Cultura

“Tunahete” pede mais atenção à dinamização das artes cénicas

Carlos Paulino | Menongue

Jornalista

O líder do grupo teatral Tunahete, Daniel João, lamentou o estado de letargia em que se encontra o teatro no Cuando Cubango, apelando ao Governo da Província para encontrarem formas de dinamização do sector.

26/09/2022  Última atualização 08H52
Grupo Tunahete em exibição de um espectáculo de teatro no Cuando Cubango por ocasião do Dia Internacional do Jornalista © Fotografia por: Nicolau Vasco | Edições Novembro| Menongue

O grupo é um dos melhores da província, e lembrou que o teatro já foi umas das expressões de maior referência na localidade. De nome artístico Tio Herculano, o responsável afirmou o grupo arrebatou muitos prémios em festivais nacionais e internacionais, "agora tudo desmoronou por falta de apoios financeiros, além da falta de espaços para a  apresentação das peças”.

A letargia do teatro é extensiva a nível da província, embora tenha reconhecido e enaltecido o apoio financeiro que recebe do governador provincial, José Martins, e de algumas pessoas singulares, para que o grupo "Tunahete” possa realizar, bianualmente, actividades em Menongue.

A designação do grupo, "Tunahete”, palavra em Nganguela, significa "Já cheguei”. Criado em 2016, no bairro Primeiro de Maio, arredores da cidade de Menongue, sendo o fundador Tio Herculano, e conta com 16 integrantes.

O director do grupo conquistou vários prémios, com destaque para o de melhor actor, na peça "O tio Herculano e as ngonguenhas do álcool”, na XVII edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), realizada, em Luanda , no ano de 2016, em que teve a participação especial de grupos de Moçambique, Alemanha, França e Chile.

Em consequência, o director e encenador do grupo foi convidado a apresentar a mesma peça num festival de teatro, que decorreu em Moçambique, em Novembro do mesmo ano.

Em declarações ao Jornal de Angola, Daniel João disse ter sido a melhor distinção que o grupo "Tunahete” conquistou desde a sua criação, e que permitiu o actor representar condignamente o país, em geral, e em particular a província do Cuando Cubango.

Daniel João é também director artístico da Associação Provincial de Teatro do Cuando Cubango (APROTECC) disse que apesar de várias dificuldades, o teatro na província está a avançar em comparação com os anos anteriores, tendo em vista que muitos grupos teatrais têm sido convidados para participar em alguns festivais nacionais e que são premiados nos lugares cimeiros.

Lembrou que o grupo, fruto da sua performance, venceu vários prémios em festivais provinciais, nacionais e internacionais, com destaque para de melhor actor, cenário, caracterização e actor relevação. 

"Por este facto, os ingressos são vendidos a 2500 kwanzas. Conseguimos lotar a sala e arrecadar cerca de 500 mil kwanzas, que serve de estímulo aos integrantes do grupo, além de custear algumas despesas”, disse.

Salientou que actualmente as pessoas na província estão a ganhar a cultura de comprar ingressos para assistirem uma peça teatral. Nos anos anteriores nem com convites oferecidos, não compareciam aos espectáculos.

Com a venda de ingressos, Daniel João consegue, há mais de dois anos, obter rendimentos financeiros, incluindo os convites que recebe para a exibição de peças teatrais, particularmente em eventos de instituições governamentais e privadas, assim como em festas de aniversário e casamento.

As peças do grupo "Tunahete” retratam as consequências do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, o regaste dos valores cívicos, combate ao analfabetismo, delinquência, prostituição, endemias, fomento da actividade agrícola e motivação à formação profissional dos jovens.      

 

Falta de salas

A falta de salas apropriadas para a exibição de peças teatrais e patrocínios por parte da classe empresarial são apontadas como principais dificuldades que os dez grupos registados na Direcção da Cultura enfrentam.

Para a exibição das peças, os grupos recorrem aos locais improvisados, como o anfiteatro da escola primária e do primeiro ciclo do ensino secundário "4 de Fevereiro”, e na sala de reuniões da Administração Municipal de Menongue.

Informou que há mais de dez anos que APROTECC tem solicitado ao Governo da Província a construção de pelo menos uma sala para eventos culturais, teatro e outras modalidades artísticas, "mas que até hoje não se verifica qualquer luz no fundo do túnel”, desabafou, referindo que a falta de atenção das autoridades se deve à ausência de um festival nacional de teatro na província.

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