Economia

Transportadoras do Moxico querem melhorias das estradas

Lino Vieira | Luena

Jornalista

As empresas de transporte público na província do Moxico estão a enfrentar vários constrangimentos na circulação rodoviária devido o mau estado das estradas na região.

15/09/2022  Última atualização 08H10
© Fotografia por: Edições Novembro

De acordo com dados levantados pelo Jornal de Angola, os troços Dala/Saurimo, Luzí/Lumbala Nguimbo, Luzí/Luchaze, Lucusse/Lumbala Caquengue e Luau/Cazombo são as rotas que tiram sossego aos automobilistas que, diariamente, utilizam aquelas vias para a transportação de mercadorias e passageiros.

Vários utentes contactados afirmam que o estado actual destes troços representa  um grande obstáculo no desenvolvimento económico da região, pois que algumas destas vias ligam  zonas de maior produção agrícola, pesca continental e apicultura.       

O automobilista Domingos Chinhama lamentou que em cada viagem que efectua depara-se com enormes prejuízos na viatura, devido ao mau estado das estradas.

"Estamos a ter custos altos para mantermos as viaturas nestes troços e por causa disso é impossível fixar-se uma taxa única na transportação de mercadoria e passageiros”, disse.   

Sublinhou que o desenvolvimento do Moxico vai depender da qualidade das vias de acesso, para facilitar o escoamento de produtos do campo para os grandes centros comerciais.   

O director do Gabinete Provincial dos Transportes, Octávio Vaz, afirmou que a instituição que dirige  controla 28 empresas de transporte rodoviário público, que operam em várias rotas interprovinciais e municipais.

O responsável disse que algumas vias por apresentarem o estado crítico, as empresas receiam em colocar os autocarros nestas estradas e como alternativa, os passageiros utilizam viaturas 4x4, mas em péssimas condições de viagem.  

A ligação intermunicipal segundo Octávio Vaz só é   feita em condições normais, nos troços Luena/Camanongue  52 quilómetros, e Luena/Lucusse  133 quilómetros, totoalmente asfaltados.

Quanto a ligação interprovincial, na  estrada nacional 180  Luena/ Saurimo, o   director dos Transportes sublinhou que  existem algum troço Luachimo/ Saurimo, numa extensão de 15 quilómetros que ainda continua a preocupar os automobilistas. 

No que toca a transportação de mercadorias e passageiros, afirmou que, em 2021, foram trasnportados 223.055 passageiros e várias toneldas de diversas mercadorias em várias rotas interproviciais e municipais.  

Segundo o responsável há muita procura dos transportes públicos devidos aos preços praticados em relação aos serviços particulares,  sublinhando que, os preços não estão uniformizados entre as empresas tranportadoras. 

Octávio Vaz disse que a província do Moxico, devido a sua dimensão geográfica,  pricisa  mais autocarros e transportes de carga para facilitar o escoamento de produtos agrícolas.

"Com o melhoramento das vias de acesso nos bairros periféricos da cidade do Luena, em curso, teremos a necessidade de mais autocarros para atender todos os habitantes das zonas urbanas”.

Falando de acessórios para manutenção dos meios, o responsável afirmou que o mercado local não dispõe deste material pois que, a única alternativa tem sido na capital do país.

Os acessórios mais consumíveis nestes meios de transportes são os filtros, cintas, pneus, cámeras de ares, amortecedores, para-choques e entre  outros que devido ao mau estado das vias se danificam com facilidade.

Quanto ao Caminho-de-Ferro de Benguela, CFB, o responsável afirmou que este meio, tendo em conta a sua capacidade, tem  contribuído de forma positiva na transportação de passageiros e mercadoria em grande escala.

 Octávio Vaz disse que a nível do Moxico, a Direção Regional do CFB controla 15 estações de  Cangonga ao  município fronteiriço do Luau, num percurso de 456 quilómetros.

Em 2021, de acordo com   o diretor, foram transportados 441.923 passageiros e diversas mercadorias num total de 1.222 ligações .      

Ainda no mesmo período, foram transportados 20.673 metros cúbicos de gás butano, 40.636 de combustíveis, 31119 toneladas de minério e 119. 572 de mercadorias diversas.  

Daimira Dimas proprietária duma frota de dois autocarros que conseguiu através de um crédito automóvel, disse que apesar de vários constrangimentos, o serviço prestado tem estado a altura da exigência da população. 

A frota que opera   nas rotas urbanas da cidade do Luena, segundo a empresaria pretende melhorar a cada dia o serviço e trabalhar para aumentar mais meios de transportes no futuro próximo.

 Lamentou o excesso na rota urbana principalmente nos troços Vila-Luso/Cidade e Mandembwé, sublinhando que, os  órgãos de direito fiscalizem para travar as empresas que insistam usarem esta rota de forma ilegal.

 "Na cidade do Luena, existem apenas uma rota urbana com mais rendimento em detrimento de outras que são menos rentáveis, o que motiva quase todas as operadoras de transporte, usar a mesma via”.

A empresária lamentou os altos preços na aquisição de peças dos veículos, principalmente os pneus. "Os preços são muito caros, temos estradas que não facilitam e com estes preços praticados ficamos sufocados porque estamos constantemente a trocar os pneus e amortecedores devido as condições das estradas”.    

 Jeovan Guilherme é automobilista que faz a rota Luena/Lumbala Nguimbo, disse que o troço é bastante movimentado por ser uma zona bastante agrícola.

A cada percurso de 357 quilómetros, segundo o motorista,  cobra entre cinco a sete mil kwanzas por cabeça, sem contar com a bagagem que é cobrada a parte. Falando dos  constrangimento, Jeovan Guilherme afirmou que a única dor de cabeça tem sido o estado   técnico da via, principalmente no troço que liga Luzi/Lumbala N’guimbo.

"Nesta fase está tudo bem, mas com início das chuvas, será um período bastante difícil com o surgimento de buracos aos longo de toda via”, explicou.

Estevão Mateus, 41 anos, é motorista de uma viatura de marca Land- Cruiser. Faz o percurso Luena/Saurimo, neste tempo a viagem é de tres hora, mas no período chuvoso pode demorar mais de cinco horas devido alguns troços que travam a marcha.

"O maior obstáculo encontramos no troço  Luachimo /Saurimo, num percurso de 100 quilómetros, que acaba de consumir grande parte do tempo da viagem”, afirmou, tendo acrescentado que o custo de viagem por passageiro ronda entre sete e cinco mil kwanzas num percurso de 262 quilómetros.

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