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Tráfico humano diminuiu em África a Sul do Saara

O número de vítimas de tráfico humano detectado na África subsaariana diminuiu ligeiramente em 12% entre 2019 e 2020, refere o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas das Nações Unidas, relativo a 2022 e divulgado, ontem, e citado pela Reuters.

25/01/2023  Última atualização 11H25
© Fotografia por: DR

Segundo o documento, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), as crianças continuam a representar a maioria das vítimas detectadas e se a elas se juntar as mulheres, o total de vítimas destes dois grupos populacionais traficados na África subsaariana é de 62%.

"Entre 2019 e 2020, a taxa de vítimas infantis por 1.000.000 habitantes aumentou 43%", todavia, detalha o relatório, "são detectadas menos vítimas por 100 mil habitantes do que noutras partes do mundo”. "Embora a exploração sexual seja historicamente uma forma de exploração noutras regiões que registam maioria de vítimas do sexo feminino, o trabalho forçado continua a ser a forma mais comum de tráfico detectada na África Subsaariana, particularmente nos países da África Oriental, em que o tráfico para trabalho forçado representou 80% da forma de exploração para o total de vítimas registado em 2020”, aponta o relatório.

Em comparação com outras regiões de tráfico transfronteiriço, as vítimas da África Subsaariana são detectadas num número crescente de países, tanto dentro como fora da região de origem. Segundo o relatório, 85% das vítimas detectadas em 2020 foram traficadas domesticamente e nas situações em que foram detectadas vítimas estrangeiras, a maioria era traficada dentro da região de outros países da África Subsaariana, particularmente de países da África Oriental e Austral.

"Os relativamente poucos fluxos de longa distância para a África Subsaariana são originários principalmente do Sul e Leste da Ásia. No entanto, os fluxos da África Subsaariana são muito mais variados e extensos. A maioria que é traficada fora da região e detectada em países do Norte de África, Médio Oriente e na Europa”, destaca o documento.

Embora os homens representem a parcela dominante dos traficantes acusados na África Subsaariana, as mulheres são condenadas numa grande proporção (44%). "Em 2020, em cada dez pessoas acusadas, duas eram mulheres. Ainda, no mesmo período, por cada dez pessoas condenadas, quatro eram mulheres”, detalha.

No texto de apresentação do relatório, a directora-Executiva do UNODC, Ghada Waly, explica que o documento, que vai na sua sétima edição, "visa chamar a atenção para um problema partilhado e impulsionar a acção contra esse crime, fornecendo aos actores políticos e profissionais as informações e análises que necessitam para ajustar respostas e melhorar a prevenção”.

 

Jovens académicos contribuiram para a elaboração do documento

"Pela primeira vez, o relatório também apresenta contribuições de jovens académicos como parte dos esforços do UNODC, para, apoiar a próxima geração de investigadores e construir novas ligações para apoiar soluções eficazes”, acrescenta. Ghada Wally vinca que não se pode permitir que um "crime imoral” como é o tráfico humano "seja encarado com indiferença e impunidade”.

"Aproveitemos esta oportunidade para redobrar o nosso compromisso e juntar comunidades e governos, forças da autoridade, saúde e serviços sociais, escolas, sociedade civil, universidades, ONU e todos os parceiros para fortalecer a resiliência contra a exploração e acabar com o tráfico de pessoas de uma vez por todas”, concluiu.

 

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