Economia

Uíge: Mina de cobre arranca produção em 2023

O fim dos trabalhos de engenharia e entrada de exploração da Mina de cobre do Mavoio, na zona do Maquela do Zombo, província do Uíge, está previsto para 2023 e já foram investidos 60 milhões de dólares, segundo assegurou ao Jornal de Angola, o presidente do Conselho de Administração da Sociedade Mineira de Cobre de Angola (SMCA), Rui Lopes.

16/07/2020  Última atualização 19H01
DR © Fotografia por: Foram investidos no projecto 60 milhões de dólares.

O CEO da SMCA avançou que, em princípio entre 2021 e 2022, serão levados a cabo os trabalhos de construção da mina, que consistirão na abertura da galeria inclinada e outras escavações. A previsão para a realização do Projecto de Engenharia (PE) é de dois anos, sendo que, para efectivação do PE, há um conjunto de estudos necessários para determinar a tecnologia e engenharia a ser aplicada. 

Com mais de 19 anos de experiência na indústria mineira, Rui Lopes asseverou que os estudos estão a ser executados com realce para os geofísicos, hidrológicos, metalúrgicos e ambiental, estando em falta o de geotecnia, que deveria ser realizado no início deste ano e que, infelizmente, teve que ser adiado devido à situação da pandemia mundial.

“Na verdade, mesmo após a entrada em funcionamento da mina, os trabalhos de engenharia, compreendido como toda uma actividade de pesquisa e prospecção, estes não terminarão tão cedo, salvo se se vier a provar que já não existem recursos”, confessou. Neste momento, a empresa dedica-se à prospecção de cobre e após a aturada campanha de prospecção e largos milhões de dólares investidos, existe na zona do Mavoio/Tetelo, o mineiro do cobre.

Instado a pronunciar sobre as razões do atraso dos trabalhos de engenharia, Rui Lopes disse que a obra de construção da mina apenas será iniciada quando existir a máxima certeza que os recursos descobertos são economicamente exploráveis.  Por isso, a empresa continua a investir e a desenvolver a actividade de prospecção para conferir um maior grau de confiabilidade aos recursos, fazendo-os migrar de inferidos para indicados e de indicados para reservas.

“Como sabe, os recursos, na generalidade dos casos, estão entre os 250 e 450 metros de profundidade. Por isso, antes de se construir seja o que for, há que ter bastante certeza de que os recursos existem e nas quantidades adequadas para a viabilidade de um projecto sustentável”. A prospecção envolve alguns trabalhos de construção civil e obras públicas, como a abertura de estradas, em alguns casos, dezenas de quilómetros, valas (incluindo drenagem) e acessos para que os equipamentos de sondagem possam desenvolver com naturalidade a tarefa.

Este trabalho tem sido desenvolvido pela SMCA, em alguns casos com o suporte técnico de uma empresa angolana de sondagem, a GEOANGOL. No entanto, para o desenvolvimento da mina, é necessário que sejam observadas algumas etapas, como, primeiro, saber-se da quantidade de mineiro existente e, em segundo lugar, se o mineiro existente, que designa de recursos são suficientes para de forma económica poder desenvolver uma mina de cobre.

“E é precisamente esta actividade que a empresa está neste momento a desenvolver”. Sobre a previsão de produção, a SMCA informou que aguarda por uma empresa especializada contratada para estimar os recursos e as potenciais reservas da primeira fase do projecto que ainda não concluiu o seu relatório. Contudo, Rui Lopes, alega a situação da Covid-19 que condicionou o bom andamento dos trabalhos. 

Novos empregos

Questionado para quando a população do Uíge vai ter uma oportunidade de emprego na Mina, o responsável tranquilizou a população da terra do “bago vermelho” dizendo que, no pico do projecto, vão ser criados milhares de empregos directos e indirectos. A SMCA já emprega hoje, no Uíge, 117 colaboradores. A intenção é aumentar o número de empregos consoante o desenvolvimento dos trabalhos.

“Por certo, e é a garantia que gostaríamos de deixar, enquanto investidores, somos os primeiros interessados em fazer com que a mina arranque rapidamente e dentro dos prazos e, desse modo, possibilitar a recuperação do investimento já realizado e do que ainda há por realizar”, sustenta Rui Lopes da SMCA, SA, a empresa proprietária do projecto, cujo accionista maioritário é a MINARA – Exploração e Desenvolvimento Mineiro, Lda e que detém mais de 2/3 do capital social.

Além do mineiro do cobre (Cu), a licença inclui também para explorar outros metais básicos tais como Zinco (Zn) e o Chumbo (Pb). A mineira entende que se trata de um projecto estruturante e como tal, se insere no âmbito do esforço do Executivo de diversificação da economia, não apenas através da redução da dependência do país face ao petróleo bruto, mas também, contribuindo para o aumento das exportações e, consequentemente, trazer mais recursos externos para Angola.

Recentemente, as autoridades tradicionais locais apresentaram como preocupação ao governador provincial do Uíge, Sérgio Luther Rescova, o não arranque da mina de cobre de Mavoio, para que esta possa cumprir com uma das suas principais funções de gerar emprego para a juventude. 

Em Julho de 2013, o então ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, visitou o projecto que já se encontrava no quarto ano de actividades de prospecção e foi informado que já tinham sido realizados, desde 2009, trabalhos de topografia, cartografia geológica, estudos mineralógicos e geofísicos, investigações, ensaios metalúrgicos e perfurações de sondagem num perímetro de 9.478 metros.

Na altura, o responsável pela operação de prospecção, João Albenás explicara que tinham sido descobertos mais de seis milhões de toneladas de cobre e que estudos apontavam para a existência de cerca de 16 milhões de toneladas de cobre puro. As primeiras pesquisas realizadas entre 1937 e 1961 confirmaram a existência de cobre no local.

Apesar desses resultados conseguidos, nas primeiras pesquisas realizadas entre 1937 e 1961, apenas 192.200 mil toneladas correspondiam a cobre de metálico puro, segundo o geólogo. João Albenás tinha revelado que os testes laboratoriais das amostras enviadas para a África do Sul comprovam a existência de cobre, ferro, calcite, pirite, enxofre, Xisto, calcopirite, enargite/tennantite, esfalerite, galena, bornite, óxidos e hidróxidos de ferro.

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