Sociedade

Um mês recheado de datas importantes

Agosto está a chegar ao fim e durante o mês foram assinaladas várias datas de âm-bito mundial, regional, nacional, de cariz histórico, político, religioso, relativas à Narureza e ao Ambiente, en-tre outros, que nos obrigam a reflectir sobre o passado e presente da Humanidade, no intuito de revermos a si-tuação actual e traçarmos ca-minhos para o futuro.

25/08/2020  Última atualização 12H21
DR © Fotografia por: Luanda, uma cidade impunente e bela à semelhança de muitas outras pelo mundo dentro

Algumas dessas datas - como o Dia da Ostra (5), o Internacional da Cerveja (7), Mundial do Gato, de Brin-car na Areia (11), ou o Mun-dial do Canhoto (13) - podem parecer de pura trivialidade, mas, se pensarmos um pouco, encontramos motivos de sobra para ver as coisas de forma diferente, despindo-nos dos preconceitos que nos toldam o pensamento e reflectem-se no nosso modo de agir.

Da mesma forma que os dias Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição (23), Internacional da Igualdade Feminina (26) ou Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados (30) nos levam a reflectir acerca da nossa condição de seres dependentes da paz e justiça social, também o Internacional dos Povos Indígenas (9) e o Internacional da Música Estranha (24) apelam-nos à aceitação das diferenças, só possível através do conhecimento da realidade de cada um, da sua história e da região em que vive.

Brincar na areia

A 11 de Agosto celebrou-se o Dia de Brincar na Areia. Angola tem 1650 quilómetros de costa, pelo que, para muitos, falar em “areia” é o mesmo que dizer “praia”, sendo esta associada ao Mar.

A ideia de existirem no país pessoas que nunca viram o Oceano Atlântico causa estranheza mesmo para alguém que nasceu no interior. Em cidades com rios, procuram-se sempre outros termos quando se pretende apanhar sol e dar uns mergulhos e, por mais arenoso que seja o solo, chamam-lhe “terra”.

Ainda que se possa evocar a infância nos musseques, as saudades do deserto do Na-mibe, os camiões enterrados nas chamadas “terras do fim do mundo” ou mesmo a carrada mandada vir para misturar com cimento e fazer argamassa, o elemento mais evocado nas conversas é o Mar.

Nesta época de pandemia, em que as aglomerações estão proibidas, brincar na areia da praia está fora de questão, por mais que as saudades apertem. O tempo tem sido um aliado importante. Ir à praia no Cacimbo está fora de cogitações e, para quem vive em apartamento ou tem o quintal cimentado, o contacto com a areia torna-se um luxo.

As contestações são conhecidas e tendem a aumentar com a aproximação do calor. Este ano, apesar das queixas de alguns idosos, tem feito pouco frio em Luanda.

As brincadeiras na areia são consideradas coisas de crianças. De facto, são os menores de idade quem mais se entretém com ela, seja a fazer casinhas, seja a inventar comidas. Assim, aprendem de tudo um pouco: arquitectura, culinária, a vida em sociedade.

Ao brincar na areia, a criança recebe estímulos e mensagens auditivas, sensitivas, visuais e outras, as quais completam a sua formação na idade adulta. Dessa forma, ganha-se re-sistência a determinados vírus e bactérias, além de conhecimentos.

Brincar na areia, ou simplesmente correr e caminhar sobre ela, é bom para o corpo, na medida em que fortalece os músculos, assim como este passa a respeitar melhor o meio e a conviver com ele. Mas não é bom apenas para as crianças e adolescentes. Os adultos também precisam fazê-lo, sobretudo, quando são acometidos por doenças adquiridas com a idade ou com o uso excessivo do corpo, como são os acidentes vasculares cerebrais (AVC).

A ameaça do nuclear

Os ataques a Hiroshima, a 6 e Agosto, e Nagazaki, a 9, primeiros e únicos momentos em que bombas nucleares foram usadas contra alvos civis, são por muitos escamoteados, preferindo-se assinalar o anúncio da rendição do Japão, a 15 de Agosto.

No próximo dia 29, no Dia Internacional Contra Testes Nucleares, será o momento para recordar que hoje, 75 anos depois desses tristes episódios, existem no Mundo quase 14 mil ogivas nucleares, mais potentes que as lançadas sobre as cidades japonesas, muitas das quais fazem parte de protocolos para lançamento rápido.

Os elefantes e os jovens

Os dias Internacional da Juventude e Mundial do Elefante foram assinalados a 12 de Agosto. Tal “coincidência” remete-nos para dois factos. Primeiro, que a cada 15 minutos morre um desses paquidermes em África, que podem pesar sete toneladas, e, segundo, que há no mundo indivíduos entre os 10 e os 24 anos, num total de cerca de 1.9 mil milhões de pessoas, mais de metade dos quais não possui capacidades básicas de leitura ou de raciocínio matemático, mesmo frequentando a escola.

Do elefante, diz-se ser um animal “inteligente, dedicado à família, emocional e com memória extraordinária”, e que morre envenenado ou baleado.
Fala-se ainda que é “do-tado das boas características do homem, mas que recebe os piores comportamentos por parte deste”. Outras se-melhanças entre o maior mamífero terrestre e os jovens são a força e a capacidade de aprender.

Mais ainda que, se nen-huma acção for tomada, os elefantes extinguem-se por volta de 2025, enquanto os jovens engrossam as forças de combate e dos exércitos no Mundo.

Uma foto do tubarão-baleia

A 19, assinalou-se o Dia Mundial da Fotografia, data que celebra a arte de fotografa e tem origem no processo desenvolvido em 1837 por Louis Daguerre (1787-1851).

Embora muito ligada à guerra e à morte, de forma geral, a fotografia possui uma aura de paz, muito similar à do tubarão-baleia, cujo Dia Internacional se assinala a 30 de Agosto.

Imponente pelo tamanho – o maior indivíduo da espécie até hoje registado tinha 12,65 m de comprimento e pesava cerca de 21,5 toneladas -, este animal alimenta-se por filtragem da água. Vivem à volta de 70 anos, comem em exclusivo plancton e não representam ameaça para o Homem.

Agosto é, pois, um mês recheado de datas comemorativas ou a mereceram a nossa atenção.

Gato preto

A 8 de Agosto assinalou-se o Dia Mundial do Gato e a 17 o Dia do Gato Preto. Se a discriminação é grande contra os felinos, no geral, é o último quem mais sofre por ser alvo de vários mitos e preconceitos.

Feita uma pesquisa sobre o Animal Abandonado, cujo Dia Internacional foi assinalado a 15 do corrente, veremos que essa situação constitui um problema cada vez maior nos centros urbanos, sobretudo no Ocidente. Os “bichos” domésticos são soltos na rua e deixados a “Deus dará” por diversos motivos, entre os quais 14,6 por cento das vezes por prejuízos causados em casa, no caso dos gatos, e 20 por cento no que diz respeito aos cães.

O Dia do melhor amigo do homem está marcado para 26, amanhã, quinta-feira.

As estatísticas apontam para a existência no Mundo de 600 milhões de cães a viverem nas ruas. Os animais vadios reproduzem-se com rapidez e reúnem-se em grandes matilhas, que colocam em risco as pessoas e seus semelhantes.

Os cães são apontados como sendo responsáveis por 25 mil mortes de seres humanos todos os anos, o que os coloca na quarta posição nesse “ranking”. O mosquito, cujo Dia Mundial se assinala a 20 de Agosto, é o segundo maior causador de mortes de humanos.

Por ano, morrem de malária 600 mil pessoas. Somados os óbitos causados por outras doenças provocadas pela picada do mosquito, como a dengue e a chicungúnia, o número de mortes eleva-se a 750 mil.

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