Deus da mitologia grega. Além desses rituais, outra celebração que pode ter influenciado a definição da data do Natal é o Yule ou Jól, uma comemoração realizada pelos nórdicos da Era Viking, também em celebração ao solstício de Inverno.

Acredita-se que a escolha do dia 25, portanto, era uma forma de conseguir mais adeptos ao cristianismo, utilizando-se de algumas referências dos rituais pagãos.

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