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Tshisekedi e Kabila negoceiam coligação

Para tentar ultrapassar o impasse político que tem impedido a formação de um Governo na RDC, o Presidente Félix Tshisekedi reuniu domingo com o seu antecessor, Joseph Kabila, para o possível estabelecimento de uma coligação que permita ultrapassar a situação.

19/02/2019  Última atualização 08H26
DR © Fotografia por: Presidente eleito da RDC (à esquerda) tenta consenso com partido que venceu as legislativas

Tratou-se do primeiro encontro a sós entre o anterior e o actual Presidente da República após a realização das eleições e constitui a única saída aparentemente viável para que a RDC possa ter um Governo em funções, quase dois meses depois da realização das eleições de 30 de Dezembro.

Como habitualmente sucede quando um Presidente da República não tem uma maioria parlamentar que lhe permita a aprovação de um programa de Governo, também na RDC a solução é negociar uma coligação que possa satisfazer minimamente as ambições políticas de ambas as partes.
Na sua qualidade de presidente da plataforma que conquistou a maioria parlamentar, com 337 dos 485 deputados, Joseph Kabila é uma peça incontornável no futuro político do país, eventualmente já a pensar também numa nova candidatura presidencial dentro de cinco anos. Sem um prazo de tem-po previamente traçado, tanto Tshisekedi como Kabila têm agora que chegar a acor-do para escolher o nome do futuro primeiro-ministro e depois, então sim, negociar a distribuição das diferentes pastas governamentais. Será na negociação dessas pastas que poderão surgir as principais dificuldades, pois ainda recentemente a imprensa congolesa referia que Kabila não abre mão dos ministérios do Interior e das Finanças, mesmo que para isso tenha que abdicar da Defesa.
Refém também da coligação que o elegeu, Félix Tshisekedi, que no Parlamento apenas conta com o apoio inequívoco de 32 deputados, não possui um grande espaço de manobra sobretudo porque sabe das dificuldades que o esperam para daqui a cinco anos poder disputar a sua reeleição se tiver como rival Joseph Kabila.
Por isso, os próximos dias serão decisivos para avaliar o poder negocial do novo presidente e a disponibilidade de Kabila para abrir mão de algumas das suas exigências, sob pena de transmitir a ideia reforçada de que é ele a pessoa que continua a mandar no país.

Eleições em Yumbi podem ser adiadas
As eleições na localidade de Yumbi, província de Mai-Ndombe, podem voltar a ser adiadas caso não se verifique o regresso dos deslocados e não seja feito um trabalho de reconciliação para evitar novos confrontos naquela região da RDC.
Uma comissão multissectorial composta por membros do Governo que está em funções, da Missão das Nações Unidas, das Forças de Defesa e Segurança e da Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) esteve recentemente no local para avaliar a possibilidade de o pleito ser realizado.
Pouco mais de 67 mil eleitores foram registados naquela circunscrição, onde a Monusco reclama sobre a transparência e a credibilidade das eleições.
Recentemente, Mathias Gillmann, porta-voz interino da Missão da ONU para a estabilização do Congo (Mo-nusco), informou que a regularização da situação dos deslocados pode durar mais tempo por causa da dimensão da destruição, da perda de bens, da falta de meios de subsistência e da autoridade do Estado.
Segundo a Caritas-Developpement da Arquidiocese de Mandanka-Bikoro, os confrontos de Yumbi provocaram 19 mil deslocados, dos quais 16 mil em Makontimpoko, três mil em Lukolela e Bolobo e outros nos campos que circundam a localidade.
Enquanto isso, na região do Kasai Central, centenas de rebeldes do grupo etnotribal Kamwina Nsapu apresentaram-se às autoridades locais com as suas armas.
A mesma situação verifica-se em Ituri (norte), Kivu do Norte e Kivu do Sul (leste) onde as Forças Armadas Congolesas (FARDC) estão a anunciar rendições diárias de vários grupos armados.
Neste momento, as autoridades estão a trabalhar na criação de mecanismos apropriados para a sua integração, seja nas Forças Armadas, na Polícia seja na vida civil.

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