Especial

Um acervo construído desde o tempo de Sá da Bandeira

Estanislau Costa | Lubango

Jornalista

A promoção da cidadania passa pela divulgação e preservação do património cultural nacional reflectida nos vários museus existentes em vários pontos do país, afirmou o director executivo da Huíla da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA), Serafim Afonso.

08/01/2022  Última atualização 09H25
Museu da Huíla situado no centro da Cidade do Lubango © Fotografia por: Arimateia Baptista | Edições Novembro | Huíla
Serafim Afonso que abordou o tema Identidade Cultural e Patrimonial da Nossa Terra, em honra ao 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional, descreveu que o património cultural é um elemento indispensável na vida dos homens. "O resgate de valores culturais passa pela elaboração de uma estratégia de investigação social profunda”.

Já o professor de sociologia cultural, António Mandondo, enalteceu a forma como têm estado a se cumprirem as medidas de biossegurança no Museu Regional da Huíla, cujas visitas são feitas em formatos diferentes dos anteriores, com o acesso de três a quatro pessoas em cada uma hora.

"Este figurino merece o reconhecimento de todos porque além de prevenir o contágio da Covid 19, não impede que as crianças, jovens e outros visitantes tomem contacto com as oito salas de exposição que possuem uma capacidade de 20 pessoas, referiu.

O museu funciona em infra-estruturas adaptadas e é especificamente etnográfico, com o foco principal nos hábitos, usos e costumes dos povos da região sul, sendo que o acervo composto por mais de 1.500 peças, ilustram o modo de vida dos antepassados.

A direcção do imóvel propõe a cada dia de visitas temas específicos, com realce a pastorícia e caça, instrumentos musicais, poder, crença e espiritualidade, vestuário típicos e adornos, agricultura e pesca, Ehumbo - aldeia tradicional, olaria e cabaças assim como cestaria.

O Jornal de Angola constatou a rica colecção de moedas utilizadas em várias épocas da história de Angola, assim como selos e postais que representam uma verdadeira relíquia.

História do museu

O professor do Liceu Diogo Cão, Machado da Cruz, comovido com a riqueza sócio-cultural dos povos Nhyaneka-Nkhumbi, fundou, em 1956-1957, o Museu da Huíla, tendo para o efeito reunido boa parte da colecção etnográfica local e colonial portuguesa.

A designação inicial era Museu de Sá da Bandeira, tendo mais tarde se transformado em regional e etnográfico por também albergar vestígios históricos das províncias do Namibe, Cunene e Kuando Kubango.

Entre os vários objectos culturais atraentes, a sala onde está a maqueta do Eumbo, desperta a atenção de qualquer visitante por mostrar a estrutura das ldeias e a área onde ficam as casas das dez ou 12 esposas do soba. Cada mulher tem a missão de cuidar dos filhos e respectiva riqueza com realce as cabeças de gado bovino.

O soba e a esposa principal, escolhida entre outras, vivem na conhecida casa grande, com condições diferentes das restantes. Quando há problemas, todas se juntam no Tchoto, com a configuração de letra U, para análise da anomalia e encontrar uma solução. Quem sempre dita a decisão é sempre o homem.

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