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Uíge: Polícia de fronteira deve ter melhores condições

As autoridades tradicionais da província do Uíge defenderam, hoje, que se melhorem as condições operativas e alimentares das forças de defesa e segurança, colocadas nos postos e nas comunas fronteiriças com a República Democrática do Congo (RDC).

17/07/2020  Última atualização 22H50
DR © Fotografia por: Autoridades tradicionais denunciam actos criminosos praticados por parentes ou vizinho

Esta e outras inquietações foram expostas durante um encontro entre membros da Delegação do Ministério do Interior, do Comando provincial da Polícia Nacional e das autoridades tradicionais, que visou analisar a situação de delinquência na província. Entre os meios logísticos evocados, realçaram a necessidade de atribuir viaturas ou motorizadas às unidades para atenuar o sofrimento por que passam os efectivos no cumprimento das missões de controlo e fiscalização.

“É muito penoso ver-se um polícia de fronteira a andar quilómetros e quilómetros de distâncias a pé, e às vezes, com a carga do seu mantimento à cabeça”, disse o rei Maunauta, também membro do Conselho da República. Segundo a autoridade tradicional, “a polícia que trabalha na fronteira sofre muito e devia merecer outro tratamento”.

Para o presidente da Associação das Autoridades Tradicionais do município de Maquela do Zombo, Monteiro dos Santos, as unidades da Polícia de Guarda Fronteira da localidade têm a responsabilidade de controlar entre 30 ou mais quilómetros de distância, sendo dificíl o cumprimento da obrigação sem transporte. “Eles andam a pé, impossibilitando as tarefas de patrulhamento e de combate oportuno da migração ilegal”, disse.

Quanto aos efectivos dos postos comunais, a maioria dos sobas que interveio,no encontro considerou irrisório o efectivo de dois ou três agentes colocados nestes territórios, tendo defendido um reforço para que o efectivo seja de, pelo menos, cinco ou seis elementos.

Falta de sigilo

As autoridades tradicionais do Uíge manifestaram-se preocupadas com a falta de sigilo profissional por parte de alguns efectivos da polícia nacional que repassam aos delinquentes informações que perigam a sua segurança e das famílias. Muitas informações de denúncia passadas aos agentes da polícia chegam ao conhecimento dos delinquentes, que, por sua vez, investem contra os sobas ou outra entidade tradicional, o que motiva uma espécie de ajustes de contas com todas as consequências possíveis.

Em nome dos colegas, o presidente da Associação das Autoridade Tradicionais do Uíge, Miguel Brinco, disse que tal situação está a desencorajar a população e os próprios sobas das aldeias ou bairros das vilas e cidades de denunciar actos criminosos praticados por delinquentes, muitas vezes parentes ou vizinhos.

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