Cultura

Um infiltrado a bordo do Boeing da Air France

César Esteves

Jornalista

Não havia passado muito tempo desde a descolagem do avião do Aeroporto 4 de Fevereiro, com destino a Paris, para o infiltrado revelar-se entre os passageiros. Aparentemente assustado, provavelmente por receio de ver a sua missão abortada por algum passageiro corajoso, o infiltrado passeava de um lado para o outro, sem dizer absolutamente o que pretendia.

06/06/2021  Última atualização 10H39
© Fotografia por: Arquivo | Edições Novembro
O facto mesmo é que o anúncio da sua presença deixou parte dos passageiros, sobretudo os que se encontravam mais próximo dele, em pânico. Uma moça só não saltou do avião, naquele instante, porque não havia espaço para tal. O infiltrado, cujo tom de pele provocava dúvida, se era mestiço ou negro, - o pânico instalado naquela zona do avião não ajudou a que se fizesse uma perícia bem mais apurada – decidiu depois agachar-se e esconder-se debaixo de uma das cadeiras do avião.


O cenário fez lembrar os vários relatos de infiltrados em aeronaves, muitas vezes com o fim único de o fazer despenhar e, com isso, provocar a morte dos passageiros. Aqui, o caso mais sonante que, provavelmente, terá visitado a mente de muitos passageiros, foi, sem sombra de dúvidas, os dos atentados do 11 de Setembro às Torres Gémeas e ao Pentágono, nos Estados Unidos. A movimentação registada abordo da aeronave despertou a atenção dos assistentes de bordo, mas estes também não sabiam, naquele momento, o que fazer.


A dúvida que pairava no ar era como tinha ele conseguido entrar para a aeronave sem ser visto, tendo em conta os vários procedimentos de controlo montados no aeroporto. Aventava-se então a possibilidade de o mesmo já ter estado no avião dias antes, proveniente de onde ninguém conseguia dizer. Quando ele se preparava para sair debaixo da cadeira onde se encontrava refugiado, para se dirigir a um lugar onde pudesse se sentir mais seguro, eis que, neste mesmo instante, um passageiro bastante determinado e enfurecido, carregando consigo apenas a sua força, levanta do seu lugar, dirige-se até a ele mesmo e, sem lhe dar possibilidade alguma para se defender ou reagir, pisa-lhe a cabeça por três vezes até perder completamente os sentidos.


Com isto, outros passageiros ganharam coragem, levantaram-se dos respectivos lugares com o fim de lhe acabarem a vida, mas a centopeia já não se movia. Estava bem morta. Com a morte do infiltrado, a viagem seguiu até Paris sem mais perturbação, mas ninguém queria acreditar que há uns minutos havia uma centopeia dentro do avião.            

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