Opinião

Transição ecológica

Juliana Evangelista Ferraz |*

Hoje mais do que nunca é ponto assente a necessidade de mudar urgentemente a relação entre as pessoas e a natureza. Ou seja, o actual modelo de criação de riqueza mundial prosperou à custa da degradação de recursos naturais e da desigualdade social, impedindo o crescimento sustentável da economia mundial.

09/11/2021  Última atualização 09H55
O excesso de consumo e o crescimento industrial, exigem dos poderes públicos, iniciativa privada e sociedade civil organizada uma nova abordagem de forma a conter a emissão de gases de efeito estufa e outros efeitos tóxicos da extracção de recursos.

A Conferência da ONU- Organização das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26) reuniu na Escócia – Glasgow, cerca de 200 Chefes de Estado com o objectivo  de negociar  e definir as acções de combate à crise climática global, com vista a transição para uma economia de baixo carbono. Esta conferência das Nações Unidas surge em decorrência do acordo de Paris e o Acordo de Quioto. Em 2015 a (COP 21) reuniu 195 países em França e terminou com o mais significativo acordo internacional sobre o clima – o Acordo de Paris, que substituiu o Acordo de Quioto de 1997.

Assim, de entre outras estratégias a serem adoptadas, é importante substituir o modelo económico linear de extracção, fabrico, uso e descarte de produtos, que deve dar lugar a um novo modelo que permita a reutilização, a manutenção, a reciclagem, para uma maior durabilidade dos produtos. Espera-se que com esta abordagem se possa criar um conjunto de novos empregos, naquilo a que se chama economia circular, que dinamizará a economia verde, emprego verde, energia renovável, agricultura sustentável,  indústrias de baixa emissão de carbono, tratamento de resíduos e o turismo.

Portanto, as conclusões extraídas da 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, reiteram a necessidade de uma maior interdependência entre os países, porque é desta correlação que se constrói os caminhos da paz, segurança, desenvolvimento e prosperidade. Daí, a urgência de se reforçar os mecanismos de cooperação e solidariedade multilaterais para um desenvolvimento verdadeiramente sustentado.

È importante referir que a Agenda Nacional de Desenvolvimento está alinhada ao instrumento da Organização das Nações Unidas (ONU). Portanto, os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da agenda visam guiar o mundo até 2030, são importantes porque exigem uma grande colaboração dos países, empresas e  cidadãos, ou seja as soluções de políticas públicas têm que vir dos ODS, tem de haver uma visão integrada dos ODS para implementação de uma determinada política pública em concreto, influenciando as mais diversas áreas da vida das sociedades, onde os temas desde a Responsabilidade Social e Ambiental, encontram um grande acolhimento espelhado não só nos objectivos, como nas metas da Agenda 2030.

Chegados a esta altura é importante perceber qual o grau de concretização da agenda 2030, num período particularmente difícil de crise económica e de pandemia.  É nesta perspectiva que cabe revisitar o 9º ODS- "Indústria, inovação e infra-estruturas”, este objectivo impõe desafios aos Estados como o de promover a industrialização inclusiva e sustentável e, até 2030, aumentar significativamente a participação da indústria no sector de emprego e no PIB, e por outro lado, duplicar a sua participação nos países menos desenvolvidos, que tem sido extremamente difícil de se concretizar a contar com a conjuntura mundial que se agudizou com a pandemia da Covid-19.

Portanto, obter bons resultados neste objectivo, requer de forma intrínseca taxas de crescimento consideráveis. De referir que a economia nacional registou em 2020 um produto de cerca de 59,4 mil milhões de USD, deixando de fazer parte das posições cimeiras do ranking das economias mais pujantes da região.

Portanto, este facto obriga  que o país  acelere o processo de  reformas quer no que toca ao contexto de negócio que deve ser melhorado, quer no que se refere às reformas sectoriais no sentido de se liberalizar algumas actividades, por via de uma participação mais expressiva do sector privado, principalmente para os sectores não petrolíferos, uma vez que em 2020 mais de 90% do investimento estrangeiro dirigiu-se particularmente para o sector petrolífero, ignorando outras áreas de investimento com um potencial extraordinário de desenvolvimento.

Apesar da recente  inversão no sentido da diversificação  da economia, o país ainda é  muito dependente dos recursos naturais e precisa de melhorar e modernizar toda a infra-estrutura técnica desde (aeroportos, estradas, saneamento básico, telecomunicações etc) de forma  que o sector privado reforce a produtividade e a inovação em projectos estruturantes,  sem dúvidas o investimento privado terá uma contribuição mais expressiva no PIB.

Por outro lado, desenvolver consideravelmente a economia não petrolífera, investindo fortemente num capital humano que se pretende mais qualificado para fazer face aos desafios tecnológicos que se avizinham, sobretudo com a nova era pós-Covid, em que se prevêem a alteração de um conjunto de paradigmas, e o surgimento de novas tendências nas esferas económicas, politicas e sociais que certamente irão contribuir significativamente  para um desenvolvimento socioeconómico do país.

* Economista

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