Luacano é um município rico em paisagens, rios, lagos e pequenas florestas, onde se podem encontrar animais como palancas castanhas, nunces, bambi, porco-espinho, gnus, antílopes, jacarés, hipopótamos, todos oriundos do Parque Nacional da Cameia, município com o mesmo nome.
Além da construção e reconstrução de infra-estruturas sociais de que beneficia, Luacano é um município turístico. Alberga, o Lago Dilolo (o maior do país) e é uma região potencialmente pesqueira. Rodrigues Chipango Sacuaha, administrador do município de Luacano explica que a zona possui 13.573 quilómetros quadrados, é limitado a Norte pelos municípios do Luau (Moxico) e Muconda (Lunda Sul), a Este e a Sul pelo Alto Zambeze e a Oeste pela Cameia. O clima é tropical húmido; no inverno, é seco e fresco. Na época chuvosa, é quente de Outubro a Abril. A temperatura anual é sempre superior a 20 graus centígrados e por vezes atinge o máximo de 35 graus.
A data da elevação do local a município é incerta. Algumas pessoas conhecedores e funcionários da antiga administração colonial contam que passou à categoria de Administração do Conselho de Luacano no dia 12 de Março de 1965, mas foi escolhido pela administração actual, desde 2013, o Dia 12 de Março de 1968 como data de aniversário da região.
Até 2014, Luacano tinha 20.755 habitantes (Censo 2014). É um dos nove municípios da província do Moxico e a penúltima paragem dos Caminho de Ferro de Benguela (CFB), antes de chegar ao Luau, município fronteiriço. O Luacano, considerado município piscatório, é habitado, na sua maioria, pelos povos Cokwe, Luvales e Minungos, que possuem cultura vasta e rica em rituais, traduzidas nas grandes e pequenas celebrações realizadas nos distintos bairros da circunscrição.
A via ferroviária leva esperança aos habitantes do Luacano, desde 12 de Março de 2015, com o início da circulação dos comboios dos CFB, e está a transformar, significativamente, a vida económica e social dos habitantes. A circulação destes comboios, que começou com um serviço e aumentou a frequência para duas, está a facilitar a produção no sector agrícola e piscatório.
As pessoas viajam à cidade do Luena (217 quilómetros) e a outros municípios, nomeadamente, Luau, Cameia e Léua e às províncias do Bié, Huambo, Benguela, com comodidade e a preço acessível, uns para fins comerciais e outros para visitarem os seus familiares e amigos.
Lago Dilolo
O Lago Dilolo, o maior de Angola, é uma atracção turística que aguarda pelas acções para a sua valorização e exploração. Dados da Administração Municipal do Luacano indicam que o lago tem uma altitude média de 1.098 metros acima do nível do mar.
Quando chega o mês de Setembro, torna-se mais quente, com uma temperatura média de 32°C e desce drasticamente em Julho a 8,1 ºC. A sua temperatura é relativamente constante, mas cai bruscamente durante a noite, podendo haver alguns dias em que as temperaturas mínimas fazem congelar as águas. É inexistente a estação definida ao longo do ano.
O Lago Dilolo está interligado numa zona turística, onde se encontra um outro e o Parque Nacional, denominados por “Cameia”, o nome do município, sita ao longo dos CFB. Pela sua beleza turística inigualável, o lago precisa de valorização e investimentos em construção de infra-estruturas hoteleiras, lugares de lazer e outros empreendimentos para atrair turistas.
O turismo no município do Luacano necessita de ser mais bem explorado, para que, além de permitir descobrir mais zonas atractivas na região, seja uma fonte de receitas e oferta de emprego, bem como de exaltação da cultura e tradição dos diferentes povos que habitam a circunscrição.
Culturas mais produzidas
A mandioca, o arroz, a banana, a cebola, a cana-de-açúcar, o milho, o feijão, a batata-doce, a ginguba e a cebola são as culturas mais produzidas na região, numa actividade que envolve mais de oito mil camponeses, enquadrados em quatro associações legalizadas, designadamente, Kandumbuame, Lutai Lulhetu, Março Mulher e Mboio Ussombó.
Os sectores da agricultura e da pesca têm escoado os produtos através dos comboios, visto que as vias da municipalidade são de difícil acesso. A transportação por comboio torna-se barato, acessível, cómoda e veio coadjuvar, claramente, o comércio na região.
Como nos outros municípios, Luacano também carece de tractores, máquinas descascadoras de arroz, alfaias, catanas, enxadas, sementes, bem como fertilizantes, barcos de pequeno porte, anzóis, redes, linhas, coletes e bóias. Espera-se que estas dificuldades sejam solucionadas com a implementação do PIIM no município.
Luacano é um município piscatório; comporta cerca de vinte rios por meio do qual sobrevivem as populações, além da agricultura. A única dificuldade são as vias de acesso. Não tem estradas que ligam outras paragens. A única ajuda é dos caminhos-de-ferro de Benguela, que faz o corredor lobito-Luau, facilitando assim a populações nas deslocações e na evacuação dos produtos.
O administrador disse que, anteriormente, havia lojas que comercializavam o peixe até Luanda, mas agora não existem.
“Pessoas de outros países consomem mais o nosso peixe, com maior realce para os congoleses e zambianos. Dificilmente, os angolanos consomem o nosso peixe por falta de organização do comércio rural”. Um dos projectos para o município, é que futuramente, a zona vai alavancar a prática do cultivo de arroz, por ser uma zona com grandes chanas férteis e o Lago-Dilolo uma das comunas que têm experiencia no cultivo de arroz.
O PIIM no Luacano
Além das verbas do combate à pobreza, no âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), Luacano recebeu a sua fatia do bolo.
“Nesta fatia, programamos a terraplanagem do troço sede Lago-Dilolo, para publicitarmos esse terceiro maior lago da África Austral e os estudantes da opção de geografia possam fazer investigação e também transformá-lo em recursos turísticos para captarmos investimento para o município”, explicou o administrador municipal. A construção de escolas, tendo em conta que a luta é diminuir o número de crianças fora do sistema de ensino, é, segundo Rodrigues Chipango Sacuaha, outro dos projectos a realizar com as verbas do PIIM.
“Neste momento, temos duas mil crianças fora do sistema de ensino. Acredito que, com a construção de três escolas, vai reduzir este número. Vamos também apetrechar uma escola de 14 salas de aulas e reabilitar e melhorar os jardins, tendo em conta que a criação de zonas verdes é indispensável para a juventude e crianças em geral. Acho que, com este trabalho, teremos bons resultados no âmbito social”.
No que diz respeito à água, estão a aguardar que pela construção de um sistema de captação, porque falta o "líquido precioso" dentro do município.
No sector da saúde, Rodrigues Chipango Sacuaha diz que a situação está melhor que nos anos anteriores. “Não temos problemas. Temos um hospital municipal com o seu orçamento, temos três centros e sete postos que estão a servir a população. Com as verbas do ano passado, conseguimos assegurar a população em termos de medicamentos e não temos razões de queixas”, afirma.
A única reclamação no sector é a falta de pessoal. “Há escassez de médicos e enfermeiros, para prestarmos melhor serviço às populações. Só existem dois médicos e sete enfermeiros no Hospital Municipal de Luacano e não respondem à demanda”., elucida.
Rodrigues Chipango Sacuaha defende a necessidade de abertura de bancos comerciais na sede municipal, para facilitar as transacções financeiras e a concessão de crédito aos camponeses. A instalação de agências bancárias na sede municipal, realçou o administrador, vai propiciar o desenvolvimento das actividades agrícolas e piscatórias.
“A falta de bancos comerciais tem provocado vários constrangimentos aos trabalhadores, que, para levantarem os seus salários, percorrem grandes distâncias até à cidade do Lwena, capital da província do Moxico, ao Saurimo (Lunda Sul) ou aos municípios do Léua e Luau. a Administração já contactou, sobretudo, o Banco de Poupança e Credito (BPC), no sentido de abrirem balcões com a maior brevidade possível no município”, diz.
Por outro lado, Rodrigues Chipango Sacuaha lamenta a má qualidade do sinal das provedoras de telefonia no município. "Somente serve para a troca de mensagens", informou o responsável, alegando ser um problema de mais quatro anos. Apesar de terem recebidos visitas de técnicos da empresa, não há melhoria no sinal.
Encantos e mitos
No site do Governo da província do Moxico encontramos o conto popular do famoso Lago. O Lago Dilolo é na verdade um “monstro natural”, que guarda dentro e fora encantos e mitos de “arrepiar”. No passado recente, o Lago, antes denominado Kalumbo, um rio cuja nascente, segundo os habitantes, “emitia” vozes de pessoas invisíveis, possivelmente feminina, no período da tarde e à noite, quando um aldeão passava. “Oku unakuya naukasavala nyi naukakinduluka?” pergunta a suposta voz, em idioma Luvale, uma das mais faladas da região. Em português, significa “onde vais, irás dormir ou voltas?”. Se o aldeão responder “Nangukahiluka”, ou seja, “volto”, ao regressar encontra a o rio com a maré alta; se disser “Nangusavala”, pernoito, e ele voltar, o rio no seu estado normal e passava sem motivo de preocupação.
Os aldeões deram conta da trapaça da voz feminina que também a apelidaram de Kalumbo wa kola, originaria do pequeno rio localizado a cerca de um quilómetro da sede comunal, que quando passava no local, após a pergunta feita pela senhora, respondia simplesmente “Nangusavala”.
Segundo alguns relatos, um certo dia, apareceu, numa das aldeias próximo do rio Kalumbo, uma idosa estranha a vaguear de casa-em-casa, com peixinhos nas mãos, para trocar com outros produtos para seu sustento. Infelizmente, devido ao seu aspecto debilitado e com infecções por todo o corpo, foi rejeitada.
A idosa, cansada de tanta rejeição de populares, decidiu fazer uma última tentativa de troca de produtos, antes de prosseguir com a sua viagem misteriosa e sem destino. Felizmente, foi recebida por alguém que lhe deu alimentos, em troca de nada.
Após este acto benevolente, a anciã agradeceu o gesto raro e deixou um aviso à família que lhe acolheu. “Handemba namikevua lizo lya muthu nguenhi calumbo weza, calumbu weza mikaya limbo lieka”. Ou seja, fez uma advertência: “ouvirão de madrugada uma voz a dizer; calumbo chegou, calumbo chegou, deve fugir e ir noutro bairro”.
Assim aconteceu, na madrugada do dia posterior, a senhora e sua família ouviram a voz, sem avisar ninguém, conforme a recomendação da misteriosa idosa, fugiram e foram para outra aldeia. Após a saída desta família “abençoada”, naquela noite caiu uma forte chuva que não parava. Os moradores inicialmente pensavam que era algo extremamente normal, mas a chuva não parou de cair e começou a aumentar a de intensidade e força. Por fim, acabou por deixar todos moradores sem “chances” de sair das suas casas. Todos foram submersos.
O soba e os chefes de famílias que iam à caça de regresso encontraram o bairro submerso, entraram no local e desapareceram também. Reza a história que os moradores submergidos até hoje continuam a viver debaixo da água e é possível ainda ouvir as vozes debaixo da água, uma vez a outra. O rio Calumbo e o lago Dilolo encontram-se actualmente juntos.
O administrador do município de Luacano anseia pela presença de empresários nacionais e internacionais para investirem no turismo da localidade, que muito pode contribuir para os cofres do Estado.
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