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Três em cada 100 habitantes estão infectados com VIH/Sida

Um estudo realizado pelo Gabinete Provincial da Saúde no Cuanza-Norte revela que  num grupo de 100 habitantes locais, três estão infectados com o vírus do VIH/Sida. Esta informação consta num relatório do Movimento Nacional Angola Avante, segundo a directora local da Saúde, Filomena Wilson, que falava no fim-de-semana,  na localidade de Camuaxi,  na conferência sobre a extensão do ensino universitário nas comunidades.

11/12/2018  Última atualização 05H22
Marcelo Manuel | Edições Novembro | Ndalatando © Fotografia por: Directora provincial da Saúde no Cuanza-Norte apresentou um panorama sobre o VIH/Sida

Segundo a responsável, o  documento foi produzido com base numa inventariação feita  por 80 estudantes universitários das províncias de Luanda e  do Cuanza-Norte. “Nos últimos três anos, foram registados 1.593 casos positivos de VIH/Sida na província, elevando os níveis de prevalência de 0,1 por cento, para três, com o município do Cazengo  a revelar-se como o mais endémico, com um total de 1.244 casos”, sublinhou Filomena Wilson.
A directora da Saúde na província frisou que as condições de precariedade da população são, fundamentalmente, as  principais causas do aumento da doença, pois muitas jovens enveredam pela prostituição. “Temos informações de que muitas mulheres  têm relação sexual nas zonas periféricas  a troco de 200 kwanzas e, às vezes, até  por  kilapi”, disse, acrescentado que existem na província vários pontos preferenciais  para a prática de prostituição, concretamente nos arredores das bombas de combustíveis, hospedarias, zonas de convívio e lazer, para além das proximidades de bairros periféricos.
Na óptica da responsável, a construção de vários empreendimentos económicos e sociais, como barragens, e a retomada da  circulação do comboio relançaram,  com incidência, as relações humanas na região entre  cidadãos nacionais e estrangeiros, “facto que também contribui para o aumento de casos da epidemia.”
Filomena Wilson disse  que o levantamento efectuado pelos estudantes  universitários   permitiu  descobrir  que muitas  pessoas  na província convivem com o vírus há mais de 20 anos. “Estas pessoas são actualmente as testemunhas das complicações que a doença pode apresentar, caso a pessoa infectada não adira ao tratamento atempadamente”, frisou , recordando que o primeiro Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) foi criado no município do Cazengo, em 2005.
A responsável da Saúde no Cuanza-Norte  recordou que em Angola a  prevalência da doença é de 2,4 por cento. “As mulheres grávidas são as que mais prevalência apresentam, com cerca de três por cento, e a taxa de  seropositivos com tuberculose é de 340,1 casos, por 100.000 habitantes.” Filomena Wilson acha que a epidemia  do VIH/Sida continua a ter um profundo impacto sociodemográfico e económico na região africana. “Estudos realizados pela Organização Mundial  da Saúde prevêem que, em 2050, a esperança média de vida seja de 12 a 17 anos menos, em comparação com outras regiões do mundo, caso não se tome medidas sérias no combate à enfermidade”, disse, acrescentando, “na África Subsaariana, existem 23,5 milhões de seropositivos, dos quais 3,1 milhões são crianças com menos de 15 anos de idade, o que representa quase 80 por cento dos infectados  no mundo.

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