Economia

Turismo mundial recupera 60% dos níveis pré-pandemia

As chegadas de turistas internacionais entre Janeiro e Julho deste ano, quase que triplicaram os números registados em 2021, uma recuperação de quase 60 por cento dos níveis pré-pandemia.

28/09/2022  Última atualização 08H30
© Fotografia por: Dr

Segundo o último barómetro mundial do turismo da Organização Mundial do Turismo (OMT) divulgado terça-feira, para comemorar o Dia Mundial do Turismo que se assinala hoje, estima-se que cerca de 474 milhões de turistas viajaram pelo mundo durante este período, em comparação com 175 milhões nos mesmos meses de 2021. Durante os meses de Junho e Julho, foram registados 207 milhões de chegadas internacionais, mais do dobro dos números observados nos mesmos dois meses do ano passado, representando 44 por cento do total de chegadas registadas em 2022.

Na Europa, 309 milhões de chegadas internacionais foram registadas nos primeiros sete meses de 2022, 65 por cento do total global.

A Europa e o Médio Oriente registaram a recuperação mais rápida em Janeiro e Julho de 2022, com as chegadas a atingir 74 por cento e 76 dos níveis de 2019, respectivamente.

Movimento na Europa

A Europa recebeu nos primeiros sete meses do ano quase três vezes os números de 2021 no mesmo período, com níveis de recuperação de 79 por cento e de 84 em Junho e Julho face aos mesmos meses de 2019.

Por outro lado, as chegadas internacionais ao Médio Oriente aumentaram quase quatro vezes as registadas entre Janeiro e Julho de 2021, e ultrapassaram os níveis pré-pandemia em 3 por cento em Julho, impulsionadas pela peregrinação a Meca.

Por região, o sul da Europa mediterrânea (com 85 por cento das chegadas de 2019), as Caraíbas (82) e a América Central (80) apresentaram a recuperação mais rápida para níveis pré-pandemia entre Janeiro e Julho.

Entretanto, vários destinos registaram chegadas internacionais mais elevadas nos primeiros sete meses do ano, incluindo as Ilhas Virgens (mais 32 por cento em comparação com 2019), Albânia (19 por cento), Ilha de São Martinho (15), Etiópia e Honduras (ambos 13), Andorra (10), Porto Rico (7), Emiratos Árabes Unidos e República Dominicana (ambos 3), São Marino e El Salvador (ambos 1) e Curaçao.

Em termos de receitas do turismo internacional, a Sérvia (mais 73 por cento do que em 2019), Sudão (64 por cento), Roménia (43), Albânia (32), Macedónia do Norte (24), Paquistão (18), Turquia, Bangladesh e Letónia (todos 12), México e Portugal (ambos 8), Quénia (5) e Colômbia (2) excederam os níveis pré-pandemia entre Janeiro e Julho de 2022.

As despesas de turismo nos principais mercados de origem aumentaram de Janeiro a Julho em comparação com o mesmo período do ano passado, embora não tenham atingido níveis pré-pandemia.

O tráfego aéreo internacional de passageiros triplicou os números de 2021, mas permaneceu 45 por cento abaixo dos níveis pré-pandemia, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Como perspectiva para o resto do ano, o Painel de Peritos de Turismo da OMT é "cautelosamente optimista", porque embora se espere um desempenho acima da média, o am­biente económico incerto parece ter invertido as perspectivas de um regresso aos níveis pré-pandemia a curto prazo.

Composição da OMT

A OMT congrega, actualmente, 159 países, 6 membros associados e mais de 500 membros afiliados, estes últimos representando o sector privado, associações do sector, instituições de educação e autoridades turísticas locais.

Zurab Pololikashvili (Geórgia) é o  actual secretário-geral, tendo tomado posse em Janeiro de 2018 para um mandato de quatro anos (2018-2021).

A Organização Mundial do Turismo (OMT/UNWTO), com sede em Madrid, é uma agência especializada das Nações Unidas (desde 2003) e a principal organização internacional de âmbito turístico e um fórum mundial para o debate das questões da política de turismo.

Turismo é o motor do desenvolvimento

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considera o turismo como "um poderoso motor para o desenvolvimento sustentável".

Na sua mensagem divulgada na terça-feira em alusão a data, o diplomata destaca que o Dia Mundial do Turismo celebra o poder do turismo para promover a inclusão, proteger a natureza e promover a compreensão cultural.

Para ele, o turismo "contribui para a educação e empoderamento de mulheres e jovens e promove o desenvolvimento socioeconómico e cultural das comunidades. Desempenha um papel crítico nos sistemas de protecção social que formam a base para a resiliência e a prosperidade".

António Guterres destaca que se deve investir no turismo limpo e sustentável, diminuindo o consumo de energia do sector, adoptando caminhos de emissão zero e protegendo a biodiversidade.

"Devemos criar empregos decentes e garantir que os lucros beneficiem o país anfitrião e as comunidades locais. Governos, empresas e consumidores devem alinhar suas práticas de turismo com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e um futuro de 1,5°C", destaca.

Avançou que a "própria sobrevivência desta indústria e de muitos destinos turísticos, como os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, depende disso".

"Não há tempo a perder. Vamos repensar e reinventar o turismo e juntos, entregar um futuro mais sustentável, próspero e resiliente para todos", sublinha.

"Devemos repensar o turismo”

No Dia Mundial do Turismo, o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Zurab Pololikashvili,  pede que se faça "uma pausa, reflectir e repensar o que fazemos e como fazemos".

Em alusão a data, o gestor sublinha que durante quase quatro décadas, , "celebramos o crescimento sem paralelo do turismo – em tamanho, alcance e importância".

"Repensar um dos principais sectores económicos do mundo não será fácil. Mas já estamos bem encaminhados. A crise inspirou e catalisou a criatividade. E a pandemia acelerou a transformação do trabalho, trazendo desafios e enormes oportunidades para garantir que ainda mais pessoas se beneficiem do reinício do turismo. Também estamos fazendo progressos significativos para tornar o turismo um motor central das economias verde, azul e digital, garantindo que o crescimento não ocorra à custa das pessoas ou do planeta", aponta numa mensagem sore a data.

Segundo adianta, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, juntamente com seus 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, continuam a ser o objectivo final.

No entanto, "todas as partes do sector, desde a OMT e governos no topo até destinos e pequenas empresas na base, devem repensar como chegaremos lá. Isso exigirá a reestruturação dos modelos de negócios para que eles coloquem as pessoas em primeiro lugar".

Zurab Pololikashvili avança que este ano, não se pode voltar às velhas formas de trabalhar. "Devemos repensar o turismo".

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