Cultura

Tradição de fabrico e uso de jóias em África

Nilsa Batalha

Existem evidências do uso de joalheria pelos povos africanos já na Idade da Pedra. Ligas de cobre e ferro foram usadas para produzir pingentes e jóias simples. O marfim e o âmbar também tiveram uma influência considerável no artesanato e confecção de jóias no continente africano.

09/06/2024  Última atualização 09H38
© Fotografia por: DR

O método de fundição do bronze com cera na Nigéria e no Benin, iniciado pelos Ioruba no século XIII, tornou possível modelar peças de bronze muito complexas.

A jóia africana mais antiga foi descoberta em 2004, na Caverna Blombos, no extremo Sul da África do Sul. Estima-se que tenha mais de 75.000 anos e sejam contas do tamanho de ervilhas, conchas de moluscos que foram perfuradas.

De cores vibrantes e peças volumosas, as jóias africanas eram (e são) símbolo de poder, misticismo, protecção e até já foram utilizadas como meio de comércio e troca, principalmente de roupas e alimentos, mas também de escravos em algumas culturas. As jóias africanas assumem muitas formas e têm diversas funções, além de simples acessórios de moda. Podem significar protecção, acúmulo de riqueza; símbolo de status social, de prestígio ou simplesmente um item decorativo.

Os povos africanos acreditam que as jóias representam protecção para quem as usa contra doenças, proporcionam boa sorte e boas energias e, também, repelem as forças do mal. A maioria das jóias representam água, sol, fogo e vento - as quatro forças significativas da terra, e criam um equilíbrio entre a terra e a natureza, ficando o portador em harmonia com os ritmos e ciclos da natureza.

O grupo étnico Masai do Quénia, por exemplo, usa missangas que simbolizam as suas crenças. As missangas azuis representam o céu e a fé em Nkai (Deus). Missangas verdes representam o elemento sagrado do capim que nutre o gado. Já as vermelhas, o sangue do gado, enquanto as brancas representam o leite. Vermelho e branco são consideradas cores de sustentação da vida.

As mulheres Masai exibem a sua riqueza na sua joalheria.

A joalheria de missangas é proeminente na cultura africana, muito embora tenham sido importadas de países europeus. Os artesãos africanos também utilizam o marfim, berbigão, casca de ovo, pedra esculpida, conchas marinhas e terrestres.  Especialmente as conchas e os búzios têm uma história antiga em África e são apreciadas pela sua durabilidade e pelo facto de simbolizarem a fertilidade feminina.

Na nova era da moda inclusiva e inspirada em África, diversas jóias usadas nas passarelles internacionais colocam em destaque a criatividade e o "savoir-faire” africanos.

Fonte: royaumedafrique/


TANZANITE
A pedra preciosa mais rara do mundo

A tanzanita ou tanzanite é encontrada em apenas um lugar na Terra: a Tanzânia. A única fonte mundial desta pedra sedutora está localizada num pequeno pedaço de terra no sopé do majestoso Monte Kilimanjaro.

Foi um membro do grupo étnico Maasai, Ali Juuyawatu, que descobriu a tanzanite. 

A Tanzânia, um país rico em folclore, ostenta uma lenda antiga em que os Maasai locais viram um relâmpago descer do céu e atingir o solo transformando todas as rochas num azul cintilante - a tanzanite.

Embora isto possa ser folclore, a história da tanzanite é tão excitante como o mito.

Numa área de apenas 14 quilómetros quadrados, um fenómeno geológico teve lugar há mais de 585 milhões de anos no que é hoje conhecido como o evento Pan-Africano. Com a mudança dos continentes, foram criados o Monte Kilimanjaro e o Vale do Grande Rift. Minerais, muito abaixo da superfície, misturaram-se devido ao calor e pressão extremos, e assim foi criada a tanzanite.

Sendo "mil vezes mais rara que o diamante”, a tanzanite é frequentemente referida como a pedra preciosa de "geração única”, devido à sua oferta limitada. De facto, os especialistas ainda insistem que existe apenas uma hipótese num milhão de encontrar outra fonte em qualquer parte do planeta.

Descoberta em 1967, a pedra foi inicialmente pensada como sendo de safira até que a sua composição foi examinada e considerada uma forma de zoisite azul. Em 1968, a pedra preciosa foi baptizadatanzanite pelos joalheiros da mundialmente famosa Tiffany & Co, e lançada no mundo como "a” nova obrigatoriedade, declarando-a como tal: "A mais bela pedra azul a ser descoberta em 2000 anos”.

Devido à sua fama e propriedades, a lista oficial da indústria da joalharia foi alterada em 2002 e a tanzanite juntou-se à turquesa e ao zircónio como a nova pedra de nascença. Um grande feito quando se considera que esta foi a primeira vez desde 1912 que a lista tinha sido alterada

Pedras de tanzanite lapidadas e polidas são extremamente raras – muito mais que os diamantes.  A tanzanite tem possivelmente a tonalidade azul mais bonita do mundo das gemas - até as safiras podem parecer um pouco desbotadas ao lado de uma tanzanite.

Fonte: tanzaniteexperience/gemselect-pt


MBOUOMBOUO
Museu de arte tradicional nos Camarões

Mbouombouo é uma das principais atracções dos Camarões e um importante centro da arte tradicional africana. Com a inauguração do museu, no pretérito mês de Abril do ano em curso, os Camarões homenageiam o reino subsaariano Bamum, fundado em 1384, um dos reinos mais antigos de África e considerado pela UNESCO Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Para entrar no Museu dos Reis Bamum, os visitantes precisam de passar debaixo das presas de uma serpente gigantesca de duas cabeças.  

Localizado na praça do Palácio Real em Foumban, capital histórica da dinastia Bamum, o museu tem mais de 5 mil metros quadrados e reúne mais de 12 mil peças que incluem armas, tubulações e instrumentos musicais.

O museu foi construído com a forma do emblema de Bamoun: a cobra de duas cabeças que representa a força do povo, enquanto que uma aranha representa o trabalho duro e a sabedoria. Já o gongo de duas cabeças é usado como forma de chamar a atenção das pessoas para o Palácio Real.

 Fonte:almapreta

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura