Sociedade

Três projectos de impacto social em construção no município do Púri

No âmbito da implementação do Programa Integrado de Intervenção dos Municípios (PIIM), o município do Púri, no Uíge, beneficiou de 900 milhões de kwanzas para a execução de três projectos de impacto social, nomeadamente de sinalização e asfaltagem de cinco quilómetros de ruas do casco urbano, construção de um centro materno infantil, magistério primário e um instituto médio politécnico.

02/12/2020  Última atualização 12H50
© Fotografia por: DR
A administradora municipal do Púri, Delfina António Henriques, que avançou a informação ao Jornal de Angola, assegurou que os trabalhos decorrem em ritmo acelerado. "Para a execução desses projectos, beneficiamos de 900 milhões de kwanzas, dos quais 475 milhões foram destinados a terraplanagem e asfaltagem das ruas da sede do município”, esclareceu.

A gestora defendeu a necessidade de os responsáveis das obras continuarem a trabalhar com o mesmo dinamismo, "para que os prazos contratuais estabelecidos sejam cumpridos, e as obras tenham a qualidade necessária”.

Delfina Henriques sublinhou que a conclusão das obras do PIIM no Púri vai significar o aumento da oferta escolar, melhoria dos serviços de saúde e das vias de comunicação. "Assim, estaremos a marcar passos importantes no desenvolvimento da localidade”, disse, para realçar que "com a construção destas escolas, o município começa a criar as condições necessárias para que nos próximos anos se faça a abertura de um núcleo do ensino superior, na localidade”.

"E, com a construção do centro materno infantil, o município terá serviços de saúde essenciais, à disposição da população”, referiu.
Satisfeito com as obras em curso no município, o soba grande do Púri, João Mendes, enalteceu a pronta resposta do Governo às preocupações pontuais da população. "Aqui vivemos há muitos anos e, nunca vimos trabalhos de asfaltagem nas ruas da vila. Os nossos filhos nunca frequentaram escolas de formação profissional. Com as acções do PIIM, a nossa população vai respirar de alívio”, disse.

Apoio aos camponeses

Os camponeses do município do Púri, a cerca de 88 quilómetros da cidade do Uíge, beneficiam, da administração local do Estado, de apoios em terras preparadas para o cultivo e inputs agrícolas, para garantir uma boa safra no final da presente campanha agrícola.
O Jornal de Angola sabe que mais de 450 hectares de terra foram preparados e distribuídos a centenas de camponeses da localidade, integrados em 43 associações e 22 cooperativas agrícolas. "Estamos a implementar o processo de mecanização da produção agrícola no município, para podermos produzir em maior escala”, disse a administradora Delfina Henriques.

Este ano, disse, além dos terrenos destinados ao cultivo, os agricultores beneficiaram de enxadas, catanas, limas, botas de borracha, motobombas e regadores. Delfina Henriques avançou que a Administração Municipal do Puri trabalha com os bancos na implementação do Projecto de Apoio ao Crédito (PAC), para que os agricultores da localidade tenham acesso ao crédito agrícola.
"Boa parte dos associados já organizou os requisitos necessários para aderirem ao PAC. Temos a plena confiança que se forem financiados, vão produzir mais, e obter rendimentos para cumprirem com as suas responsabilidades com os bancos, visto que estão bastante engajados na produção”, afiançou.

No Puri, a produção de mandioca, cana-de-açúcar, milho, amendoim, batata-doce e rena, banana, melancia e hortícolas aumentou consideravelmente. Para facilitar a circulação de pessoas e bens, algumas vias de acesso às principais zonas de produção, fundamentalmente as que ligam às localidades de Quimuenga, Quifutila e Cassinga, com 37, 20 e 23 quilómetros de distância, respectivamente, em relação à sede municipal, recebem obras de reabilitação.


Aposta na aquicultura

Com um total de 426 tanques, nos últimos dois anos o número de criadores da tilápia e bagres cresceu de 73 para 104. "Já se produz quantidades consideráveis de peixe. Uma parte está a ser consumida localmente e, também, já começamos a abastecer outros mercados, hotéis e grandes superfícies comercias da província”, revelou a administradora.

Um criador de peixe no Púri reclama a falta de redes para a captura do pescado, e de um fornecedor de ração de engorda e reprodução. Sebastião Artur defende maior intervenção da administração local do Estado e do Governo provincial, no sentido de os criadores ultrapassarem dificuldades como estas, que condicionam na produção e comercialização do peixe.

Mais consumidores de energia

Na vila municipal do Púri, mais de seis mil moradores beneficiam de energia eléctrica através de uma central térmica, constituída por três grupos geradores. O de 660 KVA fornece energia eléctrica domiciliária das 17h00 até a meia-noite, enquanto o gerador de 100 KVA garante a iluminação pública da vila, das 17h00 às 7h00 horas. Outro, de 80 KVA, assegura o funcionamento das instituições públicas e privadas, no período que vai das 7h00 às 17.

A administradora do Púri, Delfina Henriques, avançou que, neste momento decorrem trabalhos de reabilitação e ampliação da rede eléctrica, da sede do município até aos bairros mais recônditos. Explicou que, neste âmbito, mais de 100 postes de iluminação pública já foram instalados em algumas ruas da localidade.

"Estamos a substituir todos os cabos e postes de iluminação que se encontram em estado obsoleto, e estender a rede eléctrica a todos os bairros da sede municipal”, informou a responsável.

Quanto a água, dos 6.359 habitantes apenas 368 beneficiam do líquido precioso, através de um sistema construído na era colonial. Para se inverter o quadro, está em construção, na vila do Púri, um novo sistema de captação, com reservatório de 90 mil metros cúbicos de água.

Nos bairros da periferia estão a ser construídos chafarizes e lavandarias, para encurtar as longas distâncias que os habitantes da localidade percorriam, em busca do produto, ou para lavar a roupa nas margens dos rios.
Enquanto isso, nas regedorias e bairros com maior densidade populacional foram construídos centros de captação, tratamento e distribuição de água, e feitos furos artesianos. Os trabalhos prosseguem para a construção de outros equipamentos nas localidades onde ainda não existe água potável.

Delfina Henriques esclareceu que os trabalhos de construção de novos sistemas de água decorrem no âmbito do Programa de Combate à Fome e à Pobreza. A responsável defendeu a inclusão, no PIIM, de um orçamento para a construção de uma mini-hídrica, pontes e pontecos que ligam às diferentes localidades da vila, e a reabilitação de algumas vias terciárias.

Saúde com poucos médicos

Apenas três médicos, 26 enfermeiros e um técnico de diagnóstico atendem as várias situações de saúde manifestadas pelos cerca de 43.730 habitantes. O sector funciona com 16 unidades sanitárias, sendo um hospital municipal, nove centros e seis postos de saúde.
"Temos alguns postos de saúde que não funcionam por falta de enfermeiros. Aliás, a maioria dos técnicos de enfermagem trabalha no Púri em regime de contrato”, revelou a administradora, esclarecendo que a administração municipal enfrenta dificuldades para pagar os subsídios aos funcionários contratados.

O município necessita de pelo menos quatro médicos cirurgiões para fazer funcionar os dois blocos operatórios do hospital, equipados com material cirúrgico de ponta. Mas não funcionam, devido a falta de especialistas.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade