Mundo

UE excluída da supervisão das eleições presidenciais

Os observadores da União Europeia não serão convidados para participar na supervisão das eleições de 23 de Dezembro, na República Democrática do Congo, enquanto os da União Africana são aguardados em Kinshasa já na próxima se-gunda-feira.

28/11/2018  Última atualização 06H00
DR © Fotografia por: Os supervisores da União Africana são aguardados já na segunda-feira em Kinshasa

A decisão de não convidar a União Europeia foi anunciada ontem pela Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) e coloca um ponto final sobre algumas especulações que davam conta de maior abertura por parte daquela entidade em relação a quem vai supervisionar o pleito.
Para observar as eleições, a CENI confirmou ter convidado a União Africana, a SADC e a Organização Internacional da Francofonia, o que torna estas as primeiras eleições que se vão realizar sem a participação da União Europeia.
Uma das razões apontadas para a ausência forçada desta organização tem a ver com as sanções que impôs a 15 personalidades congolesas no final do segundo mandato de Joseph Kabila, entre as quais o então ministro do Interior, Emmanuel Ramzani Shadary, actual candidato da maioria presidencial.

Entretanto, decorre em todo o país a campanha eleitoral sem que até ao momento se tenha registado qualquer incidente grave.
Ensaio clínico contra ébola
Entretanto, o Ministério da Saúde da RDC, com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), anunciou ter já efectuado o lançamento de um ensaio clínico para avaliar a eficácia e a segurança dos medicamentos utilizados no tratamento de pacientes afectados pelo vírus ébola na província do Kivu do Norte.
"Até agora, os pacientes eram tratados mediante um protocolo de uso compassivo, com medicamentos promissores e que apresentavam um bom perfil de segurança em laboratório. O passo gigante que a RDC está a dar agora clarificará o que vai funcionar melhor e salvará muitas vidas nos anos vindouros", disse o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Nova Iorque, quando anunciava o projecto.
“Uma vez que o nosso objectivo continua a ser a erradicação desta epidemia, o lançamento do teste na RDC constitui uma etapa importante rumo à descoberta definitiva do tratamento do ébola que salvará vidas”, acrescentou.
O projecto faz parte de um estudo multi-epidémico de vários países e que já foi aceite por diversos parceiros internacionais no quadro de uma iniciativa da OMS.
Até agora, 160 pacientes foram tratados com terapêuticas experimentais num cenário ético desenvolvido pela OMS, em consulta com especialistas no terreno, denominado Utilização de Vigilância em Emergência das Intervenções Experimentais não Registadas (MEURI).
A partir do momento em que os protocolos do teste entram em vigor, os pacientes recebem tratamento nas instalações onde o teste foi feito.

            Relatório alerta à falta de condições para escrutínio

As eleições na República Democrática do Congo, previstas para o dia 23 de Dezembro, podem agravar a crise e os conflitos no país, alerta um relatório académico norte-americano ontem divulgado.
“Se o escrutínio vier a realizar-se nestas condições, corre-se o risco de conduzir o país para vários anos de contestação, além de poder “minar” ainda mais a legitimidade dos actos eleitorais, de agravar os conflitos no Leste e na região de Kasai”, considera o Grupo de Especialistas sobre o Congo (GEC), da Universidade de Nova Iorque, Estados Unidos.
 O relatório tem como título, "As Eleições de Todos os Perigos", e é referente à votação que deve escolher o sucessor de Joseph Kabila, no poder desde Janeiro de 2001.
 As Nações Unidas esperam que as eleições  constituam a "primeira transição pacífica de poder", desde 1960.
Um dos partidos da oposição denunciou, entretanto, o recurso "às máquinas de votar" e irregularidades nos cadernos eleitorais.
O recenseamento indica 40 milhões de eleitores, mas sete milhões de documentos não têm impressões digitais, facto que abre um precedente grave, segundo a Organização Internacional da Francofonia. "Há muito poucas máquinas (de voto)e  poucos aviões”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo